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questões de memória

Evento na UFPB marca os 61 anos do golpe militar

publicado: 01/04/2025 11h21, última modificação: 01/04/2025 11h21
Atividade está sendo organizada pela EPC e pelo CCHLA, no Campus 1
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A repressão ao movimento político estudantil na ditadura será um dos temas tratados no evento | Foto: Arquivo/UNE

por Bárbara Wanderley*

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) recebe, hoje, o evento 61 anos do Golpe de 1964: Questões de memória no tempo presente, promovido pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) e pela Empresa Paraibana de Comunicação (EPC). A programação terá início às 19h, no auditório 411 do CCHLA, no Campus 1 da UFPB, em João Pessoa.

A abertura será conduzida pelo diretor do CCHLA, Rodrigo Freire, e a presidente da EPC, Naná Garcez. De acordo com Rodrigo, a data foi escolhida por ser o exato aniversário do Golpe Militar, que ocorreu no dia 1o de abril de 1964, resultando numa ditadura que se estendeu pelos 21 anos seguintes. Este ano, aliás, marca o aniversário de 40 anos da retomada da democracia no país, já que o fim da ditadura ocorreu em 1985.

O diretor de Rádio e TV da EPC, Rui Leitão, será um dos palestrantes do evento no qual abordará o tema Ditadura Militar: memórias de um jornalista. “Minha participação será muito voltada para o conteúdo do livro ‘Eu vivi a ditadura militar’, que foi lançado pela Editora A União, em dezembro do ano passado. Como o tempo é curto, na verdade, eu vou me concentrar na discussão e no relato histórico de acontecimentos que mostraram o movimento político estudantil, como ele foi reprimido e como foi atacado, e as entidades representativas dos estudantes a nível nacional e a nível estadual foram desmobilizadas”, comentou Rui.

“Para você ter uma ideia, em menos de 24 horas de deflagrado o golpe, os militares já invadiram a sede da UNE [União Nacional dos Estudantes], no Rio de Janeiro, e incendiaram. Foi a primeira ação contra as entidades representativas do movimento estudantil nacional”, completou.

Outros palestrantes serão o historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Carlos Teixeira, que abordará o tema Anistia no Brasil, ontem e hoje; e a promotora do Ministério Público da Paraíba, Fabiana Lobo, cujo tema de palestra será Memórias em discussão: as homenagens na cidade de João Pessoa.

Em entrevista concedida ao Jornal A União, no início deste mês de março, a promotora havia falado sobre a recomendação emitida pelas comissões da verdade nacional, estadual e municipal, de cessar qualquer homenagem a pessoas ligadas à Ditadura Militar. Em João Pessoa, há três bairros que precisam mudar de nome: Castelo Branco, Costa e Silva e Geisel. Há também diversas ruas e até uma escola municipal, segundo Fabiana Lobo.

“A partir do momento que você tem um bairro ali, homenageando uma pessoa que foi apontada como grave violadora de Direitos Humanos, você está afrontando não só a dignidade das famílias dos inúmeros torturados, desaparecidos, das famílias mortas, como você está afrontando ali a própria dignidade da coletividade. Foi um período de extrema violação dos Direitos Humanos e o que pauta a retirada, além das recomendações, é a própria Constituição Federal de 88”, disse a promotora na ocasião.sofridos pelos profissionais”, salientou a nota.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 1º de abril de 2025.