Notícias

em seis anos

Diabetes mata mais de 11 mil pessoas

publicado: 04/03/2026 08h41, última modificação: 04/03/2026 08h41
Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que quase 400 mil pessoas convivem com a doença na PB

por Mirvan Lúcio*

De janeiro de 2020 a dezembro de 2025, 11.254 mortes por diabetes mellitus foram contabilizadas na Paraíba, de acordo com um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). A informação está no relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), método de pesquisa utilizado pelo Ministério da Saúde (MS) para investigar dados sobre a saúde dos brasileiros, por meio de entrevistas feitas por telefone, fixo e móvel.

Segundo a SES-PB, atualmente 12,9% da população paraibana, com 20 anos ou mais, vivem com diabetes — um quantitativo de 392.002 pessoas diagnosticadas. Conforme os dados por gênero, 14,3% das mulheres paraibanas têm diabetes, somando 229.811 casos. Entre os homens, o número é menor. O levantamento aponta que 11,2% da população masculina no estado, que equivale a 160.351 paraibanos, têm diabetes.

Em um recorte de menos de duas décadas, o Brasil viu o número de pessoas diagnosticadas com diabetes aumentar 135%. A Vigitel analisou o crescimento dos casos de diabetes de 2006 a 2024, atualizando em dezembro de 2025.

A diabetes é uma doença crônica caracterizada pela incapacidade do pâncreas de produzir insulina em quantidade suficiente ou de utilizar esse hormônio de forma adequada. A insulina é responsável por permitir que o açúcar dos alimentos, chamado de “glicose”, saia da corrente sanguínea e penetre nas células em forma de energia. Em longo prazo, o acúmulo de glicose no sangue pode levar a complicações graves, como problemas cardíacos, danos à visão, doenças renais e amputação de membros. A doença pode ser classificada como tipos 1 e 2, além da diabetes gestacional, que se manifesta em mulheres grávidas.

Macário Cavalcante, de 67 anos, servidor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus Patos, convive com a diabetes há cerca de 20 anos. A princípio, não levou sua condição crônica a sério, até perceber o agravamento do seu estado de saúde. “Essa é uma doença silenciosa que muita gente não dá muita importância. Foi o meu caso. No começo, eu não dava importância, até perceber que, se não tiver cuidado, ela complica muito a nossa vida”, afirmou.

Para a médica Giovanna Lima, a aceitação do tratamento é fundamental. “Quando explicamos a doença, uma janela se abre na cabeça do paciente, ele entende por que aquilo está acontecendo e tende a focar no tratamento. A diabetes, assim como a hipertensão, é uma doença que não dá sinais a princípio, mas vai causando consequências no corpo que, no futuro, podem causar as chamadas ‘complicações da diabetes’”, explicou.

Complicações estas que Macário já sente. Após o comprometimento da visão, que o condicionou ao uso de óculos com sete graus de correção, decidiu seguir o tratamento conforme a prescrição profissional. Diariamente, toma duas aplicações de insulina e passou a cuidar da alimentação. Com visitas regulares ao médico, está atualmente realizando exames diários para monitoramento da glicemia, a fim de verificar a necessidade de adequação da medicação.

Fatores genéticos podem influenciar no desenvolvimento da doença. Macário, por exemplo, tem diversos casos na família. Mas esse fator não é determinante. “A diabetes tem dois pilares: a parte hereditária e o fator ambiente. Não é porque meu pai, meu irmão tem diabetes que eu vou ter também. Mas, se eu vivo em um ambiente saudável, pratico exercício físico, me alimento bem, tenho um sono regular e bons hábitos, isso faz com que eu tenha menos chances de desenvolver a doença”, explicou a médica.

Diabetes gestacional

A diabetes em grávidas manifesta-se devido ao bloqueio realizado pelos hormônios produzidos pela placenta. Esses hormônios são responsáveis pelo desenvolvimento do bebê, mas podem bloquear a ação da insulina. O pâncreas é induzido a produzir mais insulina, mas, quando esse esforço não é suficiente, o açúcar passa a acumular-se no sangue.

“Essa mãe tende a ter uma dificuldade da glicose entrar nas células do corpo, por conta do status da gravidez. Mas a diabetes gestacional não quer dizer que a mulher vai se tornar diabética para o resto da vida. É um fator de risco, mas não é determinante”, explicou Giovanna Lima.

Entre os agravantes para o bebê, a diabetes gestacional pode causar nascimento prematuro, predisposição ao desenvolvimento de obesidade e diabetes tipo 2. Já as mães podem apresentar risco de desenvolver hipertensão e um quadro de pré-eclâmpsia, além de uma maior probabilidade de necessitar do parto cesariana. O tratamento é feito com acompanhamento médico, monitoramento da glicose, adequação da alimentação e, em alguns casos, uso de insulina.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de março de 2026.