O lixo acumulado em vias públicas é um dos fatores que contribuem para os alagamentos registrados em períodos chuvosos. Além da poluição ambiental, esses resíduos descartados de forma incorreta entopem galerias e bueiros, além de interferir no curso natural da água dos rios, causando transtornos à população. Nesse cenário, a presença de lixeiras e papeleiras em espaços públicos, facilitando o descarte correto, é essencial. Em João Pessoa, há mais de quatro mil papeleiras em áreas como a orla e o Centro da cidade. Contudo, em algumas regiões, a população ainda considera o número insuficiente. Em outros pontos, o problema é o vandalismo, que prejudica a manutenção e a permanência desses equipamentos.
Na orla de Manaíra, por exemplo, a população encontra papeleiras com facilidade. Elas estão instaladas em cada poste que circula a calçada e a ciclofaxia, e encontram-se em boas condições de uso. Já na região da Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico do município, a equipe do jornal A União encontrou apenas dois desses equipamentos. Embora em pouco número, para a comerciante que trabalha no local, Tila Araújo, as lixeiras existentes ali são suficientes. “Eles [os agentes da prefeitura] vêm sempre, inclusive já vieram hoje, para limpar tudo e cuidar da praça. A limpeza aqui funciona bem”, afirma.
O turista Diego Correia, que veio de Minas Gerais com a família e está visitando João Pessoa pela primeira vez, também achou a distribuição das lixeiras satisfatória, ao menos nos lugares por onde passou. “Acho que é mais uma questão de educação das pessoas, que muitas vezes têm a lixeira e jogam o lixo no chão. Lá em Cabo Branco, a gente achou bom, tinha lixeiras e contêineres para os resíduos”, aponta.
Já na região central da capital, o morador Lucas Moura sente dificuldade de encontrar lixeiras e papeleiras em alguns pontos. “Às vezes, muitas estão quebradas, umas funcionam e outras não. Agora mesmo eu ia jogar um lixo em uma aqui ao lado, mas está quebrada, sem o fundo do cesto. Então, precisa de mais, às vezes é raro encontrar uma em bom funcionamento”, lamenta, referindo-se aos equipamentos instalados no Parque Solon de Lucena. “Eu sempre procuro não jogar nada no chão, mas nem sempre encontro lixeiras. Na orla também tenho essa dificuldade, assim como em avenidas mais movimentadas, onde deveria ter”, destaca.
O comerciante Fred Willams Amaro, que trabalha na região da Rua General Osório, também no Centro de João Pessoa, diz que o problema de lixo descartado incorretamente é comum por ali. Na rua, há papeleiras instaladas, mas algumas estavam quebradas ou desencaixadas, e, em outras, o lixo foi espalhado, sujando a via e as calçadas. Segundo Fred, nos fins de semana, devido a eventos culturais que acontecem no entorno, há uma grande aglomeração de pessoas, e muitas descartam garrafas, copos, embalagens e outros itens na rua — ou até mesmo jogam os resíduos dentro dos comércios.
“Para mim, essas lixeiras não estão servindo, não são o ideal. O que seria interessante aqui seriam aqueles coletores maiores, com um espaço para cada tipo de lixo, para ter uma coleta seletiva, e que tivessem também uma capacidade maior, para ver se reduziria a sujeira nessa rua”, defende. Ainda segundo ele, nas segundas-feiras, há sempre muito lixo em frente aos estabelecimentos.
Prefeitura
Conforme o superintendente da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur-JP), Ricardo Veloso, há um crescimento da vandalização desses equipamentos, como papeleiras e contêineres para recolhimento de lixo. “Muitas vezes, as pessoas ateiam fogo, colocando em risco até os prédios que estão no entorno. Então temos que ter outra preocupação, além da limpeza, que é com o posicionamento desses equipamentos, para não colocar em risco as edificações”, lamenta. Ele explica, ainda, que a disposição das lixeiras se dá de acordo com a geração de resíduos em determinado local ou com base na viabilidade ou dificuldade de acesso para os veículos de recolhimento, como em determinados bairros e comunidades.
“Também levamos em conta o fluxo de pessoas. Então, em praças, próximo a mercados, e outros espaços [semelhantes], elas estão instaladas. Levamos ainda em conta a durabilidade desses equipamentos. Porque, às vezes, colocamos em determinado local onde, mesmo sendo úteis, eles sofrem vandalização, e aí há um esforço permanente de manutenção e um custo que prejudica a ampliação para outras áreas da cidade”, afirma. Ricardo também aponta que equipes da Emlur--JP trabalham diariamente fazendo a substituição e manutenção das papeleiras, em razão do alto índice de depredação e vandalismo.
Já na região da Rua General Osório, o superintendente informa que vêm sendo pensadas melhorias e mudanças nos equipamentos de recolhimento de lixo. Além disso, ele relata que câmeras de monitoramento instaladas pela prefeitura já registraram pessoas chutando as papeleiras e quebrando os equipamentos do local. “As pessoas chutaram e jogaram o que estava na papeleira, no chão, não sei por qual motivo, mas, infelizmente, é um problema que estamos enfrentando, e que só irá mudar se tivermos uma sensibilização e cooperação de todos”, enfatiza.
“Quando há um vandalismo, a impressão que fica é de que ninguém está cuidando daquilo. Mas existe um esforço muito grande para se manter, só que precisamos também da educação e cooperação da população. Porque esses equipamentos não são do poder público, não são da prefeitura; são nossos, são de todos, e é essencial que as pessoas tenham esse sentimento de pertença e de zelar por eles”, ressalta Ricardo.
O superintendente da Emlur-JP informa, ainda, que já há uma determinação da gestão municipal para que as filmagens de câmeras da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob-JP) e do projeto Smart City possam ser usadas para identificar os autores de vandalismos e responsabilizá-los.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de maio de 2026.