“Hoje, o surfe, para mim, é vida e diversão também”. É assim que o adolescente Arthur Vilar, de 14 anos, define a modalidade esportiva que o projeta como uma das grandes promessas da nova geração brasileira. Apesar da pouca idade, o paraibano tem acumulado diversos títulos nacionais, conquistado respeito em competições internacionais e chamado a atenção de ídolos consagrados do esporte.
Natural de João Pessoa, o garoto mora com sua família em Baía Formosa (RN), onde tem uma rotina dedicada ao esporte que sempre fez parte da sua vida. Ele começou a surfar aos cinco anos de idade, influenciado por seu pai, de quem herdou o mesmo nome e o interesse pelas ondas.
“Isso é muito legal para mim, porque eu consigo viajar, conhecer pessoas novas, conhecer mais pessoas legais. E também é irado viajar para pegar sua onda, assim, animal mesmo. Isso é muito legal para mim”, diz Vilar em relação ao estilo de vida.
Ao ser perguntado sobre as inspirações no mar, o paraibano aponta Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e Gabriel Medina. Ele ainda descreve sua relação com o primeiro — seu “padrinho” no surfe e de quem se aproximou anos atrás. “O Ítalo é um amigão meu. Eu surfo direto com ele. Ele sempre foi um cara muito gente boa. Eu vou muito para casa dele, às vezes, e isso é muito legal, porque eu conheço como é a vida dele, a rotina dele. A gente tenta fazer igual e chegar no mesmo nível”, explica.
Para o pai, mais do que um esporte, o surfe é um forte elo entre ele e o filho. “Quando eu iniciei o surfe, quando adolescente, comecei a competir e acabei me encantando pelo esporte. O contato com a natureza, o estilo de vida do surfe. E aí, posteriormente, quando eu tive um filho, eu fiz de tudo para incentivar que ele também vivesse tudo o que eu vivi com o esporte. E, graças a Deus, ele gostou e começou a se dedicar e competir. Hoje, estamos vivendo juntos todos os momentos que o surfe proporciona, de viagem, competição, o estilo de vida que eu sempre quis que ele tivesse”, comenta Arthur.
Mais que rendimento
A preocupação da família é não apressar etapas. O pai de Arthur conta que, apesar do talento precoce, busca manter a rotina do filho equilibrada e faz questão de reforçar que a formação vai além do alto rendimento.
“O nome dele é bem promissor e eu vejo, até em outros esportes, o pessoal bem precoce já iniciando uma rotina de profissional e acabando esquecendo um pouco dessa parte de infância e adolescência. Eu tive a oportunidade de conversar com alguns atletas profissionais que eu conheci durante as viagens e fiquei mais orientado em preservar esses momentos, porque, quando ele ficar adulto, se ele começar cedo a ter essa rotina profissional, vai acabar enjoando, não vai ficar divertido para ele. E eu tento fazer isso, deixo só ele mesmo ir para a praia, pegar onda, se divertir, brincar, sempre tendo os horários de fazer o que é para uma criança e um adolescente fazer: ter um horário de estudar e ter um horário de brincar. Sempre preservando esses horários, para que, lá na frente, ele não sinta falta disso”, ressalta.
Arthur ainda enfatiza como o surfe proporciona encontros e trocas únicas ao filho, dentro e fora d’água. “Um dos motivos que faz eu gostar bastante do surfe é que não tem muita divisão. O mar é público e a gente consegue ter contato com os melhores surfistas do mundo, dependendo de onde você estiver, nunca vai ser restrito. Então, a gente tem esse contato, tanto com os nossos ídolos como com as pessoas que torcem por Arthur, torcem por nós. Eu acho muito importante isso, receber o carinho deles na praia, o apoio, tanto dos fãs — apesar de ele ser pequeno, já tem bastante admiradores –, como também das pessoas que a gente admira, né?”, salienta.
“Ter esse contato inspira muito. Quando a pessoa vem, elogia, dá um apoio. De toda forma, o pessoal sempre está apoiando ali, com palavras, com gestos, sempre, isso é muito importante. Só inspira mais para treinar mais, se dedicar mais e ele também gosta bastante”, acrescenta o pai do jovem-talento.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de agosto de 2025.