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fenômeno no brejo

Festival exalta versatilidade do umbu

publicado: 12/03/2026 08h45, última modificação: 12/03/2026 08h45
Dona Inês sedia evento para destacar o valor cultural e econômico da cadeia produtiva local em torno da fruta
Aula-show - Divulgação Prefeitura de Dona Inês.JPG

Programação, realizada de 26 a 29 de março, contará com palestras, oficinas, aulas-show e apresentações culturais | Foto: Divulgação/Prefeitura de Dona Inês

por Camila Monteiro*

Unindo gastronomia, cultura, desenvolvimento sustentável e ecoturismo, o município de Dona Inês, situado no Brejo paraibano, sedia, de 26 a 29 de março, a segunda edição do Festival do Umbu. A iniciativa pretende colocar a cidade na rota do turismo gastronômico nacional, destacando a versatilidade da fruta que dá nome ao evento.

Com expectativa de público de 1.200 pessoas, a Prefeitura Municipal pretende reunir, durante os quatro dias de atividades, produtores e agricultores rurais, além de moradores da região, turistas e investidores interessados em conhecer a produção local do fruto e seus usos variados.

Para a secretária de Turismo de Dona Inês, Iêda Nascimento, investir na cadeia produtiva do umbu na cidade não apenas gera renda e qualifica a população, como também preserva a cultura local e protege o meio ambiente. “O festival é um convite para saborear a resistência do Sertão e testemunhar a transformação de um município que, com criatividade e união, faz do umbu o seu maior tesouro”, salientou.

O evento é a culminância de um trabalho coletivo que envolve a gestão municipal, o Instituto Curimataú, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do estado (IFPB), o Banco do Nordeste (BNB), a Rede Umbu Nordeste e a Associação Criativa, Cultural e Turística de Dona Inês (Acricutudi). “O objetivo central é promover a verticalização da produção, incentivando o beneficiamento do fruto e a organização dos produtores em cooperativas”, detalhou a secretária.

Agenda

A programação do festival — que inclui atividades no Ginásio José Eugênio e em outros pontos turísticos da cidade — foi pensada a partir de três eixos principais: gastronômico, cultural e técnico.

Na vertente gastronômica, o evento busca demonstrar, na prática, a versatilidade do umbu, ensinando técnicas de beneficiamento e oferecendo, inclusive, aulas-show com chefs convidados. Segundo Iêda, a criação de uma identidade culinária própria para Dona Inês, baseada em pratos autorais à base da fruta, é uma das grandes apostas para impulsionar o turismo na localidade.

Já a agenda técnica do festival é voltada para a capacitação de agricultores, comerciantes e estudantes, por meio de seminários, palestras e oficinas sobre manejo sustentável, boas práticas de fabricação e empreendedorismo. De acordo com a representante municipal, um dos destaques será o painel sobre o case de sucesso da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), da Bahia, que deverá servir de inspiração para o fortalecimento do cooperativismo local. Além disso, rodadas de negócios pretendem conectar produtores a instituições financeiras e compradores, abrindo portas para novos mercados.

No eixo cultural, o evento oferecerá atrações diversas no período noturno, como shows de nomes como Laís Santos, Tinho e Neco Lobão, além de interpretações de poesia com o artista Lukete. Haverá, ainda, espaço para a valorização das comunidades tradicionais, com a oferta do café quilombola na comunidade Cruz da Menina.

Para o encerramento do festival, os organizadores preparam ações de turismo sustentável voltadas ao público, incluindo um passeio pelas trilhas das cachoeiras Letreiro e Barrocão, seguidas de um almoço no Restaurante Rancho Gomes, ao som de um autêntico trio de forró pé de serra.

“Árvore sagrada”

O umbuzeiro (Spondias tuberosa), carinhosamente batizado pelo escritor Euclides da Cunha como a “árvore sagrada do Sertão”, é um verdadeiro símbolo de adaptação. Capaz de armazenar milhares de litros de água em suas raízes, para sobreviver aos longos períodos de estiagem, a árvore oferece um fruto de sabor único, agridoce e refrescante, que sustenta, há gerações, famílias agricultoras da região de Dona Inês.

“A alta perecibilidade e a sazonalidade do umbu sempre representaram desafios para o aproveitamento econômico pleno dessa riqueza natural. É exatamente para superar esses obstáculos que o Festival do Umbu foi idealizado”, finalizou a secretária de Turismo da cidade.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de março de 2026.