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Contas do lar: a batalha de administrar ganhos e gastos

por publicado: 03/06/2018 00h05 última modificação: 02/06/2018 12h38
Marcos Russo Primeiro conselho é sempre priorizar os gastos relacionados com a sobrevivência da família, além de controlar as contas na ponta do lápis

Primeiro conselho é sempre priorizar os gastos relacionados com a sobrevivência da família, além de controlar as contas na ponta do lápis


Lucas Campos

Especial para A União

Administrar o lar não é uma das atividades mais fáceis. Há inúmeras contas com as quais se preocupar, como água, luz, telefone, alimentação e escola dos filhos. Além disso, sempre existem aquelas contas extras, como uma roupa nova ou um brinquedo para as crianças. Para dar conta disso tudo e ainda conseguir evitar entrar no vermelho, é preciso saber quando e com o que gastar.

De acordo com o economista e planejador financeiro Rafael Bernardino, de forma geral, a família brasileira encontra-se muito endividada, especialmente a nordestina, que tem uma taxa de endividamento ainda maior do que a média nacional. Ele lamenta o fato da situação estar ruim e que não há no país a cultura da poupança, tudo por conta da falta de uma educação financeira que deveria vir da base.

Pensando nesse contexto, ele dá algumas dicas de como garantir um controle de orçamento eficiente. O primeiro conselho é sempre priorizar os gastos relacionados com a sobrevivência da família, como água e alimentação. “É preciso ter determinação para ter controle. Os controles podem ser feitos na ponta do lápis. O computador pode facilitar, mas é possível controlar anotando tudo no papel”, sugere, recomendando que seja anotado tudo aquilo que se ganha, assim como aquilo que se perde. Outro ponto importante é nunca gastar mais do que se ganha.

Para render o salário, Rafael sugere que se faça um orçamento e que haja organização para gastar, no máximo, 90% do salário. “O restante, ou seja, os 10%, precisa ser poupado. A poupança é necessária para garantir a existência de recursos para emergências e também porque a vida produtiva do indivíduo é limitada”, esclarece. Ele acrescenta que chega um momento em que fica bem mais difícil arranjar um trabalho e, por conta disso, é preciso haver uma reserva para completar o ganho da aposentadoria, que muitas vezes não é suficiente para garantir qualidade de vida.

Ele reforça, mais uma vez, que o procedimento correto deve ser ter organização e manter a determinação para garantir o controle do dinheiro. “Somente através do controle de orçamento será possível ter dinheiro no final do mês e evitar dívidas. Dívidas precisam ser evitadas porque sempre tem juros, e juros consome renda e salário e prejudica muito a saúde financeira da pessoa”, ensina Rafael.

Retomando a questão da educação, o economista pontua que a melhor maneira de ensinar para as crianças é com o exemplo. “Educação financeira é de responsabilidade dos pais. A escola deve ensinar português, matemática, etc. Mas educação financeira deve ser aprendida em casa com os pais e deve começar cedo”, defende. Ele sugere que logo que uma criança tiver condições de entender e fazer contas, é preciso ensiná-la a fazer as quatro operações básicas.

Ele também sugere que os pais mantenham a transparência com as crianças, explicando-as as razões do trabalho e a forma de ganhar dinheiro, assim como o valor que o dinheiro tem para o indivíduo e para a sociedade. Outra dica é que as crianças devem receber mesadas, mas com um fim educativo: “aproveitar a oportunidade para ensinar aos filhos a importância da poupança. Não deve dar mesada apenas para gastar e sim para gerir os recursos. Gastar e poupar”, conclui.

Donas de casa têm rotina de controle orçamentário

A jornalista Adrizzia Silva vive em Campina Grande com seu marido e com o filho de dez anos. Ela conta que é a responsável por administrar o dinheiro da casa. Ao fazer as contas, sempre se planeja dando prioridade às contas da casa. Ela admite que também tem um cartão de crédito, mas que o usa apenas para emergências e preocupa-se em pagá-lo rigorosamente em dia, a fim de evitar os juros.

Sobre a forma como decide organizar seus gastos, a jornalista revela que prefere o método clássico de organizar seu dinheiro. “Eu faço uma planilha manual mesmo. Anoto tudo que entra e sai num caderno. Nunca gasto mais do que recebo e se foge muito da base de gastos em um determinado mês, analiso no que andei gastando”, ressalta, acrescentando que sempre pondera o peso que um gasto tem no balanço do mês, se ele vale a pena e se é importante, a fim de impedir que um gasto desnecessário volte a ocorrer.

Para ela, o hábito de controlar o orçamento é extremamente importante. “Evito dívidas, dores de cabeça e ainda consigo poupar. Especialmente se traço algum objetivo, como alguma viagem, um presente para mim mesma ou meu filho”, explica. Adrizzia afirma que desenvolveu esse costume graças ao seu pai, que lhe dava uma pequena quantidade em dinheiro e lhe ensinava que deveria poupar. Hoje, ela se força para repassar o ensinamento ao seu filho, Arthur.

“Com o meu filho, dou uma mesada e explico com o que ele pode gastar e como fazer isso sem fugir do controle. Ele saber que faço o mesmo com a pensão que ele recebe do pai dele, afinal, como ele é menor de idade, sou eu que a administro”, conta a jornalista, sobre o exemplo que tenta dar ao filho.

Neuza Ramalho é servidora pública aposentada. Quando mais jovem, cuidou de cinco irmãos, então foi preciso amadurecer mais cedo e assumir para ela uma grande responsabilidade, especialmente no que dizia respeito ao dinheiro. Ela acredita que este processo foi fundamental para que aprendesse a administrar seus ganhos e é um conhecimento que ela carrega consigo até hoje.

Hoje, ela reside com os dois filhos, ambos adultos, e ainda é ela que gerencia o lar. “Eu dou prioridade às contas que eu entendo ser de suma importância, por exemplo, água, luz, plano de saúde, o dinheiro do vigia da rua, o dinheiro da secretária, gás, essas coisas que a gente precisa no dia a dia”, ressalta. Ela explica que, caso sobre algum dinheiro, se permite gastos pessoais, mas no geral, economiza.

Para ela, o grande motivo de continuar mantendo o controle no orçamento é a tranquilidade. “Porque eu sei que os meus compromissos estão assumidos, eu me deito sem pensar que no dia seguinte eu tenho uma conta de água atrasada. É saber que o mais importante está rigorosamente em dia e que eu estou tranquila comigo mesmo”, desenvolve. A aposentada também comenta que, caso o dinheiro fuja do seu controle, ela corta gastos que não são prioritários para manter aquilo que lhe traz conforto.

Ela admite que antes de se aposentar, fazia o controle financeiro em uma planilha no computador. Contudo, depois da aposentadoria, começou a usar uma agenda. “Nessa agenda, quando eu termino de pagar meu último compromisso do mês de maio, eu já abro ela para junho, lanço nela todas essas prioridades. Então eu vou pagando, vou tirando xerox dos recibos e vou botando um ‘PG’’ esclarece. Ela brinca dizendo que, sempre que sobra um extra e vê uma promoção, adora fazer compras, mas é algo que ela tanta não tornar hábito.

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