A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) divulgou novos desdobramentos das investigações sobre o homicídio do empresário Otávio Gadelha dos Santos, de 59 anos. Conhecido como Tavu Gadelha, ele foi assassinado em dezembro do ano passado. Segundo as apurações, o empresário e usineiro Celso de Morais Andrade Bisneto, de 36 anos, é apontado como o mandante do crime e encontra-se atualmente foragido.
As informações foram apresentadas durante uma entrevista coletiva concedida ontem, na Cidade da Polícia Civil, em João Pessoa, pelo superintendente da PCPB, Cristiano Santana, e pela delegada Maria das Dores, do Núcleo de Homicídios da 5a Delegacia Seccional de Polícia Civil (DSPC). De acordo com as autoridades, o crime teria tido como motivação uma dívida de aproximadamente R$ 400 mil, que o suspeito mantinha com a vítima havia mais de cinco anos.
Otávio Gadelha foi morto a tiros no dia 15 de dezembro de 2025, na rodovia PB-030, entre os municípios de Cruz do Espírito Santo e Pedras de Fogo. O corpo foi encontrado ao lado do veículo da vítima, em um trecho ermo da estrada. Conforme a delegada Maria das Dores, Otávio havia partido de João Pessoa, onde residia, para se encontrar com o suspeito. “Por volta das 16h30, 17h, ele foi executado com vários disparos de arma de fogo, em uma cena típica de execução”, detalhou a delegada.
As investigações apontam que Celso de Morais teria atraído a vítima ao local, com a promessa de pagamento da dívida — o que caracteriza, segundo a polícia, um elemento de premeditação do crime. A participação direta do suspeito na cena do crime não foi descartada, e há indícios de envolvimento de outras pessoas.
De acordo com a família de Otávio, ele costumava emprestar dinheiro a pessoas conhecidas. “Ele tinha Celso como alguém de confiança, por isso, foi ao encontro dele de forma tranquila, mesmo sendo o outro um devedor”, destacou Maria das Dores.
Com a identificação do suspeito, o órgão representou judicialmente pela prisão preventiva de Celso, que foi decretada pela Justiça no último fim de semana. “O juízo competente decretou [a ordem de prisão preventiva] de imediato, porque tínhamos elementos suficientes. Não temos dúvidas da participação dele no crime. Mas é evidente que há outras pessoas envolvidas, então as diligências continuam”, frisou a delegada.
Suspeito é usineiro e filho de vice-prefeito
Apesar da expedição do mandado judicial, Celso de Morais Andrade Bisneto não foi localizado e segue sendo procurado pelas autoridades. As investigações também indicam que ele possuía diversas outras dívidas, além da que contraiu com Otávio.
O foragido é filho do vice--prefeito de Itapororoca, Celso de Morais Andrade Neto, e neto de Paulo Fernando Cavalcanti de Morais, diretor da Usina Japungu, em Santa Rita, falecido em 2021. O suspeito, que residia no município de Sobrado, chegou a ser homenageado em 2024, pela Câmara Municipal da cidade, por sua atuação no desenvolvimento local.
A PCPB faz um apelo à população para que qualquer informação sobre o paradeiro de Celso seja repassada, de forma anônima e com sigilo garantido, por meio do telefone 197, do Disque Denúncia.
Ainda conforme a polícia, circunstâncias adicionais sobre as diligências relacionadas ao caso não foram divulgadas para não comprometer o andamento das investigações. “A gente identificou a participação de Celso, mas todos os detalhes, sobre o executor e outros comparsas, serão repassados no fim das diligências. O aprofundamento das diligências vai trazer de forma categórica a participação e a atuação de cada um. Porém, sabe-se que a vítima foi ao encontro dele, e isso está devidamente corroborado. Existem elementos probatórios que o trazem para essa situação. Além disso, ele era a pessoa que tinha interesse na morte da vítima”, concluiu Maria das Dores.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 30 de janeiro de 2025.