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João Pessoa

Audiência defende fim da escala 6x1

publicado: 08/05/2026 09h24, última modificação: 08/05/2026 09h24
Paraíba foi o primeiro estado a sediar debate proposto pela Câmara Federal; agenda mobilizou lideranças nacionais
2026.05.07 Câmara pelo Brasil Fim da escala 6x1 © Leonardo Ariel (16) Coletiva de imprensa.JPG

Para Hugo Motta, a redução da jornada melhorará a qualidade de vida do povo brasileiro | Foto: Leonardo Ariel

por Paulo Correia*

Lideranças políticas, representantes do setor produtivo e dirigentes sindicais reuniram-se, ontem (07), em audiência pública na sede da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), para discutir a redução da jornada de trabalho. O encontro foi promovido pela Câmara dos Deputados, representada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). Também estiveram presentes, entre outras autoridades, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o relator da proposta pelo fim da escala 6x1, o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA).

Hugo Motta comemorou o fato de o debate começar na Paraíba, ressaltando a importância de “dignificar e melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro”. Para o parlamentar, o objetivo é elaborar, da maneira mais equilibrada e eficiente possível, uma proposta que contemple os direitos trabalhistas e o setor produtivo. “O objetivo está muito claro, [seja] do governo ou da grande maioria do parlamento: é poder dar à classe trabalhadora a redução da jornada, sem redução salarial”, defendeu, ao reforçar que o objetivo da Câmara é votar o texto no plenário ainda neste mês, visando desvincular o debate do calendário eleitoral.

Plenário da Assembleia ficou lotado durante a audiência

O relator da proposta na Câmara ratificou que a comissão designada para tratar do tema desenvolverá “o melhor relatório”, com três premissas: o fim da escala 6x1, a redução de jornada para 40h e a ausência de prejuízo salarial. Conforme Léo Prates, a proposta em discussão na Câmara determina a regra geral, enquanto as especificidades de cada setor econômico serão regulamentadas por meio de projeto de lei.

Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a economia brasileira já está preparada para a redução da jornada de trabalho. O gestor citou dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicando que cerca de 72% das empresas que reduziram a carga horária apresentaram um aumento na receita e, aproximadamente, 44% apresentaram melhoria no cumprimento dos prazos operacionais. “Há um sentimento da sociedade brasileira, dizendo que é hora, e nós precisamos, como gestores públicos, lideranças empresariais e dos setores da economia brasileira, nos preparar para atender à reivindicação do mundo do trabalho, criando satisfação e também buscando cuidar de melhorar a produtividade do Brasil”, sustentou.

O evento realizado na ALPB integra o programa Câmara pelo Brasil, que está na sua terceira edição, e já prevê a realização de outras audiências, em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, nos dias 14, 15 e 21 deste mês, respectivamente.

Parlamentares

O presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos), salientou que a audiência buscou promover o diálogo e a construção coletiva, ouvindo tanto os trabalhadores, que enfrentam “jornadas exaustivas”, quanto empreendedores, comerciantes e industriais. “Só tem um setor nesse país que perde com essa jornada diminuída, é o sistema financeiro. Porque o trabalhador vai tirar dinheiro da conta para consumir. Se vai consumir, ajuda a economia. Se ajuda a economia, vai ajudar o comércio e também a indústria”, pontuou.

A deputada Cida Ramos (PT) argumentou que a discussão sobre a jornada de trabalho não se restringe ao mundo do trabalho e está ligada a um projeto de país soberano, democrático e que respeite o trabalhador. “A riqueza que é gerada nesse país tem sangue, suor e lágrimas de nós, trabalhadores”, frisou.

Vereador de João Pessoa, Marcos Henriques (PT) aproveitou o espaço para entregar ao deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial da Câmara, um requerimento aprovado pela Câmara Municipal de João Pessoa orientando todos os parlamentares da bancada paraibana no Congresso a votarem pelo fim da escala 6x1.

Centrais sindicais

O presidente da Central Única dos Trabalhadores da Paraíba (CUT-PB), Tião dos Santos, destacou que a proposta representa uma pauta histórica para o movimento sindical e uma perspectiva de melhora na saúde dos trabalhadores. “Não adianta a gente vir aqui dizer que vai quebrar o país, [porque] quem está quebrada é a classe trabalhadora, que não suporta essa jornada exaustiva que nós temos hoje”, defendeu.

A dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Raquel Melo, citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelando que, de 2022 a 2024, as mulheres trabalhadoras tornaram-se as principais provedoras em mais de 50% dos lares. “Estou falando, aqui, de mais de 40 milhões de lares chefiados por mulheres. Então, é importante frisar que o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial é mais do que uma questão econômica, é uma questão de proteção social, de valorização e proteção das nossas crianças e das nossas famílias. É uma questão de qualidade de vida”, declarou.

Setor produtivo

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Paraíba (Fecomércio-PB), Cassiano Pereira, afirmou que o setor produtivo não se opõe à medida, mas que é necessário “criar um mecanismo para que [a nova] jornada de trabalho possa ser feita sem um prejuízo”. “Nessa linha de conduta, o Brasil ganha e todos nós ganhamos, somos seres humanos, brasileiros, e queremos que esse país seja cada vez mais forte”, sintetizou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de maio de 2026.