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Equipe feminina em expansão

publicado: 15/05/2026 09h32, última modificação: 15/05/2026 09h32
Projeto do João Pessoa Espectros vem ganhando espaço e atraindo um número cada vez maior de mulheres
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Atletas recebem orientações antes dos jogos que disputaram recentemente, pelo Regional Nordeste, em Pernambuco | Fotos: Divulgação/João Pessoa Espectros

por Camilla Barbosa*

A capital paraibana tem figurado como um importante polo esportivo ao oferecer ampla variedade de modalidades para públicos de todas as idades e perfis. Dentre as opções disponíveis, o flag football, uma alternativa inspirada no futebol americano, vem ganhando espaço e atraindo novos praticantes na cidade. Nesse contexto, a equipe feminina do João Pessoa Espectros, um projeto recém-formado, tem reunido um número cada vez maior de participantes.

Uma das integrantes do time é Mariana Costa, que está desde a fundação dele, em outubro de 2024. Ela relembra que seu interesse na modalidade surgiu ainda no início daquele ano, ao descobrir que esta havia sido uma das selecionadas pelo Comitê Olímpico Internacional para estrear em Los Angeles 2028; a partir disso, quando tomou conhecimento sobre a seletiva inicial do Espectros, fez questão de participar. 

O flag football é uma variação do futebol americano, mas com menos contato físico e uma proposta considerada menos agressiva

“Eu nunca pratiquei esporte coletivo, nada do tipo, mas eu sempre fui muito ativa; e, na época, eu tinha saído de um puerpério, minha filha estava com oito meses, e eu tava com aquela vontade de praticar esporte e viver novas coisas. Eu vi na atividade física um escape da maternidade, do trabalho, foi algo que eu coloquei na minha rotina e aí eu decidi me desafiar a fazer uma coisa diferente”, explica.

Depois da seletiva, a publicitária começou a se familiarizar com o esporte e com o grupo. Ela aponta que a própria vivência diária nesse meio forneceu-lhe motivos suficientes para continuar praticando e evoluindo.

“Duas questões me fizeram ficar: o próprio esporte, que eu acho que é muito dinâmico, muito rápido, democrático, ele não demanda equipamentos caros, como o futebol americano, que você precisa do pad e tal; você só precisa de uma flag, que o time forneceu na época, e uma chuteira; também é uma prática muito divertida, e as meninas do time viraram minhas amigas, então a gente formou um time de verdade, com amizades dentro do time, me apaixonei e aí estou lá até hoje”, comenta.

Competição

A primeira competição oficial da equipe paraibana, o Regional Nordeste do Brasileirão de Flag, foi disputada no início deste mês, em Pernambuco. Embora o time não tenha avançado às fases seguintes da competição, a participação representou um importante passo para o desenvolvimento do grupo e trouxe aprendizado dentro e fora de campo, avalia Mariana.

“Foi bem desafiador porque foi a primeira competição oficial do nosso time. No ano passado, tivemos um amistoso com o time de Natal, e um training camp, aqui, em João Pessoa, mas o nosso time ainda é muito muito novato. O Brasileirão, para mim, foi uma experiência fantástica. Primeiro que eu estava muito nervosa, porque eu nunca tinha competido assim com o time, entrando em campo, de fato. Tinham times lá que venceram o Regional já em outros anos, meninas que treinam e jogam há mais de 10 anos, então eu me senti muito nervosa no começo. Mas foi uma experiência muito boa”, elucida ela.

“Foi o primeiro campeonato oficial que a gente participou, mas a gente sentiu a evolução do time. Então, apesar de não termos ganho, foi uma experiência muito boa pra gente ver o quanto evoluímos, como a gente consegue aprender”, complementa Mariana.

Mesmo sem outras competições à vista, o Espectros continua com a mesma rotina de treinos: um na quarta-feira à noite, na Associação Desportiva Bancários, e outro na manhã do domingo, no campo do Instituto Federal da Paraíba (IFPB).

“Estamos nos organizando para termos alguns amistosos, provavelmente em julho ou agosto, porque todos os times do Nordeste têm se unido muito nessa questão de querer fortalecer o esporte, aqui, principalmente agora, que a gente tem esse olhar do Comitê Olímpico para o esporte. Então acho que é a oportunidade que a gente tem de fortalecê-lo ainda mais”, defende a integrante da equipe dos Fantasmas.

Benefícios

Para além do aspecto competitivo, a modalidade traz inúmeros benefícios aos praticantes. Mariana lista alguns deles, incluindo aqueles relacionados à maternidade e ao âmbito profissional.

“O flag é um esporte que proporciona estímulos musculares e físicos muito diferentes dos da musculação ou do crossfit, por exemplo. Então é muito importante que a gente faça uma preparação específica para entrar em campo, evitar lesões, correr mais rápido e ganhar força. Quando consigo conciliar tudo isso com a minha rotina, que é bem puxada, sinto uma diferença muito grande no dia a dia, tanto no trabalho quanto nos meus treinos. Eu treino musculação pela manhã, focada no flag, e percebo que tenho muito mais energia para lidar com a rotina. Tenho uma filha de dois anos e consigo pegá--la no colo, brincar com ela, correr atrás dela e, quando ela quer ficar mais no braço, eu não sinto dores. Sem contar que isso também eleva a autoestima. Tenho 34 anos, passei por uma gravidez, então acho que o flag me deu um incentivo a mais para me manter ativa, em forma, e isso foi muito importante”, aponta ela.

“Eu recomendo demais a prática do flag. É um esporte que inclui todo mundo, desde pessoas mais novas até pessoas um pouco mais velhas. No nosso time, e até em outros, eu vejo pessoas ali na faixa dos 40 anos que treinam superbem, então ele abraça todas as faixas etárias, e, se você é sedentária, você também consegue evoluir junto com o time. O Espectros é um time que tem uma história muito forte aqui na cidade e a gente também tem construído uma cultura de abraçar as mulheres. Nós temos essa vontade de se fortalecer ainda mais e de crescer, então precisamos de novas atletas para irmos renovando o time sempre e ele se manter vivo e ativo por muito tempo”, finaliza Mariana.

Sobre a modalidade

O flag football é uma variação do futebol americano, mas com menos contato físico e uma proposta considerada menos agressiva. Assim como na modalidade tradicional, os atletas têm o objetivo de avançar com a bola pelo campo e marcar pontos, os chamados touchdowns.

A principal diferença está na forma de interromper a jogada: em vez de derrubar o adversário, como acontece no futebol americano, no flag a ação é concluída com a retirada das fitas (flags) presas à cintura do jogador. No Brasil, a modalidade é praticada principalmente no formato 5x5, característica que valoriza a velocidade, a estratégia e o dinamismo das partidas.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de maio de 2026.