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Morte do craque Mané Garrincha completa 34 anos

por publicado: 15/01/2017 00h05 última modificação: 14/01/2017 10h37
Divulgação O famoso "anjo das pernas tortas" atuou na Paraíba, pelo Treze, em jogos contra a equipe de Campo Grande-RJ e a Seleção da Romênia

O famoso "anjo das pernas tortas" atuou na Paraíba, pelo Treze, em jogos contra a equipe de Campo Grande-RJ e a Seleção da Romênia


Wellington Sérgio

No próximo dia 20 completam-se 34 anos da morte de Manuel Francisco dos Santos, mais conhecido no mundo do futebol como Mané Garrincha, que faleceu no dia 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, vítima de cirrose hepática (alcoolismo). Natural de Pau Grande, um distrito de Magé, no Rio de Janeiro, o “Anjo das Pernas Tortas”, que nasceu no dia 28 de outubro de 1933, deixou uma história no esporte como um dos maiores atletas e driblador de todos os tempos. Curiosamente, o ex-ponta direita - função que é feita atualmente pelos laterais - jogou amistosamente por alguns clubes da Paraíba. O bicampeão mundial, quando atuou pela Seleção Brasileira (58 e 62), defendeu o Treze na derrota para a Seleção da Romênia (2 a 1), no dia 8 de fevereiro de 1968, no Estádio Presidente Vargas, em Campina Grande.

Um ano depois, em 69, Garrincha teve a companhia do ex-lateral esquerdo Nilton Santos (in-memoriam), quando vestiram a camisa do Galo da Borborema, na vitória diante do Campo Grande-RJ (1 a 0), lotando as dependências do PV. Em Patos, no dia 7 de setembro de 1973, no Estádio José Cavalcanti, o mito do esporte jogou pelo Esporte e derrotou o Botafogo de Cajazeiras (3 a 2), marcando dois gols e um do atacante Marcone. Ainda em solo paraibano, o Botafogo-RJ de Garrincha derrotou o Botafogo-PB (3 a 2), em 1960, em amistoso no Estádio Olímpico - atual Vila Olímpica Parahyba -, no Bairro dos Estados. O detalhe é que na véspera da partida o ex-ponta chegou à concentração do clube carioca por volta das 2 horas da manhã, quando sofreu um corte no supercílio, por ocasião de uma queda.

O apelido Garrincha veio da irmã, fazendo uma associação com o pássaro do mesmo nome, muito comum da região. O contato do jogador com o álcool começou praticamente ao nascer, quando sua família o alimentava com uma mamadeira contendo cachaça, mel, canela em pau, o popular “cachimbo” dos indígenas nordestinos. Foi estimulado desde cedo a beber e durante muitos anos passou a ser um viciado e com problemas de saúde. Uma das características marcantes de Garrincha era com relação a uma distrofia física nas pernas tortas. Sua perna direita, seis centímetros mais curta que a esquerda, era flexionada para o lado esquerdo, e a perna esquerda apresentava o mesmo desenho.

Sua história começou aos quatorze anos, quando atuava no time amador do Esporte Clube Pau Grande, no interior carioca. Na ocasião, despertou o interesse de Arati, um ex-jogador do Botafogo-RJ que levou o garoto para fazer um teste no glorioso carioca. Na primeira jogada fez vários dribles em cima do experiente Nilton Santos, chamando a atenção da comissão técnica que aprovou o atleta de imediato. Além do time de General Severiano o ex-ponta atou no Corinthians-SP, Portuguesa-SP, Junior de Baranquila-Colômbia, Flamengo-RJ, Red Star 93 (França), Olaria-RJ e Seleção Brasileira. Nos clubes jogou 614 vezes, marcando 245 gols pelo Botafogo-RJ, onde sua carreira profissional se prolongou de 1953 a 1972. O último gol na carreira ocorreu no empate (2 a 2), entre Olaria-RJ (onde jogou) e Comercial-SP, no dia 23 de março de 1972, no Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto, no interior paulista.

Fora das quatro linhas, casou com Nair, namorada de infância, com quem teve nove filhas, onde duas faleceram (Tereza e Nadir). Separou e casou com Elza Soares, onde viveu quinze anos e foi pai de Manuel Garrincha dos Santos Júnior, morto aos 9 anos de idade, em acidente automobilístico. Neném, o filho dele com Iraci, anterior ao casamento com Elza, também morreu no acidente em Portugal, em 20 de janeiro de 1992, aos 28 anos. Garrincha também é pai de um filho sueco, Ulf Lindberg, fruto de um relacionamento com uma sueca da cidade de Umeã, durante uma excursão do alvinegro carioca à Europa em 1959.

Curiosidades sobre o rei do drible - Hilton Gouvêa

Vicente Feola, o técnico da Seleção Brasileira em 1958, gostava dos dribles de Garrincha, o menino da cidade carioca de Pau Grande. No jogo contra a União Soviética, Feola chegou no ouvido de Didi e cochichou: “Lembre-se, que o seu primeiro passe é para o Mané Garrincha”. Resultado: a bola respingou para Pelé e Garrincha, que acertaram a trave de Lev Yachin. Vavá aproveitou o rebote e abriu o placar.

Durante este jogo, na Suécia, Garrincha humilhou o jogador Kuznetnov e dois companheiros, deixando-os no chão com um drible sem bola. Surgiu daí o apelido de “O Anjo das Pernas Tortas”.

Sabe quem inventou aquele grito Olé, quando um time está dando um verdadeiro “baile” no adversário? Foi Garrincha. Isto aconteceu no México, em 1957, num amistoso entre o Botafogo e o River Plate. Garrincha deixou o jogador Vairo três vezes no chão, com o seu famoso “drible seco”. Da arquibancada, o público gritava “Olé”.

Não adiantava observar para qual lado Garrincha driblava. Ambidestro, ele saía com a perna esquerda, se alguém marcava a direita e vice-versa. Em seu livro “Memórias do Futebol”, João Saldanha, que foi técnico do Botafogo, lembra isto. E diz que “Garrincha, em termos de dribles, era imprevisível”.

O Botafogo foi jogar um amistoso em El Salvador, contra a seleção local, Garrincha sumiu da concentração. Saldanha e o roupeiro Aloísio Birruna, além do cartola Renato Estelita, saíram de carro atrás do craque. Encontraram-no rodeado de mulheres na boite La Caverna, participando, em tese, de um “Concurso de Bolero”. O Botafogo ganhou de 4x0. Dois gols foram de Garrincha.

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