Referência em pediatria no estado, o Complexo Hospitalar Arlinda Marques (CPAM), em João Pessoa, obteve um crescimento de 65% no número de casos de síndrome respiratória aguda (SRAG) de março até abril deste ano, em relação ao mesmo do ano passado. Sintomas como secreção nasal, tosse, febre e dificuldade para respirar são os mais comuns, consistindo em sinais clássicos da época de maior circulação de vírus respiratórios. O público infantil é um dos mais vulneráveis, assim como os idosos.
Ao todo, a Paraíba soma 1.557 notificações de SRAG em 2026, de acordo com dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Dos registros, 906 envolvem crianças de até quatro anos, valor equivalente a 58,1% do total. Até o momento, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) confirmou 35 óbitos.
Como lembra o diretor--geral do CPAM, esses dados expressam um alerta. Mensalmente, o complexo atende uma média de 4,9 mil pacientes na urgência e 4,6 mil no ambulatório. “É bom atentar que nem toda gripe ou sintoma dela deve ser direcionado à urgência hospitalar. A grande maioria das crianças, na classificação de risco com sintomas respiratórios, é verde, ou seja, de baixa gravidade. Esses pacientes poderiam ser atendidos nas unidades básicas de saúde [UBS] e unidades de pronto atendimento [UPAs] mais próximas, evitando deslocamento e grande fluxo na urgência”, informa.
O especialista aconselha pais e responsáveis a observar o contexto e a maneira com que os sintomas se manifestam. Se a criança apresenta coriza, tosse e febre que diminui com medicação habitual, o atendimento deve ser realizado na UBS. Caso o quadro evolua para uma febre persistente, recusa alimentar e respiração obstruída, é hora de se encaminhar a uma unidade hospitalar. Sinais de prostração e apatia podem ser indicadores de gravidade.
“É importante frisar que o Complexo Pediátrico Arlinda Marques dispõe de uma porta de entrada aberta, com urgência e emergência 24h. São cinco consultórios ativos diariamente para atender à população, porém, neste período, mesmo com reforço de profissionais na triagem e atendimento, o volume de pacientes ainda é muito grande, sobretudo com sintomas leves e preveníveis com vacina”, destaca.
Cenário epidemiológico
Entre os casos de SRAG identificados por exame laboratorial, a maioria obteve resultado positivo para vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e influenza A. João Pessoa e Campina Grande lideram o índice de registros por município, com 423 e 405 notificações, respectivamente, enquanto 112 cidades ainda não apresentaram nenhuma ocorrência. No começo do mês, em 1º de abril, a prefeitura da capital decretou situação de emergência na saúde devido ao aumento de hospitalizações por síndromes respiratórias.
Esses números acompanham as informações divulgadas pelo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Quatro das cinco regiões do país — Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste — estão sob alerta por conta desse crescimento, especialmente em crianças menores de dois anos. A principal causa, segundo a instituição, consiste na elevação de casos de internações por VSR.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil já registra 40.534 casos de SRAG no ano epidemiológico de 2026, além de 1.731 óbitos. Nas últimas quatro semanas, 30% das infecções foram causadas pelo VSR; 29%, pelos vírus da influenza; e 25%, por rinovírus.
Vacinação
A campanha nacional de vacinação contra a gripe começou em 28 de março e segue até a próxima quinta-feira (30). A imunização está disponível para crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e puérperas, idosos, povos quilombolas e pessoas com comorbidades ou em situação de rua. Caminhoneiros, professores, profissionais das forças de segurança e das Forças Armadas, trabalhadores da saúde, do transporte coletivo e portuários também podem se prevenir.
A vacina contra a gripe oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege a população de três cepas do vírus: duas versões da influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B. Para se vacinar, deve-
-se portar documento oficial com foto ou certidão de nascimento, cartão do SUS e caderneta de vacinação. Grávidas precisam estar com o cartão da gestante. “A vacinação é a principal via de prevenção. Ela diminui significativamente a forma grave de vírus respiratórios. É por isso que enfatizamos e alertamos aos pais que mantenham as cadernetas de vacinação dos seus filhos em dia e procurem as UBSs para atualização”, reforça Daniel.
Em João Pessoa, é possível receber o imunizante nas unidades de saúde da família (USFs); nas policlínicas municipais; no Centro Municipal de Imunização, localizado na Torre; no Home Center Ferreira Costa; nos shoppings Sul e Tambiá; e na unidade do bairro Valentina Figueiredo do supermercado Mix Mateus. Todas as doses do calendário de rotina e da campanha estão disponíveis.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de abril de 2026.