Foi prorrogado, até 8 de outubro, o prazo para recadastramento de túmulos, jazigos, ossários e mausoléus nos cemitérios Senhor da Boa Sentença, Santa Catarina, Nossa Senhora da Penha, Cristo Redentor e São José, localizados em João Pessoa.
A atualização cadastral teve início no dia 8 deste mês, e possuía um período inicial de 30 dias, podendo ser prorrogável por mais 30 dias. A ação é realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano de João Pessoa (Sedurb-JP). Estão sendo entregues diariamente 400 fichas, das quais 100 são para atendimento prioritário aos idosos com mais de 80 anos de idade.
- Além do formato presencial, realizado na Divisão de Cemitérios, existe a possibilidade de preencher o formulário, atualizando os dados, virtualmente, acessando o site da Prefeitura de João Pessoa
De acordo com Priscila Maciel, diretora de Planejamento da Secretaria de Administração de João Pessoa (Sead-JP), a prorrogação se deu pela necessidade de análise criteriosa dos documentos apresentados. “Muita gente não tem a documentação completa, isso acaba gerando uma demora no atendimento”, explicou.
O cadastramento é realizado na Divisão de Cemitérios (Dicem-JP), na Central de Comercialização da Agricultura Familiar (Cecaf), no bairro José Américo, das 8h às 14h. Há, também, a possibilidade de realizar a atualização dos dados por meio do site da prefeitura.
O diretor de Serviços Urbanos da Sedurb-JP, José Carlos Rodrigues, explicou que o recadastramento dos túmulos foi necessário devido ao estado de abandono em que muitos se encontram. Segundo ele, a administração do cemitério funciona como uma “guarda compartilhada” entre o Poder Público e os responsáveis pelos jazigos, cabendo tanto à prefeitura quanto aos particulares a responsabilidade pela conservação.
O particular deve cuidar do espaço, segundo o diretor, enquanto à prefeitura compete oferecer melhores condições de infraestrutura. “Os cemitérios vão passar por uma reestruturação”, pontuou José Carlos.
Após a fase de atualização dos dados, vai haver um levantamento, por meio de uma comissão, para avaliar cada situação específica e decidir o que será feito com aqueles túmulos, jazigos e afins dos quais ninguém se responsabilizou.
Para efetuar a atualização cadastral, é necessário apresentar: documento pessoal (RG e CPF), comprovante de residência, o termo de concessão perpétua ou recibo de aquisição do terreno e procuração, se necessário. Além disso, é obrigatório o pagamento de uma taxa de R$ 91,78 referente às tarifas de manutenção e vigilância.
O secretário da Sedurb-JP, Marmuthe Cavalcanti, ressaltou a necessidade do recadastramento. “Vamos ter um controle maior para organizar melhor os nossos cemitérios e poder também cobrar dos permissionários e concessionários a responsabilidade por zelar pela sepultura, jazigo ou ossário que está em seu nome, nos ajudando a fazer uma boa gestão”, destacou.
Atendimentos
Durante a visita da reportagem do jornal A União à Cecaf, ontem, foi possível constatar algumas melhorias no atendimento ao público: a quantidade de fichas distribuídas diariamente aumentou de 100 para 400; o setor de triagem passou a funcionar no térreo, o que ajudou a reduzir o fluxo no primeiro andar, antes totalmente concentrado; e o recebimento de documentos também foi transferido para uma sala maior.
Apesar dos avanços, a demora no atendimento ainda gerava insatisfação entre os usuários que aguardavam pelo serviço. O servidor público, de 67 anos, Manuel Mende, relatou que esperava por sua vez fazia duas horas e 30 minutos. “Cheguei aqui às 7h30 e peguei a ficha 143, agora estão chamando a 39”, comentou. “Achei desorganizado, eu tenho 67 anos, mas o atendimento preferencial é só acima de 80 anos. Também achei mal divulgado, tive conhecimento do cadastramento por acaso, pela televisão. Eu, inclusive, trabalho e precisei faltar hoje. Faltou logística”, desabafou.
Hilza Macêdo, de 75 anos, relatou que foi até o local, na segunda-feira (25), mas não conseguiu ser atendida por falta de documentação. “Na primeira vez que estive aqui, cheguei às 11h e só voltei para casa às 15h”, comentou. No retorno ao local, no entanto, foi diretamente atendida.
O servidor público José Ventura Filho, de 64 anos, sugeriu que fosse reservado um dia específico para o atendimento preferencial. “Aqui, a prioridade é apenas aos idosos acima de 80 anos. Eu não quero ganhar benefício, mas seria uma forma de organizar melhor o atendimento”, afirmou. Ele disse ainda que chegou às 10h, pegou a ficha de número 194 e não sabia a que horas seria atendido.
O diretor de Serviços Urbanos explicou que a maioria do público atendido é composta por idosos, motivo pelo qual foi adotado o critério de atendimento preferencial apenas para aqueles acima de 80 anos. Ele ressaltou, porém, que pessoas em situação de maior fragilidade também recebem prioridade e são atendidas antes. Destacou, por fim, que ainda existe uma certa resistência desse público em realizar o cadastramento pelos meios digitais.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de agosto de 2025.