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Pesquisa mapeará produção rural

publicado: 22/10/2026 09h08, última modificação: 22/10/2026 09h08
Etapa presencial do levantamento será feita em 2027, com 28 municípios paraibanos sediando polos de coleta
2026.10.21 Censo agropecuário IBGE © Leonardo Ariel (9).JPG

Espera-se superar em 22% a marca de 2017 de 170 mil propriedades rurais, segundo exposto, ontem, no evento de lançamento | Foto: Leonardo Ariel

por Marisa Rocha*

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou oficialmente, ontem (21), em João Pessoa, o 12o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola (Cafa) na Paraíba. A divulgação, que contou com a presença de representantes de diversas instituições do setor, faz parte de uma série de reuniões censitárias promovidas pelo IBGE para apresentar à sociedade os objetivos e os procedimentos da pesquisa.

Para realizar o levantamento, o órgão contará com 677 recenseadores, que percorrerão todos os estabelecimentos agropecuários do Brasil, a fim de reunir informações sobre produção, comercialização, estrutura fundiária e condições de trabalho no campo. Na Paraíba, as sedes dos polos de coleta estarão distribuídas por 28 municípios, onde o IBGE realizou encontros anteriores à reunião de lançamento na capital.

Segundo Fernando Lins, coordenador operacional do Cafa na Paraíba, a divulgação prévia da pesquisa integra o planejamento do IBGE para garantir transparência e esclarecer a sociedade sobre como será realizada a operação. Ele destacou que os dados também poderão orientar decisões de instituições públicas e privadas, incluindo iniciativas de financiamento e projetos voltados à área rural. “Essas informações são fundamentais para que as instituições possam direcionar seus trabalhos”, declarou.

O último Censo Agropecuário foi realizado em 2017, quando o IBGE visitou aproximadamente 170 mil propriedades rurais na Paraíba. Para a nova edição, a expectativa é o aumento de cerca de 22% desse quantitativo. “Temos aí um intervalo de 10 anos de alteração na estrutura, na conjuntura agropecuária, que vamos ter condição de levantar por meio dessa pesquisa”, afirmou a coordenadora técnica do Censo Agropecuário, Fernanda Teixeira, destacando a importância de reunir dados sobre investimentos e receitas dos estabelecimentos.

Fernanda ainda reforçou que o Censo Agropecuário permitirá reunir informações sobre a distribuição espacial das atividades rurais, com dados que poderão ser relacionados a registros administrativos e à delimitação de áreas de produção. Além disso, os resultados terão relevância para a produção de indicadores econômicos, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB), e para a elaboração de medidas que atendam às particularidades das diferentes regiões paraibanas. “A partir dessas informações, pode-se fazer uma prospecção e entender quais são os lugares onde se pode estabelecer empresas novas, enfim, toda uma rede de comércio voltada para as questões do consumo da agropecuária”, explicou.

A coordenadora técnica também ressaltou que o levantamento exige uma varredura completa do território estadual, o que depende tanto das condições de acesso às propriedades quanto da colaboração dos produtores e das instituições locais. “Em uma pesquisa de campo, a gente se depara com uma ou outra recusa [em responder os questionários], mas o nosso trabalho é justamente dizer para a sociedade o quanto esse dado é importante, o quanto essa informação estatística vai reverter em política pública para a própria sociedade”, defendeu.

Ela pontuou que a experiência acumulada pelo IBGE em pesquisas anteriores e a articulação com prefeituras, instituições de pesquisa e outros parceiros devem contribuir para superar essas dificuldades. A participação dos agricultores, sobretudo no fornecimento correto das informações, será decisiva para a qualidade dos resultados.

O superintendente do IBGE na Paraíba, Roberto Salgado Beato, esclareceu que o trabalho permitirá conhecer as características dos estabelecimentos e as necessidades dos produtores rurais, oferecendo subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas ao setor. “Vamos buscar informações sobre a produção, as características do proprietário rural e as necessidades, tudo o que envolve a temática agropecuária”, comentou.

De acordo com Roberto, a coleta terá uma etapa inicial ainda neste ano, com a modalidade especial e a coleta web, direcionadas principalmente aos grandes produtores, que poderão iniciar o preenchimento dos questionários. “A coleta presencial começa realmente a partir de junho do ano que vem, com os recenseadores entrando em campo para percorrer estabelecimento por estabelecimento”, revelou.

A expectativa de ampliar o conhecimento sobre as atividades do campo também abrange os setores da pesca. Para Inácio Machado, superintendente federal da Aquicultura e Pesca na Paraíba, o levantamento ajudará a identificar os profissionais que atuam nessas áreas e a orientar políticas públicas específicas. “É de suma importância, tanto para a pesca artesanal, como a pesca industrial, quanto também para os aquicultores do nosso estado”, frisou.

Participação das mulheres

Além de atualizar as informações sobre a produção agropecuária paraibana, o levantamento dará atenção especial à participação das mulheres na condução das atividades rurais e à presença de povos e comunidades tradicionais. “Vamos utilizar questionários específicos para esses grupos, nas áreas já identificadas e em outras que poderão surgir durante a coleta”, declarou Fernanda Teixeira.

Para a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Vanda Menezes, os dados poderão contribuir para dar visibilidade à atuação das mulheres no campo, especialmente na agricultura familiar, e ao crescimento do número de mulheres que chefiam famílias e são proprietárias de terras.

A secretária ressaltou que o acesso à propriedade rural também está relacionado à autonomia e à ocupação de espaços relevantes pelas mulheres. “O censo nos dá detalhes importantes para que a gente continue avançando no que diz respeito às mulheres estarem em espaços de poder, porque propriedade é poder”, apontou.

Procedimento seguro

Fernanda Teixeira reforça que os recenseadores estarão identificados com crachá, colete e bolsa do IBGE ao visitar os estabelecimentos rurais. Caso o produtor ou outra pessoa responsável pelo local tenha dúvidas sobre a identidade do profissional, poderá entrar em contato com o instituto pelo telefone 0800 721 8181, para confirmar se ele está autorizado a realizar a entrevista.

O canal também está disponível para esclarecer dúvidas sobre os questionários e os procedimentos da pesquisa. O atendimento funciona de segunda-feira a domingo, das 8h às 21h30.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de outubro de 2026.