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Intestinos dos surfistas têm mais superbactérias que o normal

por publicado: 22/01/2018 21h25 última modificação: 22/01/2018 21h25
Digitizedchaos/Flickr O surfista Dane Reynolds

O surfista Dane Reynolds


Do ZAP

Um estudo recente comprova que os surfistas têm uma maior probabilidade de apresentarem bactérias resistentes no intestino do que os banhistas regulares. As “superbactérias” – resistentes a um ou a vários antibióticos – são um dos problemas que têm preocupado os médicos ultimamente. Entre elas estão as estafilococos (Staphilococcus aureus) e pneumococo (Klebsiella pneumoniae).

Os médicos temem que todos os antibióticos percam sua eficiência contra essas superbactérias. Segundo a comunidade médica, esses micróbios são muito comuns em hospitais veterinários e em propriedades de criação de animais. No entanto, segundo a Sputnik News, uma equipe do Centro Europeu para a Saúde Ambiental e Humana, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, descobriu outra fonte dessas superbactérias: o mar.

A pesquisa, publicada na Environment International, analisou as águas costeiras do Reino Unido, mas os cientistas advertem que o problema pode existir em outras partes do mundo também. A equipe estudou um grupo de 143 surfistas e 130 banhistas regulares e concluiu que os surfistas tinham três vezes mais probabilidade de serem contaminados com uma bactéria resistente a antibióticos de terceira linha, como a Staphilococcus aureus, do que os banhistas regulares.

Além disso, verificaram que os surfistas tinham também quatro vezes mais probabilidades de serem contaminados por bactérias portadoras de um gene, como a Klebsiella pneumoniae, que lhes confere resistência contra múltiplos antibióticos do que os banhistas comuns. Segundo o Observador, para os pesquisadores, uma prática mais frequente de desportos aquáticos como o surf está relacionada com o aumento da exposição a bactérias resistentes.

“O risco de colonização com bactérias resistentes a antibióticos entre surfistas pode ser diferente em outros países. Nos locais onde as pessoas nadam no mar com mais frequência, o risco pode ser substancialmente maior do que os riscos reportados no Reino Unido e outros países com clima temperado”, escrevem os autores no artigo.

No Brasil, por exemplo, é possível que a exposição a bactérias seja maior, já que a afluência de surfistas e banhistas às praias é muito maior do que três vezes por mês. Tanto os surfistas, quanto os banhistas, podem estar colonizados com bactérias resistentes e não apresentarem qualquer sintoma. Segundo Carlos Palos, médico no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, existe apenas “uma maior propensão dessas pessoas para, caso tomem antibióticos ou caso fiquem gravemente doentes, terem infecções causadas por essas bactérias resistentes”.

Outro dos problemas destacados no estudo é o fato de as pessoas colonizadas serem potenciais fontes de transmissão para outras pessoas, aumentando as formas de resistência na sociedade. Ainda assim, o Observador ressalva que o objetivo dos autores não é fazer com que as pessoas deixem de ir à praia ou deixem de praticar esportes aquáticos. Querem apenas alertar para “o risco de colonização por bactérias resistentes a antibióticos associado à exposição a ambientes naturais poder ser mais importante do que se julgava”.

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