Notícias

ação integrada

Operação cumpre 60 mandados

publicado: 13/05/2026 09h00, última modificação: 13/05/2026 09h00
Investigação apura a atuação de grupo criminoso envolvido com tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo
Operação Integrada Ficco - Divulgação PF (2).jpeg

Ficco-PB é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Senappen, Sesds-PB e Seap-PB | Foto: Divulgação/PF

por Camila Monteiro*

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (Ficco-PB) cumpriu 60 mandados no estado, durante a operação Trapiche, deflagrada na manhã de ontem (12). A ação é uma etapa da operação Força Integrada II, iniciativa nacional, que aconteceu de maneira simultânea em 14 estados, por meio de suas respectivas Ficcos, com o objetivo de combater o crime organizado.

Na Paraíba, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão, 20 de prisão preventiva e sete medidas de bloqueio e sequestro de bens, expedidos pelo Poder Judiciário. As investigações apuram a atuação de grupo criminoso na região central de João Pessoa, envolvendo os crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas de fogo, lavagem de capitais, dentre outros.

A empreitada concentrou--se na comunidade Porto do Capim, no bairro do Varadouro, mas houve um cumprimento de mandado no bairro dos Bancários. Também foram presos indivíduos na Região Metropolitana, em Bayeux e em Santa Rita.

Até o momento, a operação registrou 19 prisões, além da apreensão de dois veículos — um Jeep Compass e uma motocicleta —, R$ 30 mil em espécie, grande quantidade de cocaína e três armas de fogo, incluindo um fuzil e mil munições de fuzil.

Todos os detidos têm participação ativa no crime organizado, explicou o subcomandante da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), Douglas Ferreira. “São pessoas já conhecidas das polícias. Por isso é importante tirá-las de circulação”, afirmou. Ele ainda destacou que o principal objetivo da ação é reforçar a sensação de segurança da população paraibana.

Segundo o delegado da Polícia Civil da Paraíba (PCPB) Aldrovilli Grisi, as investigações tiveram início há cerca de quatro meses. Ele explicou também que o nome da operação, “Trapiche” — estrutura de madeira construída sobre a água usada para atracação de barcos em áreas ribeirinhas e pesqueiras —, foi dado por fazer referência à localidade alvo da operação. “A região do Porto do Capim, Baixo Roger, Centro, é dominada por um conselheiro de uma facção estadual do estado, denominada ‘Okaida’. Essa liderança se encontra na penitenciária de segurança máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, e, de lá, orquestrava os crimes e repassava as ordens para os seus subordinados”.

As apurações apontam que a facção possui uma estrutura organizada, composta por presidência, conselheiros, gerentes, soldados, aviões e fogueteiros. “Nós acreditamos que nenhum homicídio ocorre sem que ele tenha conhecimento e autorize. Isso é uma característica específica da hierarquia posta na facção. As investigações mostram que esses grupos funcionam dessa forma, toda uma estrutura ordenada para que a informação desça e se espalhe nas ruas”, detalhou Aldrovilli Grisi.

O combate ao crime organizado tem sido prioridade para o estado. Para o delegado da PCPB, essa linha de investigação baseada na inteligência, juntamente com o uso de recursos humanos operacionais diferenciados, é essencial para a repressão qualificada do crime organizado. “Aqui, na Paraíba, nós ainda temos uma relativa sensação de segurança extremamente positiva quando comparado com o restante dos estados que nos circundam”.

Ficco

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) foi criada com base no conceito de força-tarefa e tem como objetivo fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas por meio da atuação conjunta das instituições de segurança pública.

A Ficco-PB é uma força de atuação integrada composta pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba (Sesds-PB) e Secretaria de Estado da Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB), em modelo de cooperação técnica e operacional coordenado pela Polícia Federal, sem hierarquia entre as forças participantes. A Ficco está presente em todos os estados da Federação e no Distrito Federal. Atualmente, 39 unidades atuam em diferentes regiões do país.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 13 de maio de 2026.