O Carnaval está chegando e é comum que pessoas solteiras aproveitem os bloquinhos e festas para paquerar. O sexo casual pode acabar acontecendo, mas, no que depender das equipes do Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa, não será sem proteção. Nos dias 6, 8 e 11 de fevereiro, ocorre a 13a edição do Clementino Folia, ação formada por profissionais do hospital, na qual os agentes distribuem preservativos, lubrificantes e materiais educativos aos foliões. A previsão é que sejam distribuídos 90 mil preservativos, por dia, nos blocos de rua. A ação também segue de forma permanente em todas as unidades de saúde.
De acordo com a médica infectologista Júlia Chaves, as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns são HIV, hepatite B, hepatite C, sífilis e HPV, sendo as formas de prevenção variadas. A camisinha, porém, é a única que previne contra todas.
A médica ressaltou que, desde o ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a distribuir dois novos tipos de preservativo: um mais fino, que ajuda a manter a sensibilidade, e outro texturizado, modelo que, segundo a especialista, “o pessoal está sendo muito adepto; estão gostando bastante”.
Para Júlia Chaves, a novidade surge como uma aliada no estímulo à prevenção de ISTs, inclusive entre pessoas idosas. Segundo ela, o número de idosos com HIV quase dobrou, reflexo de uma população que vive mais e com melhor qualidade de vida. “Os 60 anos de hoje não são os mesmos de 30 anos atrás. Muitos mantêm uma vida sexual ativa, mas ainda enfrentam preconceito em relação ao uso do preservativo. Por isso, é importante divulgar que existe a opção mais fininha”, comentou.
Além dos novos tipos de camisinha, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) continua distribuindo o preservativo comum, o feminino e os lubrificantes, além de testes rápidos para HIV. A médica destacou que o kit de teste rápido pode ser realizado pelo próprio paciente em sua residência. “Às vezes, a pessoa tem vergonha de fazer o teste na unidade de saúde, ou o marido não quer ir fazer, então ela pode levar para casa e, em 30 minutos, tem o resultado”. Ela fez questão de lembrar também que o resultado positivo não é uma sentença de morte. “Paciente com HIV hoje, que toma medicação, tem uma vida normal em todos os sentidos. Com exceção de doar sangue, doar órgãos e amamentar, o resto é vida normal para tudo”.
Profilaxias
Além da camisinha, uma opção para prevenir HIV é a profilaxia pré-exposição, ou PrEP, como é mais conhecida. Trata-se de um medicamento oral que protege contra o vírus, disponível gratuitamente pelo SUS. “Antigamente só usava a PrEP quem era de grupo de risco. Por exemplo, profissional do sexo, homossexual. Sabemos, no entanto, que não precisa ser desse grupo para estar vulnerável. Qualquer pessoa que se expuser, sem preservativo, pode se contaminar”. Outras ISTs, como hepatite B e HPV, possuem vacinas, embora esta última não esteja disponível para todas as faixas etárias.
Além da PrEP, o SUS também disponibiliza a profilaxia pós-exposição (PEP), indicada para uso após relações sexuais sem proteção, com o objetivo de evitar a contaminação pelo HIV. O tratamento consiste na ingestão de dois comprimidos, uma vez ao dia, durante 28 dias, e deve ser iniciado em até 72 horas após a exposição.
De acordo com Júlia Chaves, a procura pela PEP costuma aumentar no período carnavalesco. Ela destacou ainda que o Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa, funciona 24 horas. “Se a pessoa se expuser, pode procurar a unidade, onde haverá atendimento imediato, considerado de urgência”, afirmou.
Júlia lembrou que também existe PEP para hepatite B e sífilis. “Uma coisa que o pessoal esquece é a sífilis, que é uma IST bem silenciosa e que está aumentando não só no Brasil, mas no mundo todo. A transmissão é sexual, lembrando que, se tiver feridinha na boca, pode contrair também, não é tão comum, mas pode. Então, é uma doença que faz mancha na região genital ou oral, que três a quatro semanas depois some. E é uma doença silenciosa, então a pessoa pode transmitir sem nem saber que tem”, comentou.
“É uma doença que pode causar aborto, má-formação. É uma doença séria que, na pessoa adulta, não tem tanta repercussão de imediato. Com o passar dos anos, realmente pode ter complicações graves, pode atingir o sistema nervoso central, dar cefaleia, convulsão”, completou.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de fevereiro de 2026.