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preservação de espécies

Museu Vivo Répteis da Caatinga abriga mais de 400 animais

publicado: 26/05/2026 09h16, última modificação: 26/05/2026 09h16
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Entre as espécies do zoológico particular, estão cobras, jacarés e tartarugas | Fotos: Silvaney Medeiros/Arquivo pessoal

por Samantha Pimentel*

Um lugar que abriga jacarés, cobras, lagartos, aranhas, escorpiões e outros bichos. Esse é o Museu Vivo Répteis da Caatinga, localizado no Sítio Grotão, município de Puxinanã, no Agreste paraibano. O local conta com cerca de 430 animais e existe há 24 anos. Entre os espécimes, está uma cobra píton-reticulada, espécie exótica, vinda da Ásia. Pesando cerca de 107 kg e quase 7 m de comprimento, ela é a maior serpente do Brasil sob cuidados humanos. Outros moradores ilustres são o casal de jacarés, antes residentes do Açude Velho, em Campina Grande, Jack e Jéssica, os mais antigos do local. Recebendo visitações de domingo a domingo, todas elas guiadas por equipes do museu, o espaço também realiza atividades de educação ambiental e participa de feiras e eventos.

O zoológico foi criado em 2002, fruto do encantamento do idealizador e administrador do local, Silvaney Medeiros, que conta que, desde criança, gostava de répteis e queria aprender mais sobre esses animais. “Fui um menino trabalhoso com os pais, levando cobra para casa, levando lagartixa, essas coisas”, relembra. Em 1999, durante uma viagem de trabalho a São Paulo, ele teve a oportunidade de conhecer o Instituto Butantan e, a partir daí, surgiu a ideia do que hoje é o Museu Vivo Répteis da Caatinga. “No dia que eu visitei, foi junto com uma escola que estava chegando na hora. Então, eu vivenciei aquela experiência de imersão, daqueles alunos conhecendo o Museu dos Répteis. Então, como sempre tive essa veia empreendedora, eu disse que iria montar um negócio desse lá em Campina Grande, que iria trabalhar com isso”, destaca. 

Com o espaço criado, Silvaney se mudou da zona urbana da Rainha da Borborema e foi morar próximo ao museu, onde reside desde então, acompanhando o espaço de perto, todos os dias. Além dele, uma equipe de cerca de 35 pessoas atua no local. “Hoje nós temos 27 estagiários, que são dos cursos de Biologia, Zootecnia ou Veterinária. Eles desenvolvem os estágios aqui. Uma grande parte faz o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) aqui mesmo, além de cinco pessoas fixas, mais dois responsáveis técnicos, um biólogo e um veterinário”, afirma. Ele também explica como funciona a rotina no local: “O manejo é diferente, porque são animais diferentes dos animais convencionais. As cobras não comem todos os dias, não bebem água todos os dias, por exemplo. Por isso que a gente consegue manter tanto bicho, mais de 400 animais, porque eles não são trabalhosos como outros bichos. Então, tem um cronograma, hoje a gente cuida só dos peçonhentos, amanhã a gente cuida só das cobras grandes, e vai fazendo esse intercalado”, explica.

Sobre a origem dos animais, grande parte dos que estão no museu nasceu no local a partir da reprodução natural de animais que chegaram ali por meio de órgãos de proteção. “Eles vieram de resgate, dos órgãos ambientais, como o Ibama e a Polícia Ambiental, além daqueles que são apreendidos em cativeiros ilegais que são descobertos. E aí há uma ação do órgão ambiental e esses animais são destinados para empreendimentos licenciados, como o nosso. Os animais que são destinados para cá, não somos nós que decidimos se ele vem para cá ou se ele é solto de volta na natureza. Quem decide isso é o Centro de Triagem de Animais Silvestres”, pontua ele, explicando ainda que os animais passam por uma avaliação, e os profissionais decidem se ele tem ou não condições de voltar ao seu hábitat natural.

Para Silvaney, o papel de locais como esses — embora sejam atacados em muitos casos — é de grande importância, trabalhando com pilares como a pesquisa, educação ambiental e conservação. “A gente consegue reproduzir inúmeras espécies que são ameaçadas, e a gente tem um banco genético aqui, uma segurança, caso a natureza precise repor, nós temos isso para disponibilizar para programas de conservação. Isso é um papel importante também que o zoológico desenvolve”, ressalta. Nesse viés educativo, além das visitações, o museu também promove palestras e desloca parte de seu acervo de animais para exposição em eventos e atividades, como o que costuma acontecer todos os anos, durante o mês de junho, na Vila Sítio São João, em Campina Grande. “A gente leva para escolas uma palestra com mostruário de animais. E, principalmente, participamos das feiras de agronegócio. Tem um circuito aqui, na Paraíba, nas cidades menores, e a gente participa, inclusive de eventos de fora do estado, o que gera também uma receita que ajuda para que possamos nos manter”, ressalta, comentando que o local é 100% privado e funciona sem recursos públicos.

Visitação

Para quem quiser conhecer o local, de segunda a sábado, é preciso agendar visitas. A entrada tem taxas fixas de R$ 30 para adultos e R$ 15 para crianças, de seis a 12 anos — abaixo dessa faixa etária o pagamento desse valor é isento. Aos domingos, quando o museu é aberto ao público sem a necessidade de agendamento, os ingressos são R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia--entrada). Escolas e grupos também precisam agendar a ida previamente, e o espaço comporta até 100 pessoas de forma simultânea. As visitas guiadas são separadas por setores: serpentes brasileiras, serpentes exóticas, serpentes peçonhentas, grandes serpentes, lagartos, aranhas e escorpiões, tartarugas e jacarés.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de maio de 2026.