A Paraíba concentra 362 dos 4.881 óbitos por câncer de próstata registrados na Região Nordeste em 2024. Em todo o Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram registrados 17.258 óbitos por câncer de próstata em 2023 e 17.587, em 2024, representando um aumento de aproximadamente 2%.
A doença é a segunda principal causa de morte entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pulmão; apesar de não ter a maior mortalidade, trata-se do tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil. Cerca de 75% dos casos ocorrem em idosos com mais de 65 anos, embora a incidência entre mais jovens esteja aumentando. De acordo com o Ministério da Saúde, o número estimado de novos casos para o triênio 2023–2025 deve alcançar 215 mil, o que equivale a aproximadamente 71 mil diagnósticos por ano.
A maior incidência é esperada na Região Sudeste (77,9 casos por 100 mil homens), seguida do Nordeste (73,3), Centro-Oeste (61,6), Sul (57,2) e Norte (28,4). No entanto, as taxas de mortalidade são maiores no Norte e Nordeste, demonstrando um diagnóstico mais tardio nessas regiões.
Tabus
Apesar dos avanços em campanhas, muitos homens ainda resistem em procurar o médico. “Infelizmente, ainda existe um tabu muito forte. Muitos homens deixam de realizar exames simples e essenciais para detectar a doença, o que faz com que o diagnóstico aconteça em estágios mais avançados quando o tratamento é mais complexo e invasivo”, afirma o oncologista Michel Fabiano Alves, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
De acordo com o especialista, a detecção precoce aumenta em até 95% as chances de cura. “Entre os sinais de alerta, estão a dificuldade para urinar, jato fraco ou a necessidade de urinar várias vezes à noite. Caso surjam sintomas como sangue na urina ou no sêmen, dor pélvica, nas costas ou nos quadris, perda de peso, cansaço excessivo e fraqueza nas pernas, é essencial procurar atendimento médico imediatamente”, orienta Michel.
O médico reforça que os exames são simples e podem salvar vidas. “O exame de sangue de PSA [Antígeno Prostático Específico] a partir dos 45 a 50 anos e a consulta regular com o urologista são os primeiros passos, especialmente entre aqueles que não apresentam nenhum sintoma. Agora, quando há alterações, são necessários exames complementares, como a biópsia guiada por ultrassom ou ressonância magnética, para ajudar a confirmar o diagnóstico”, complementa.
Tratamento no SUS
De acordo com informações do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, em 2024, quase 38 mil cirurgias de câncer de próstata. Isso representa um aumento de 10,9% referente a 2023, quando foram registradas 34.176.
“O tratamento depende do estágio da doença. Quando o câncer é descoberto na fase inicial, a cirurgia ou a radioterapia isolada costumam ser suficientes. À medida que a doença é diagnosticada de forma mais avançada, torna-se necessário associar outras ferramentas terapêuticas que causam mais toxicidades, como hormonioterapia e quimioterapia. Quanto mais avançado, mais difícil é o tratamento e menores são as chances de cura da doença. É preciso analisar caso a caso com uma equipe multidisciplinar para definir o tratamento mais adequado a cada paciente”, pontua o médico.
Confira o número de óbitos por câncer de próstata nos estados do Nordeste, em 2024:
- Bahia — 1.561;
- Pernambuco — 880;
- Ceará — 685;
- Maranhão — 401;
- Paraíba — 362;
- Rio Grande do Norte — 298;
- Piauí — 285;
- Alagoas — 212;
- Sergipe — 197.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de novembro de 2025.