Bebês com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) precisam consumir uma fórmula específica para substituir o leite em pó tradicional. Nessa etapa do desenvolvimento, o que supre as necessidades nutricionais é a fórmula Neocate LCP, fonte alimentar única para crianças com menos de um ano de idade. Em João Pessoa, ela é distribuída pelas farmácias especializadas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-JP), mas, desde o dia 6 deste mês, os pais que comparecem aos estabelecimentos responsáveis pela entrega voltam com as mãos vazias.
Mesmo após diversas viagens, a resposta permanece a mesma: não há estoque. É o que revela Camila Duarte, mãe do pequeno Matteo, de quatro meses. “A farmácia da prefeitura só informa que toda sexta há reposição da fórmula e que nós temos que esperar que ela chegue. Estou tendo que comprar a lata por conta própria, que custa R$ 307. Ele toma, em média, três latas e meia por semana, e já tive que comprar seis neste mês”, conta.
Matteo foi diagnosticado com APLV quando ainda estava com dois meses e meio. Caso entre em contato com o leite de vaca, o recém-nascido apresenta alterações de humor e sintomas como cólica, dermatite, diarreia, muco e sangue nas fezes. Isso também interfere no bem-estar de Camila, aflita com o risco de não conseguir assegurar o alimento do filho.
“Meu emocional fica super abalado, com medo que falte a alimentação dele, que é essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento. Estou comprometendo o meu orçamento do mês e tirando dinheiro das minhas economias para comprar o leite, para não faltar o alimento do meu filho. Espero um posicionamento da prefeitura para informar quando será regularizada essa situação, porque, quando você chega [na farmácia], eles não informam nada, só falam que temos que ir toda sexta para saber se chegou a reposição”, afirma.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a APLV é a mais comum apresentação das alergias alimentares que ocorrem na infância precoce. O organismo de crianças com essa doença reconhece as proteínas do leite da vaca como corpos estranhos, ao contrário do que acontece na intolerância à lactose, que consiste na má digestão do açúcar do leite. A maioria dos casos é temporária, mas exige atenção para prevenir complicações mais graves, conforme explica a gastropediatra Adriana Adriana Benavides, integrante do Departamento Científico de Gastroenterologia da SBP.
“À medida que a criança cresce, na maioria das vezes, ela vai deixar de ser alérgica. Mas quais os riscos para as crianças que não seguem a dieta corretamente, por exemplo? É não ganhar peso. É um paciente, uma criança, que pode ter uma anemia porque continua a sangrar, que pode ter lesões na pele. Em geral, é não conseguir melhorar os sintomas que a fizeram procurar assistência médica. A fórmula é essencial porque os bebês, de dois a seis meses, consomem especificamente esse alimento. Se esse paciente não receber a fórmula, o quadro pode evoluir para desnutrição”, alerta.
Diante de um diagnóstico de APLV, famílias com laudos médicos que comprovem a condição devem receber gratuitamente a fórmula. “O mais importante e essencial para uma criança que tem sintomas, que fecha o diagnóstico de APLV, é manter um seguimento contínuo. Durante o período que for necessário, ela também vai usar a fórmula adequada para APLV, adequada ao quadro dela. O acompanhamento deve ser constante, até porque, na maioria das vezes, a alergia vai passar e a criança não vai precisar usar mais essa fórmula especial”, reforça.
Denúncias
Essa não é a primeira vez que uma alegação do tipo surge. Em janeiro deste ano, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) realizou uma audiência para tratar da interrupção no fornecimento de fórmulas especiais para crianças com APLV em João Pessoa. Na reunião, a SMS-
-JP comprometeu-se a regularizar o serviço e a instalar o Centro de Referência em APLV no Hospital Municipal do Valentina, que foi inaugurado em fevereiro.
Segundo as denúncias dos familiares presentes, a suspensão da distribuição é recorrente e os estoques, quando repostos, são insuficientes para a demanda. Os pais também acusaram o município de não respeitar o receituário médico e exigir novos laudos a cada três meses, sem garantir a entrega retroativa do que não foi fornecido. Na época, a SMS-JP informou que o fornecimento segue protocolos do Ministério da Saúde e que houve falhas burocráticas na licitação por parte do fornecedor.
O jornal A União entrou em contato com a secretaria, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Cidades e tipos
O município com a maior frota é João Pessoa. Compõem o fluxo da capital 501.300 unidades automotivas. Em segundo lugar, está Campina Grande, com 237.280 transportes. O ranking das cinco cidades com mais veículos nas ruas segue com Patos, contabilizando 67.312 registros; Santa Rita, com um contingente de 56.684 veículos; Cajazeiras, por onde circulam 43.148 automóveis.
Dos 223 municípios paraibanos, o lugar com a menor frota é São José de Brejo do Cruz. De acordo com o último Censo do IBGE, a cidade contabiliza 1.699 habitantes, enquanto, na contagem do Detran-PB, o local possui apenas 352 registros automotivos, o que representa uma média de um carro para cada cinco moradores.
Quando considerado os tipos de veículos, as motocicletas, motonetas e ciclomotores são maioria. Circulam, na Paraíba, 862.410 transportes de duas e três rodas. Para o superintendente do Detran--PB, isso reflete “uma mudança cultural”, relacionada a um fenômeno também observado em outros estados do Nordeste. “É uma transferência dos veículos, que antes eram de tração animal ou bicicletas, para as motocicletas”, justificou Gualberto.
Em segundo lugar nos tipos de veículos, estão os carros, com 672.867 registros. O ranking é seguido das caminhonetes e camionetas, que somam 163.279 cadastros no Detran-PB.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de maio de 2026.