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Aluna da Paraíba representará o país em olimpíada internacional

publicado: 05/03/2026 08h53, última modificação: 05/03/2026 08h53
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Bianca Ribas obteve a terceira melhor nota de todo o Brasil | Foto: Arquivo pessoal

por Carolina Oliveira*

A estudante do Ensino Médio Bianca Ribas representará o Brasil na International Geography Olympiad (iGeo), que será realizada em Istambul, de 11 a 17 de agosto. Aluna do Colégio Motiva, em João Pessoa, ela cursa o 2º ano e é a única paraibana e uma das duas nordestinas entre os quatro selecionados. Bianca obteve a terceira melhor nota do país na fase internacional da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG) e conquistou medalhas de ouro por equipe nas etapas estadual e nacional.

Ela iniciou nas olimpíadas em 2024, mas foi em 2025, ao começar o Ensino Médio, que ampliou a dedicação. “Refiz a OBG com duas colegas e avançamos para a fase nacional, em Campinas. Sempre amei história e geografia, e isso motivou minha participação”, relata.

Promovida pela União Geográfica Internacional (UGI), a iGeo reúne quatro estudantes e dois mentores por país, e avalia conhecimento, criatividade e pensamento crítico. “Não imaginava que tomaria essa proporção. Antes da fase nacional, conheci como a geografia é cobrada em outros países e surgiu um novo sonho”, conta a estudante.

O professor Edson Rangel acompanhou Bianca desde a fase estadual da OBG. Ele explica que a competição tem fase estadual, on-line, e que classifica a equipe ouro para a etapa nacional, que é presencial. Nela, 10 alunos disputam quatro vagas para a etapa internacional.

A iGeo teve edição piloto em 1996, tornou-se regular em 2000 e é anual desde 2012, somando 21 edições oficiais até 2024. Em 2026, Bianca leva o nome da Paraíba ao cenário internacional. A preparação incluiu aulas focadas no estilo das provas nas fases estadual e nacional. Já para a internacional, além de exames on-line, os estudantes enviam um projeto com análise e propostas de intervenção sobre problemas locais, explica o professor.

Conhecimento

A iGeo é dividida em três etapas: prova escrita, com temas como mudanças climáticas, sustentabilidade, urbanização e geopolítica; prova multimídia, voltada à análise de mapas, gráficos e imagens; e trabalho de campo, em que os estudantes investigam problemas reais no país-sede. A programação inclui, ainda, apresentação de pôsteres, atividades culturais e momentos de integração entre participantes de vários países.

A OBG, realizada desde 2015, estimula a análise integrada de fenômenos geográficos e geocientíficos, superando a divisão entre geografia física e humana. As questões abordam geografia geral, cartografia básica e aplicada e uso de geotecnologias.

De acordo com o professor Edson, as experiências ampliam o universo de pesquisas e aprofundam conhecimentos, além de favorecerem o acesso dos alunos a universidades no Brasil e no exterior, seja como bonificação ou forma de ingresso.

Rotina e recompensa

Na fase nacional da OBG, Bianca também se destacou ao conquistar o primeiro lugar em uma categoria destinada ao público feminino, iniciativa que incentiva a participação de meninas e mulheres na área. “Eu não esperava este ouro nem o destaque feminino, ainda mais competindo com estudantes mais experientes, em um ramo majoritariamente masculino. Isso me deixa imensamente feliz”, afirma.

Em Campinas, a vaga na seletiva da iGeo veio após diversas provas e a produção de um artigo sobre um problema ambiental/geográfico de João Pessoa. “Foram horas das minhas férias dedicadas aos estudos. Descobri ontem que fui aprovada e a sensação agora é de recompensa”, declara.

Para Bianca, a base educacional e o apoio da escola foram fundamentais para os resultados. “A iGeo ampliou minha visão sobre a geografia mundial, e as olimpíadas científicas me mostraram um novo caminho. As medalhas na OBG também podem me ajudar a ingressar no curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), que aceita olimpíadas como facilitador no processo seletivo”, destaca.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 05 de março de 2026.