Depois de articulação do governo, a CPMI do INSS aprovou, ontem, todos os requerimentos em pauta, que miravam, entre outros, Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master; ex-parlamentares; e investigados pela Polícia Federal acusados de participação no esquema fraudulento de descontos associativos e até mesmo a presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
O governo trabalhou para que todos os 87 requerimentos fossem votados em conjunto para então serem derrubados. A oposição queria votar cada um dos itens isoladamente. No fim, em votação simbólica, o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), consagrou a vitória da oposição. A sala da comissão, então, virou palco de briga. A sessão foi interrompida e a TV Senado parou de transmitir o vídeo do local.
A reunião de ontem é considerada uma das mais importantes desta reta final dos trabalhos da comissão, porque os requerimentos aprovados chegarão e serão analisados antes de 28 de março, quando chega ao fim o prazo de funcionamento do colegiado.
Membros do governo partiram para cima da mesa, onde estavam o presidente e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A Polícia Legislativa tentou barrar a aproximação, assim como deputados da oposição. O clima ficou mais tenso após uma confusão entre os deputados Rogério Correia (PT-MG), governista, e Evair Vieira de Melo (PP-ES), da oposição.
Governistas defendiam a votação em bloco dizendo que havia uma blindagem do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que, segundo eles, apenas pautaria requerimentos favoráveis à oposição.
Parlamentares petistas queriam que a CPMI do INSS pautasse requerimentos contra o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, integrantes da Igreja Lagoinha, a qual Viana faz parte, e outros ex-integrantes e aliados que fizeram parte da gestão de Jair Bolsonaro quando era presidente — até mesmo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Antecipado
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia autorizado a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabio Luis por suspeita de envolvimento no escândalo do INSS.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de fevereiro de 2026.