Um caso de suposta negligência médica no Hospital da Criança e do Adolescente de Campina Grande (HCA-CG) foi denunciado, nesta semana, pela família de uma menina de um ano e seis meses. A criança deu entrada na unidade com sintomas gripais e, após receber alta duas vezes, retornou convulsionando. Diante da gravidade, foi entubada e transferida para o Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, no mesmo município, onde permanece internada em estado gravíssimo, com edema cerebral. A Secretaria Municipal de Saúde informou que abriu sindicância interna para apurar o caso.
Segundo o tio da menina, Alisson Balbino, técnico de Enfermagem, a primeira ida ao HCA-CG ocorreu na sexta-feira (20), quando a criança apresentava sintomas gripais. Ele relata que, desde esse momento, o atendimento teria sido inadequado. “A triagem atendeu mal, disse à minha irmã coisas que não existem na área da saúde. Afirmaram que ela era ‘mãe de primeira viagem, ‘barriga verde’, e orientaram que levasse a criança para casa e desse dipirona, dizendo que ali não era o local”, relata. Para Alisson, essa foi a primeira negligência, pois acredita que uma intervenção precoce poderia ter evitado o agravamento do quadro.
Na segunda-feira (23), à noite, a criança voltou à unidade com vômitos e leve dificuldade respiratória. De acordo com o familiar, o médico de plantão prescreveu soro, medicação e lavagem nasal, sem solicitar exames ou indicar internação. Após isso, “mandou para casa”, conta o tio na menina.
Na madrugada de terça- -feira (24), a paciente retornou novamente ao hospital, na ocasião, apresentando um quadro mais grave de convulsão. Foi levada à ala vermelha, entubada e, no fim da manhã, transferida para o Hospital de Trauma.
Segundo a médica Noadja Cardoso, que trabalha na unidade de referência, a paciente já chegou em estado extremamente grave. “Ela deu entrada por volta do meio-dia de terça-feira em ventilação mecânica e com estado geral gravíssimo. A tomografia constatou um edema cerebral muito grande o que explica o quadro atual. Está com sinais vitais mantidos por medicação e ainda não é possível falar em prognóstico”, explicou.
O médico Caio Guimarães informou que a criança segue internada em um leito da unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica, com quadro neurológico inalterado. “Serão realizados novos exames tomográficos para reavaliação”, disse.
A família acompanha a situação com apreensão. “Ela é a alegria da casa, da família. Estamos dilacerados, sem chão, pedindo forças a Deus e esperando um milagre”, lamentou o tio.
Prefeitura
Procurado, o HCA-CG informou que os esclarecimentos seriam feitos pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande (SMS-CG). Em nota, a pasta manifestou solidariedade à família e afirmou que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir o melhor atendimento à criança.
A secretaria também confirmou a abertura de uma sindicância interna, ainda na terça-feira, para apurar os fatos. “Após a conclusão, todas as providências cabíveis serão tomadas para assegurar a devida responsabilização, com transparência, seriedade e compromisso com a população”, diz o texto.
Um ano atrás
O caso ganhou repercussão na mesma semana em que completa um ano de outra denúncia de suposta negligência médica em Campina Grande. Trata-se da morte de um bebê durante o parto de Maria Danielle Cristina Morais, na Maternidade Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea). A mãe, que teve o útero retirado durante o procedimento, morreu cerca de um mês depois, após dar entrada no Hospital Pedro I com sinais de um possível acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. O inquérito policial que investiga o caso ainda não foi concluído.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de março de 2026.