A Seleção Brasileira esteve em apuros, ontem (29), em Houston contra o Japão, mas um gol de cabeça de Casemiro e outro de Gabriel Martinelli, este aos 96 minutos, garantiram uma vitória crucial por 2 a 1, classificando a equipe de Carlo Ancelotti para as oitavas de final da Copa do Mundo em um fim de jogo emocionante.
O Japão saboreou um feito histórico, ao abrir o placar com Kaishu Sano após meia hora de jogo, mas o Brasil, com enorme sofrimento, conseguiu virar o placar no segundo tempo e prolongar sua jornada na Copa do Mundo.
O Brasil, que teve Neymar Júnior no banco de reservas durante os 90 minutos, volta a jogar no próximo domingo (5), em Nova Jersey, às 17h (horário de Brasilia), contra o vencedor do jogo entre Noruega e Costa do Marfim.
A Seleção chegará às oitavas com enorme alívio, mas também com lição de casa a fazer, após uma atuação geralmente fraca, salva mais pelo orgulho do que pela técnica.

- Casemiro comemora, com Neymar, o gol de empate do Brasil diante do Japão, aos 55 minutos da partida, em Houstou
Ao redor do NRG Stadium, pairava uma palpável mistura de entusiasmo e tensão para um jogo decisivo contra o Japão, que havia chegado a esta fase invicto, após conquistar empates impressionantes contra a Holanda e a Suécia e uma vitória convincente contra a Tunísia. E isso se refletiu em campo.
O Brasil controlou a bola, mas o fez com pouco ritmo, sem correr riscos, e o Japão conseguiu se organizar e demonstrar sua organização e preparação tática.
A posse de bola do Brasil só criou um perigo real para os japoneses, com um chute de fora da área, de Matheus Cunha, que o goleiro Suzuki espalmou por cima do travessão, mandando para escanteio. Mas o Japão parecia confortável em campo e competiu com paciência e disciplina, esperando o momento certo para atacar.
Foi um erro na construção de jogo de Danilo que deu à seleção asiática a sua melhor chance. Sano interceptou o passe no meio-campo, avançou até a entrada da área e desferiu um chute rasteiro perfeito com o pé direito, sem chances para Alisson. Era o minuto 29, e o Brasil estava em apuros.
Essa pressão acabou levando a uma queda de rendimento do Brasil, que, incapaz de reagir, jogou com ainda mais timidez, enquanto o Japão ganhou confiança, controlando a bola e movimentando-a à vontade contra um adversário sem respostas. A presença de Ronaldinho, sentado em um camarote no NRG Stadium, acentuou ainda mais o contraste entre a glória do passado e as dificuldades atuais.
Martinelli
Era necessária uma reação e, no intervalo, Ancelotti decidiu colocar Endrick no lugar de Paquetá. O Brasil voltou com a agressividade que faltou no primeiro tempo, pressionando o Japão em seu próprio campo e usando sua força física a seu favor, realizando uma série de cruzamentos que estiveram ausentes na primeira etapa.
Deu certo. Porque, depois de uma grande defesa de Suzuki em um chute de Bruno Guimarães e um corte em cima da linha de Tomiyasu, Casemiro recebeu um cruzamento de Gabriel Magalhães na segunda trave e cabeceou para o fundo da rede, empatando o jogo em 1 a 1. Era o minuto 55 e a Canarinha se vingou.
Quatro minutos depois, Vinicius fez sua primeira grande jogada, uma arrancada espetacular que terminou com um chute de dentro da área, com o pé direito, que acertou a trave após uma intervenção salvadora de Suzuki.
Após a pausa para hidratação, Ancelotti colocou Martinelli em campo, preferindo-o a Neymar Júnior, e sua equipe continuou pressionando, mas com menos força do que no início. O Brasil sentiu a pressão novamente, principalmente quando seu craque Casemiro saiu de campo, com uma lesão na virilha, sendo substituído por Fabinho.
O NRG Stadium preparava-se para a prorrogação, mas, aos seis minutos de acréscimo, Bruno Guimarães encontrou espaço para dar a assistência decisiva para Martinelli. O chute do ponta, desviado em Suzuki, entrou no fundo da rede após bater na trave. Uma questão de centímetros que deu ao Brasil a passagem para a próxima fase e deixou o Japão à beira da glória.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 30 de junho de 2026.