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basquete paralímpico

Equipe prepara-se para temporada

publicado: 26/01/2026 09h23, última modificação: 26/01/2026 09h23
Associação Atlética das Pessoas com Deficiência da Paraíba é a única do estado a praticar o esporte em cadeira de rodas
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Erick (E) e Siderlan (C) dos Santos são atletas da AAPD, assim como o vice-presidente Joan | Fotos: Roberto Guedes

por Camilla Barbosa*

Os últimos anos têm sido marcados pelos patamares cada vez mais altos atingidos pela equipe de basquete em cadeiras de rodas da Associação Atlética das Pessoas com Deficiência da Paraíba (AAPD). Com o objetivo de continuar a ascensão em 2026 — que promete ser intenso e repleto de desafios —, o grupo voltou aos treinamentos no início da semana passada.

A AAPD tem uma história de atuação na Paraíba que começou há 21 anos. No âmbito do basquete em cadeiras de rodas, no entanto, esse trabalho intensificou-se em 2020. “Ainda na pandemia, a gente fez um planejamento para fazer a renovação da equipe e a gente começou a colher esses frutos em 2022. Foi quando foi voltando tudo ao normal [depois da pandemia de Covid-19]”, relembra o vice-presidente da AAPD, Joan Lucas, que também é atleta.

O dirigente explica o planejamento traçado para a temporada recém-iniciada. “Somos a única equipe de basquetebol em cadeira de rodas existente no estado, o que sempre nos impôs dificuldades para manter um ritmo constante de jogo. Para competir, precisávamos nos deslocar para outros estados. Aí, decidimos elaborar um planejamento em conjunto com outras equipes do país, com o objetivo de ampliar nossa participação em competições. Neste ano, surgiram diversas oportunidades de torneios, e estamos nos organizando para disputar o maior número possível. A proposta é garantir mais ritmo de jogo aos atletas e realizar uma preparação completa visando a disputa da Primeira Divisão, que vai ser em agosto”, disse.

A rotina do grupo envolve treinos de segunda a sexta-feira, na Vila Olímpica,  das 16h às 18h. Além disso, o time conta com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, fisioterapeuta, educador físico e nutricionista. Para a montagem do elenco deste ano, alguns requisitos foram buscados pela diretoria da AAPD.

“Temos muitos atletas de fora e do interior. Temos atletas de Areia, de Santa Luzia, de Baraúna e também de fora do Estado, do Rio Grande do Norte, de Pernambuco, de Alagoas. Como o time tem uma característica mais veloz, a gente busca mesmo por atleta veloz, que corra, que tenha boa resistência. Então, a gente busca, mais ou menos, esses perfis nos atletas para as competições”, elucida Joan.

Melhorias estruturais

Um dos equipamentos mais importantes para a existência e continuidade do projeto é a casa dos atletas, que, recentemente, foi reformada para promover maior conforto aos integrantes. “Eu costumo dizer que, sem essa casa, não existia a AAPD, porque tem muitos atletas que vêm do interior do estado, como eu, que sou de Baraúna, mas passo a semana aqui para fazer os treinamentos. Sem essa casa, realmente, não teria como. Não seria viável para muitos atletas chegar aqui, pagar aluguel, coisas assim. Aqui, a gente só se preocupa, na verdade, em ir para o ginásio fazer o treinamento da gente. Até porque a alimentação, luz, gás, tudo é por conta da equipe”, comenta o vice-presidente da entidade. 

Casa abriga os jogadores, que já ergueram vários troféus

Apoio financeiro

A equipe da AAPD vem de uma louvável ascensão, sendo campeã da Terceira Divisão, ainda em 2022, o que deu a ela a vaga na segunda divisão no ano seguinte. Em 2023, garantiu seu lugar no grupo que reúne a elite do basquetebol, na qual permanece até este momento. Além disso, o conjunto é atual campeão brasileiro sub-23, o que possibilitou a alguns dos atletas a elegibilidade para programas de apoio financeiro em nível estadual, como o Bolsa Esporte, e nacional, como o Bolsa Atleta.

Além dessas iniciativas, alguns outros parceiros têm sido fundamentais para a existência do time, de acordo com Joan. “Se não fossem esses apoiadores para a gente, realmente, a AAPD não funcionaria. A Lotep [Loteria do Estado da Paraíba] tem nos dado uma ajuda fundamental. Ela é uma ‘parceiraça’ da gente, como a PBGas [Companhia Paraibana de Gás] e o Governo do Estado. Sem eles, sinceramente, a AAPD não estaria de portas abertas hoje. Eles apoiam a gente já faz um bom tempo já e são fundamentais”, comenta.

Comunidade

Erick Gabriel conheceu a modalidade ainda no ensino médio e integra a equipe da AAPD há quase 10 anos. Ele relata a importância de estar inserido em um ambiente com pessoas que compartilham as mesmas vivências, dentro e fora das quadras.

“A convivência é super legal, é muito boa, conviver com pessoas, vamos dizer, da minha bolha. Na época do Ensino Médio, na escola, eu era uma pessoa com deficiência e não tinha toda essa experiência, então, tanto o basquete como a convivência com pessoas com deficiência me ajudaram a entender mais sobre esse estilo de vida”, aponta o atleta.

“Eu gosto demais de viajar. E ainda mais fazendo uma coisa que eu gosto, que é o basquete. É muito legal porque cada ano é uma experiência diferente, você vai conhecendo pessoas novas, ganhando um pouco mais de experiência, então, me faz muito feliz”, complementa ele.

O esportista ainda revela como tem sido a volta aos treinamentos e a relevância disso para a temporada que está apenas começando. “Estamos na fase de treinamento físico, o que é importante para você se manter bem fisicamente durante a temporada. O professor Romero tem feito uma etapa de condicionamento físico durante essa semana e está sendo muito positivo. Eu acho que é importante você começar o ano dessa forma”, destaca Erick.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de janeiro de 2026.