A Paraíba registrou, nos últimos dias, do Litoral ao Sertão, altos índices de precipitações. João Pessoa, Campina Grande e Patos, três das maiores cidades do estado sofreram com as consequências das fortes chuvas.
Com alagamentos, trânsito lento, interdições e suspensão do tráfego ferroviário, o mês de abril começou impactando a rotina de moradores e motoristas da capital paraibana. As chuvas intensas registradas, desde a madrugada de ontem, formaram acumulados de água e causaram transtornos nos bairros da cidade. Até as 11h, 140,2 milímetros (mm) de chuvas foram registrados, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O tráfego de trens ficou suspenso até às 13h37, e a primeira metade do dia teve ocorrências sem repercussões graves.
Um alerta de acumulado de chuvas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) segue valendo para João Pessoa até às 23h59 de hoje, com previsão de precipitação de 20 mm/h a 30 mm/h ou até 50 mm/dia, e ventos intensos de 40 km/h a 60 km/h. O risco de corte de energia, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas, porém, é baixo.
Ocorrências
No Cristo, a platibanda — faixa vertical que emoldura a parte superior de um edifício — de um prédio residencial desabou. Como não havia risco aos moradores, o imóvel não precisou ser interditado. As demais ocorrências registradas pela Defesa Civil até o início da tarde foram de alagamentos em vias públicas, encaminhadas aos órgãos competentes.
Uma série de condutores sofreram, com seus automóveis, em função das vias inundadas. Repercutiu, nas redes sociais, vídeo feito pela jornalista Letícia Silva, no bairro do Miramar. Nas imagens, um idoso tenta impedir que seu carro seja levado pela correnteza na Rua Doutor Hermance Paiva, completamente alagada. Ele chegou a sair do veículo pela janela. Segundo Letícia, o homem conseguiu afastar-se em segurança e, posteriormente, um reboque retirou o carro do local.
Adiamento e interdição
As chuvas também colocaram uma pausa na vida política e no ativismo na capital do estado. A terceira edição da Caminhada do Silêncio — que seria realizada ontem, nas ruas do Centro de João Pessoa, para homenagear e reivindicar justiça pelas vítimas da Ditadura Militar (1964-1985) — foi adiada pela comissão organizadora do evento, em função dos alagamentos e das interdições no trânsito que inviabilizaram o deslocamento das pessoas até a concentração do ato. A comissão do evento, realizado pelo Memorial da Democracia da Paraíba e pelo Comitê Paraibano Memória, Verdade e Justiça (CPMVJ), com apoio de entidades civis e sindicatos, está discutindo uma nova data para a caminhada, que deverá ser anunciada em breve.
Por causa do grande volume de água e do acúmulo de lixo e de areia que cobriram os trilhos em diversos trechos do sistema ferroviário no fim da manhã de ontem, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em João Pessoa, manteve o tráfego de trens suspenso até às 13h37. De acordo com o coordenador de operações, Severino Urbano, as viagens de veículos leves sobre trilhos (VLTs) só foram retomadas após a via férrea apresentar condições seguras de tráfego. Segundo o gerente de Operações, Ítalo Bezerra, equipes da Via Permanente da CBTU foram distribuídas em várias frentes de trabalho para desobstruir a via.
Defesa Civil
As equipes da Defesa Civil de João Pessoa seguem em estado de atenção. O coordenador Kelson Chaves afirmou que a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil de João Pessoa (Compdec-JP) está pronta para atender a população e reforçou a importância de medidas de proteção. “O momento exige prudência e cuidado”, alertou.
Diante de vias alagadas, elevação de rios e risco de deslizamentos, a orientação é comunicar qualquer sinal de perigo para que as providências sejam tomadas. “Não vale a pena correr riscos desnecessários”, destacou.
A Defesa Civil funciona 24 horas, inclusive aos fins de semana e feriados, e pode ser acionada pelo WhatsApp (83) 98831-6885, pelo telefone 199 ou pelo aplicativo João Pessoa na Palma da Mão.
Ginásio de esportes O Meninão, em CG, teve telhado danificado
Por: Samantha Pimentel
Desde a última segunda-feira (30), o município de Campina Grande vem registrando fortes chuvas. Apesar de rápidas, as precipitações têm sido intensas, principalmente durante a noite, causando transtornos em diversos pontos da cidade. Na noite da terça-feira (31), um vídeo, que circulou nas redes sociais, chamou atenção para a situação do ginásio de esportes conhecido como “O Meninão”, no bairro Dinamérica. As imagens mostram buracos e danos no telhado, provocando infiltração de água e alagamento na quadra.
A Prefeitura de Campina Grande (PMCG), por meio da Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel-CG), responsável pelo equipamento, confirmou o problema. Em nota, a Sejel reforçou que “mantém o máximo cuidado com suas praças esportivas para que estejam sempre de portas abertas para uso da comunidade campinense. Diante disso, foram adotadas, de imediato, providências para sanar o problema e, em conjunto com a Secretaria de Finanças (Sefin-CG), será realizada a dispensa de licitação para que o serviço de recuperação e manutenção seja executado com a maior brevidade possível”, informou.
Outros problemas foram as vias com acúmulo de água em bairros como Catolé, Alto Branco, Jardim Paulistano e São José. A Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma-CG) atuou em algumas dessas áreas, realizando a desobstrução de galerias e bueiros.
Lixo
Em relação aos alagamentos nas vias, o secretário da Sesuma-CG, Dorgival Vilar, afirmou que, apesar das chuvas intensas, o descarte irregular de lixo agrava a situação. Como exemplo, citou a feirinha do Catolé, onde houve alagamento mesmo após limpeza preventiva realizada no dia 14 de março. Em menos de 15 dias, foram retirados do local sofás, colchões e outros itens descartados de forma inadequada.
Segundo ele, esses materiais obstruem a drenagem e dificultam o escoamento da água, reforçando a necessidade de conscientização da população. “Isso vai além do aspecto estético, pois pode causar problemas de saúde pública, gerar custos ao município e transtornos à população”, destacou.
O secretário também lembrou que a coleta de lixo funciona regularmente na cidade, além do serviço gratuito “Cata-Treco”, que recolhe itens como sofás e móveis diretamente nas residências. Os materiais sem condições de uso são levados ao aterro sanitário, enquanto outros podem ter destinação social. “Não há justificativa para o descarte irregular em Campina Grande”, afirmou. O serviço pode ser solicitado pelo WhatsApp (83) 99396-4356 ou pelos telefones (83) 3310-6115 e (83) 3341-0600.
Previsão
De segunda à quarta-feira (1o), Campina Grande registrou 53 mm de chuvas, segundo a Aesa. A previsão indica continuidade da instabilidade nos próximos dias.
De acordo com o Inmet, amanhã o céu deve permanecer nublado, com possibilidade de chuvas isoladas no sábado. Já no domingo, a previsão é de tempo ensolarado na Rainha da Borborema.
Em Patos, índices pluviométricos mantêm-se elevados desde fevereiro
Por: Mirvan Lúcio*
A cidade de Patos tem registrado aumento significativo no volume de chuvas desde o início do ano, segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). De janeiro a março, houve crescimento expressivo nas precipitações, e o mês de abril já começou com novas chuvas intensas. Março foi o período mais chuvoso até agora, superando os índices de janeiro e fevereiro, e o acumulado de 2026 já ultrapassa o total registrado em todo o ano de 2025. A expectativa é que as chuvas continuem ao longo de abril e maio.
Em janeiro, as precipitações não chegaram a seis milímetros (mm). Em fevereiro, o volume subiu para 217,6 mm, enquanto março fechou com 288,2 mm. De acordo com a subgerente de meteorologia da Aesa, Carmem Becker, o índice registrado em março ficou cerca de 90 mm acima da média histórica. Somando os três primeiros meses de 2026, Patos já acumula 526,2 mm de chuvas, superando os 522,5 mm registrados ao longo de todo o ano de 2025.
A meteorologista também destacou outros municípios da região com altos volumes pluviométricos. “Os maiores acumulados ocorreram em Cacimba de Areia, com 316 mm, ficando 135 mm acima da média mensal; Mãe D’Água, com 313,1 mm, acumulando 108 mm acima da média; e Areia de Baraúnas, com 306,5 mm, totalizando 165,8 mm acima da média”, afirmou.
Com as chuvas acima da média, os reservatórios da região apresentaram recarga. De acordo com a medição realizada ontem pela Aesa, a barragem da Farinha atingiu 24.733.218,60 m³, o que corresponde a 96% de sua capacidade total. Já o açude do Jatobá, um dos principais mananciais que abastecem Patos, registra 5.264.155,00 m³, equivalente a 30% da sua capacidade total.
Segundo a classificação da Aesa, a barragem da Farinha está em situação favorável, com possibilidade de transbordamento a qualquer momento. O açude Jatobá, por sua vez, encontra-se em estado de observação, mas ainda pode receber novas recargas, considerando a continuidade do período chuvoso. “Especialmente na região de Patos, o período chuvoso ocorre entre fevereiro e meados de maio. Março é o mês central dessa estação, mas ainda se espera ocorrência de chuvas ao longo de abril”, explicou Carmem Becker.
As precipitações podem ocorrer de forma irregular, com chuvas mais intensas em algumas localidades, intercaladas com períodos de veranico, que podem durar de quatro a cinco dias de estiagem. A previsão é de que os índices permaneçam dentro da normal climatológica.
De segunda-feira (30) até ontem, novas chuvas foram registradas no município. Segundo o coordenador da Defesa Civil, Everaldo Nunes, não houve ocorrências. “A equipe percorreu os pontos mais vulneráveis, porém não foi identificada nenhuma situação de risco”, informou. O órgão também destacou que não houve chamados na central de atendimento e que o monitoramento segue ativo para eventuais necessidades.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de abril de 2026.
