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instaladas por facções

Ação remove 70 câmeras clandestinas

publicado: 19/06/2026 10h09, última modificação: 19/06/2026 10h09
Abrangendo nove cidades, esforço integrou policiais e bombeiros para apreender equipamentos de uso ilegal
Coletiva Operação Ponto Cego_F. Evandro (16).JPG

Em entrevista coletiva, o secretário Jean Nunes relatou que rede de monitoramento era usada por criminosos para controle territorial | Foto: Evandro Pereira

por Camila Monteiro*

Em um esforço integrado das Forças de Segurança do estado, mais de 70 câmeras de videomonitoramento, instaladas por facções criminosas, foram retiradas e apreendidas no âmbito da Operação Ponto Cego, deflagrada, ontem, em João Pessoa e outras cidades dos litorais Norte e Sul do estado. Na ocasião, as autoridades também prenderam um homem, supostamente vinculado a um desses grupos criminosos, que teria atuado na instalação dos equipamentos no município de Cabedelo. Contra ele, havia dois mandados de prisão em aberto.

Com a participação de cerca de 150 agentes da Polícia Civil da Paraíba (PCPB), a empreitada, conduzida pela Diretoria de Operações (Diop) do órgão, contou com o apoio da Polícia Militar (PMPB) e do Corpo de Bombeiros Militar do estado (CBMPB). Além da capital e de Cabedelo, a remoção dos aparelhos abrangeu as cidades de Santa Rita, Conde, Bayeux, Pedras de Fogo, Pitimbu, Alhandra e Caaporã, durante toda a manhã.

As câmeras eram utilizadas tanto para ampliar o controle territorial de facções locais como para dificultar a atuação das Forças de Segurança nessas áreas. Segundo dados divulgados pela PCPB, na capital paraibana, o bairro São José apresentou a maior concentração de dispositivos identificados: oito equipamentos do tipo foram retirados em um mesmo perímetro, indicando forte domínio da criminalidade na região. Já seu núcleo de monitoramento se concentrava em Cabedelo.

Em coletiva de imprensa realizada após as diligências, na Cidade de Polícia de João Pessoa, no bairro Ernesto Geisel, o titular da Secretaria de Segurança e da Defesa Social (Sesds) da Paraíba, Jean Nunes, afirmou que esse tipo de investida será constante por parte das autoridades policiais no estado. “É uma ação que vai ser contínua: retirar esses equipamentos, que estavam sendo utilizados para pressionar a população, como também para monitorar as Forças de Segurança nas áreas em que foram apreendidos”, disse o secretário, detalhando que a Operação Ponto Cego integra uma força-tarefa mais ampla, a Operação Paraíba Mais Segura, voltada a uma série de atividades de repressão ao crime organizado

A ação de ontem também permitiu reabrir a passagem por localidades de Conde, no Litoral Sul, onde o crime organizado dificultava a circulação de viaturas. “Levamos retroescavadeira, trator e retomamos esses espaços”, acrescentou Jean Nunes.

A apreensão do material de videomonitoramento, vai subsidiar o andamento das investigações, incluindo mais de 1.500 imagens a serem analisadas pela polícia. “Isso vai servir como elemento de prova para inquéritos policiais que vamos instaurar, no sentido de apurar o crime de domínio social estrutural — que foi criado recentemente —, para que possamos fazer o indiciamento desses indivíduos”, ressaltou o delegado Carlos Othon, responsável pela Operação Ponto Cego.

Parceria

De acordo com o coronel Ronildo Souza, comandante-geral da PMPB, a instituição prestou auxílio à PCPB realizando a proteção dos perímetros inspecionados, antes e após o recolhimento das câmeras fixadas clandestinamente. “Vamos manter a segurança [nessas regiões] para que os equipamentos não voltem a ser instalados, dando, assim, condições para que a normalidade retorne dentro daquelas comunidades”, declarou.

O comandante-geral do CBMPB, o coronel Marcelo Araújo, também reforçou o compromisso do órgão com esforços do tipo: “Estamos unidos para trazer segurança à população”.

Para o delegado-geral da PCPB, André Rabelo, a atuação conjunta das Forças de Segurança demonstrou que o Estado é mais forte do que qualquer delito. “Por mais que haja o rótulo de ‘crime organizado’, quando as forças se integram e têm uma política de segurança pública bem definida, conseguimos alcançar o nosso objetivo, que é levar a sensação de segurança para a sociedade e combater as organizações criminosas”, concluiu.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de junho de 2026.