O ano de 2026 tem sido de grandes novidades no futebol brasileiro. Além de um novo calendário, aumento e expansão das competições nacionais, mecanismos e ações para ajudar a arbitragem também têm ganhado espaço. Nesta temporada, o Campeonato Brasileiro Série A terá pela primeira vez o uso da tecnologia de impedimento semi-automático, mas a iniciativa mais promissora vem do Ceará, onde a Federação Cearense de Futebol (FCF) anunciou que os árbitros centrais dos jogos do Estadual vão conceder entrevista coletiva após as partidas e divulgação das súmulas.
A medida é focada na busca pela transparência. Conforme a FCF, os árbitros tratarão exclusivamente de questões técnicas, não podendo comentar sobre temas sem relação com as decisões tomadas nos jogos. Sem autorização da Fifa para implantar a ação, os membros do quadro de arbitragem que tiverem o patch da entidade máxima do futebol não podem falar após as partidas que estiverem envolvidos.
Para entender os possíveis impactos da novidade no cenário do futebol da Paraíba, do Brasil e do mundo, conversamos com Marcílio Braz, ex-diretor da Comissão de Arbitragem da Federação Paraibana de Futebol (FPF). Com experiência de mais de 20 anos sendo árbitro das competições locais e nacionais, ele falou sobre os pontos negativos e positivos da medida, caso a Fifa a adote nas suas competições.

- Marcílio defende a realização de entrevistas após o jogo, mas no momento adequado | Foto: Acervo/Causos&Lendas
“Eu acho que é uma atitude correta e muito sábia. O árbitro, de certa forma, sempre foi proibido de responder perguntas por erros que tenha cometido durante jogos. E, como o futebol é um produto que necessita de um consumidor, que necessita de patrocinadores, tendo a existência também da imprensa que colabora muito com esse evento, então, nada mais justo que o árbitro ter, não a obrigação, mas a opção de dar entrevista após o término da partida”, afirmou Marcílio.
Apesar de ser favorável, o ex-dirigente destacou que a medida, caso seja chancelada pela Fifa, cobrará dos árbitros ainda mais preparação. Marcílio alertou que a arbitragem já é bastante pressionada e que a entrevista não pode aumentar ainda mais essa pressão.
“Não seria de acordo, particularmente, que essa entrevista fosse dada logo ao término do jogo. Ao término do jogo, o árbitro vai estar com uma alta carga de adrenalina, ainda tem a questão do desgaste físico e emocional. O ideal seria que a coletiva ocorresse após um certo tempo do fim do jogo. Assim, ele [o árbitro] poderia repousar, fazer uma análise pessoal das suas ações e depois falar com a imprensa”, disse. Arthur Alves, atual diretor da Comissão de Arbitragem da FPF (Ceaf-PB), não quis comentar sobre o tema, apenas limitou-se a destacar que, segundo uma orientação da FIFA, é proibido que árbitros concedam entrevistas coletivas após as partidas. Mas ele afirmou que seria favorável que o comandante do apito falasse após a confecção da súmula.
O idealizador do projeto no futebol cearense é Paulo Silvio, presidente da comissão de arbitragem da FCF. Em entrevista para o ge.globo, ele explicou com mais detalhes os motivos da implantação das coletivas dos árbitros e quais os próximos passos da iniciativa.
“A gente entendeu que estava na hora de tirar isso da gaveta, nos cercamos de todos os cuidados e vamos fazer esse projeto piloto durante a primeira rodada [do Campeonato Cearense], a gente vai estar com esse projeto piloto. Não é um projeto definitivo, mas é um projeto piloto que a gente está implantando. A ideia é poder encaminhar os resultados para a CBF e para a Fifa, após esses quatro jogos. Passando esse momento, a gente torna ele um projeto definitivo, ou não, vai depender das situações da primeira rodada”, disse.
Workshop
A Ceaf-PB realizará, no dia 12 de janeiro, das 14h às 16h, no Villa do Bosque, Rodovia Estadual, nº 320, Gurugi, na cidade de Conde, um evento que marca a integração dos oficiais da arbitragem com todos os envolvidos na promoção do futebol local. O evento tem como objetivo apresentar atualização das regras de jogo e diretrizes para o Campeonato Paraibano. Participarão do momento dirigentes, comissões técnicas e atletas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de janeiro de 2026.