No cotidiano acelerado das cidades, os espaços de convivência pública são essenciais para a criação e o fortalecimento de um senso de comunidade, promovendo integração social, sensação de pertencimento e bem-estar físico e mental. Por isso, a manutenção desses espaços, garantindo infraestrutura e segurança, pode ser convertida em melhora na qualidade de vida e até mesmo em estímulo à economia local. Em João Pessoa, moradores demonstram interesse em passar mais tempo nesses espaços, mas identificam necessidade de revitalização para que possam, efetivamente, ocupá-los.
Para Laura Moura, de 19 anos, o Parque Solon de Lucena, também conhecido como “Parque da Lagoa”, é sempre uma opção para passar um tempo ao ar livre com os amigos. No entanto, a cada passeio, o grupo comenta a deterioração de diversas estruturas. “Alguns dos meus amigos, por exemplo, andam de skate e, quando vamos até a pista, vemos a grade quebrada em vários pontos. Os balanços também estão assim, alguns nem dá para usar. Nesse sentido, a gente prefere a estrutura do Parque das Três Ruas, já que é mais recente”, ela aponta e manifesta o desejo de que os ambientes sejam preservados, a fim de continuar atraindo e recebendo pessoas.
Segundo Laura, o receio é que o desgaste de parques e praças não seja visto com a devida atenção. Ela acredita que reformas são fundamentais para permitir que as pessoas continuem procurando essas áreas para interação, lazer e tempo de qualidade, fora de casa e em maior contato com a natureza. “Gostamos muito da localização da Lagoa, que é central. Lanchamos por aqui, conversamos e, quando queremos ir para outro lugar, sabemos que tem várias opções diferentes por perto, de cafeteria a livraria, a loja de discos e atrações musicais. Mas a Lagoa é um cartão-postal de João Pessoa, e a gente sempre pensa que a estrutura podia ser melhor, mais limpa e revitalizada, como a gente vê nas fotos”, explica.
Outra pessoense, Yohana Jaspe, de 15 anos, também gosta de ir até o Parque Solon de Lucena para romper com a rotina constante de estudos. Para ela, sentar na grama e relaxar, acompanhada dos amigos, é o suficiente. “Acho que seria legal se tivesse mais opções de comida e um pouco mais de segurança”, ela comenta, mas acrescenta que, no geral, aprecia a oportunidade de lazer gratuito ofertada pelas praças.
De acordo com a socióloga Mohana Morais, “espaços públicos comunitários são fundamentais para a vida urbana porque constituem lugares de encontro, convivência e exercício da cidadania”. Ela destaca o trabalho de pesquisa e produção acadêmica da professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Tereza Correia da Nóbrega Queiroz, que se dedicou a analisar a revitalização e a apropriação das praças como um caminho para transformar práticas sociais e culturais.
Também pesquisadora, Mohana revela que parques e praças não são apenas espaços físicos destinados ao lazer, mas também dispositivos sociais que estruturam relações e produzem sentidos coletivos e, portanto, vão na contramão da individualização que, muitas vezes, é imposta pela vida urbana. “Esses espaços, quando requalificados, tornam-se arenas de sociabilidade, de práticas culturais e de fortalecimento de vínculos comunitários, permitindo que diferentes grupos sociais se encontrem e convivam”, afirma ela.
Mais saúde
Além do contato com outras pessoas e de momentos de descanso próximos à natureza, zonas de convívio ao ar livre incentivam a atividade física, como caminhada e prática de esportes, que contribuem com a saúde física e mental dos habitantes da cidade. Aulas coletivas, de artes marciais, dança e treinamento funcional, são comuns nesses espaços e dependem da estrutura deles para serem bem desenvolvidas, assim como as feiras de artesanato, eventos gastronômicos e culturais, que atraem visitantes e estimulam a economia.
Para Mohana, compreender o impacto dos espaços públicos comunitários é entender como a cidade se movimenta e se reinventa diariamente. “As praças e parques revelam a dimensão comunitária e democrática da vida urbana, funcionando como espelhos das relações sociais e como territórios de resistência frente às dinâmicas de exclusão. Os estudos desses ambientes revelam tanto sua materialidade quanto os usos sociais que os transformam em lugares vivos, onde se entrelaçam memórias, práticas culturais e projetos de futuro”, finaliza.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 30 de maio de 2026.