A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) recebeu, ontem, um prêmio da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) pelo documentário Sociedade Singular, que trata sobre mães e filhos atendidos pelo projeto Caravana da Inclusão.
O Prêmio Unale Assembleia Cidadã visa incentivar projetos que busquem a humanização do serviço público e do Poder Legislativo. O concurso é dividido em quatro categorias: Gestão, Atendimento ao Cidadão, Projetos Especiais e Reportagem Legislativa. A ALPB foi premiada na categoria Reportagem Legislativa.
O presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos), celebrou a premiação. “Ela representa o compromisso desta Casa com a cidadania, com a inclusão social e com as causas que tocam profundamente a vida das pessoas. Mostra que a Assembleia da Paraíba está atenta às demandas da sociedade e disposta a trabalhar para garantir dignidade, respeito e oportunidade para todos”, declarou.
“É importante que diga: no primeiro ano, nós fizemos a Agenda da ONU, que foi vencedora; no segundo ano, nós vencemos com o Rompa o Ciclo da Violência; e neste ano, com a questão do autismo. Então, são temas completamente divergentes, o que mostra que a nossa Assembleia pulveriza bem a sua atuação”, lembrou a deputada Camila Toscano (PSDB).
O presidente da Unale, o deputado Valmir Zanchin (MDB-RS), expressou sua satisfação na entrega do prêmio, frisando que “o Poder Legislativo tem dedicado atenção às iniciativas que vão além das suas funções típicas, notadamente a de legislar”.
“As ações da Assembleia Legislativa da Paraíba, que resultaram no documentário Sociedade Singular, garantem um olhar humanizado do parlamento. Por isso, reafirmo o compromisso que temos de buscar, em todos os estados, boas iniciativas como essas, para que sejam executadas em outras regiões do Brasil”, disse.
O vice-presidente regional da entidade, o deputado Sérgio Aguiar (PSB-CE), ressaltou o trabalho da equipe da TV Assembleia e a importância do trabalho dos deputados e da ALPB, dentre uma das mais destacadas de todo o Brasil.
“[São] projetos que são feitos no sentido de ultrapassar as barreiras do plenário, do prédio da Assembleia Legislativa, para chegar junto ao povo, para fazer com que a população seja assistida diretamente”, afirmou.
O filme
O documentário Sociedade Singular apresenta histórias reais de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e de suas famílias, destacando os desafios cotidianos, avanços nas políticas públicas e a importância do acolhimento social. Os personagens ouvidos pelo filme foram atendidos pelo projeto Caravana da Inclusão, em 2025.
De autoria do deputado Michel Henrique (Republicanos), o projeto levou ações de inclusão e apoio à saúde mental para diversas regiões do estado, com o objetivo de combater o preconceito e fortalecer redes de apoio aos familiares e profissionais da área.
Segundo o parlamentar, que também é presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e da Pessoa Neurodivergente, a iniciativa já beneficiou mais de três mil famílias e visa a descentralização do suporte a esse público.
“Eu cheguei a me deparar com pais que criavam adolescentes encarcerados, trancados dentro de um quarto, porque, quando o adolescente entrava em crise, ficava violento, quebrava a casa toda, agredia os pais. Eles [os responsáveis] não sabiam como equacionar, estabilizar, e a Caravana da Inclusão veio para isso, inicialmente para levar informação e diminuir esse preconceito”, relatou Michel Henrique.
A Caravana da Inclusão oferece dois dias de imersão, com informações técnicas aos sábados e ações práticas aos domingos. O conteúdo abrange desde a estabilização em momentos de crise até a personalização de aulas para autistas, contando com a participação de profissionais de saúde, educação, pais e mães.
Para 2026, a caravana planeja intensificar suas ações, com foco na capacitação de professores para oferecer uma educação mais personalizada. “Vamos também fazer uma parceria com o INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social] e, por meio dessa parceria, as pessoas que tiverem direito ao BPC [Benefício de Prestação Continuada], já vão sair com o seu benefício concedido, passando por perícia e ultrapassando de maneira mais célere todo esse trâmite do INSS”, adiantou o parlamentar.
Iniciativa conscientiza sobre violência de gênero
Após a premiação, foi realizada a inauguração do Banco Vermelho no hall de entrada da ALPB, com o intuito de promover a reflexão sobre o feminicídio no país. A iniciativa é de autoria da deputada Silvia Benjamin (Republicanos).
Camila Toscano (PSDB), ressaltou o crescimento global do feminicídio como um problema que persiste, apesar do endurecimento das leis. “Quando a Assembleia encampa essa campanha, deixa uma demonstração clara de que é contra essa violência, mostrando à mulher paraibana que ela não está sozinha e que essa Casa é uma casa de apoio, de acolhimento”, defendeu.
Jane Panta (PP) expressou a urgência da situação, enfatizando a participação masculina em eventos de combate à violência contra a mulher.
“A gente apela muito que homens participem de um evento como esse, porque nossas mulheres já estão educadas e sabem que o feminicídio é crime, que não pode acontecer. Essas palestras, essas atitudes, essas ações têm que ser voltadas aos homens. São os homens que precisam se conscientizar. Não tem como mais a gente suportar tantos feminicídios”, defendeu a deputada.
O deputado federal Cabo Gilberto (PL) também esteve presente na cerimônia e mencionou a recente aprovação do Projeto de Lei no 2.942/2024, que prevê o monitoramento de agressores, por meio de tornozeleiras eletrônicas.
“Aprovamos 6% do Fundo Nacional de Segurança Pública para comprar essas tornozeleiras, para as autoridades policiais saberem onde esse criminoso está, até porque ele pode aumentar [a gravidade do] crime, matando a mulher”, afirmou o deputado.
A campanha do Banco Vermelho nasceu na Itália, em 2016, e ganhou repercussão internacional, com o objetivo de sensibilizar a sociedade acerca da violência de gênero. No Brasil, os Bancos Vermelhos foram instituídos pela Lei no 14.942/2024 e visam ações de conscientização em espaços públicos.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de março de 2026.
