O governador em exercício da Paraíba, Lucas Ribeiro, percorreu, a pé, nove pontos do Centro Histórico de João Pessoa. Em uma sequência para cumprir a agenda institucional, o roteiro poderia facilmente compor um dos circuitos turísticos mais procurados por visitantes interessados na história e na arquitetura da capital.
Passando por praças e casarões, o que mais se repetiu na sequência de visitas foram placas de obras e tapumes de restauração. Prédios tombados passam por intervenções financiadas com recursos diretos do Estado ou por meio do Programa ICMS Cultural e Patrimonial, mecanismo de incentivo fiscal que permite a empresas investir em preservação histórica com crédito presumido do imposto.
“A preservação do patrimônio histórico da Paraíba é uma prioridade do nosso governo. Temos realizado vários investimentos no Centro Histórico, seja de forma direta ou também com o ICMS Cultural. É onde o nosso estado nasceu e se encontra. O resultado está aí: o Centro voltando a pulsar, voltando a ter vida”, afirmou Lucas Ribeiro durante a visita.
Ao todo, os investimentos na revitalização do Centro Histórico de João Pessoa ultrapassam os R$ 140 milhões, segundo dados do Governo do Estado. Desse montante, cerca de R$ 50 milhões estão relacionados ao ICMS Cultural.
O primeiro ponto da agenda foi o Terraço Sanhauá, no Largo de São Frei Pedro Gonçalves. O projeto, orçado em R$ 6 milhões, tem previsão de conclusão em cerca de um ano. A proposta é criar um espaço voltado ao turismo, à gastronomia, à cultura e ao lazer, valorizando a arquitetura tradicional da área. Um dos diferenciais do equipamento será a vista panorâmica para o Rio Sanhauá, em um ponto mais amplo do que os vizinhos Hotel Globo e Conventinho.
A localização estratégica reforça a vocação do espaço para contemplação do pôr do sol, um dos atrativos naturais mais conhecidos da região. O empresário responsável pelo empreendimento, Gustavo Castro, atribui a decisão de investir na área ao incentivo fiscal do programa estadual. “Foi muito importante o incentivo fiscal dado pelo Governo do Estado através do ICMS Cultural. Foi um divisor d’água que permitiu que a gente tomasse coragem para investir e fazer aqui um grande espaço para abrigar turistas, a população da Paraíba, trazer cultura, arte e gastronomia”, disse.
Lucas Ribeiro classificou o Terraço como exemplo do modelo adotado. “É o resultado de uma política fruto do ICMS Cultural. Demonstra que o caminho é juntar a força do Estado e da iniciativa privada na revitalização do Centro Histórico”, frisou.
Ao lado do Terraço, a comitiva visitou a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, que passou por obras de restauração já concluídas. O trabalho incluiu recuperação dos azulejos do adro e da fachada, dentro do conjunto de ações voltadas à valorização do patrimônio religioso e histórico. Com as intervenções finalizadas, o espaço pode voltar a receber visitas.
O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, destacou que a entrega da obra demonstra a efetividade do programa. “Quando a gente chega numa igreja que a reforma já terminou, mostra a eficácia e a efetividade que o programa tem conseguido alcançar”, afirmou. Segundo ele, os investimentos impactam diretamente a dinâmica do Centro. “A cidade ganha tanto do ponto de vista da recepção de turistas quanto da possibilidade de os pessoenses se apropriarem da própria história. Essa é a filosofia”.
Pedro Santos também citou a preocupação com a qualificação de mão de obra local e com a permanência dos moradores na área central. “A gente tem que ter cuidado para que um empreendimento dessa natureza não gentrifique o Centro Histórico. As pessoas que estão aqui têm que ser parte disso”, pontuou.
Na Praça Antenor Navarro, o governador em exercício conheceu o projeto Habitart, instalado em um casarão art déco da década de 1930 que permaneceu fechado por cerca de 10 anos. A iniciativa, conduzida pela Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap) em parceria com a Secretaria de Cultura, prevê a criação de um hotel para artistas em trânsito.
O espaço contará com seis dormitórios coletivos, com capacidade para 12 a 24 pessoas, além de salão cultural multiuso, sala de leitura, refeitório, cozinha, área de convivência e estrutura de acessibilidade, incluindo elevador e rampas. O imóvel possui terreno de 223 m² e cerca de 570 m² de área construída, distribuídos em térreo, mezanino e primeiro andar.
“É uma casa de passagem e também uma casa para desenvolvimento de atividades da comunidade artística”, explicou o diretor técnico da Cehap, Cláudio Batista dos Santos. O investimento é de R$ 890 mil, com previsão de conclusão entre agosto e setembro de 2026.
De lá, Lucas Ribeiro partiu para o Casarão dos Azulejos, que sediará o Museu da Justiça Eleitoral — Memorial da Democracia. O investimento para recuperação do prédio supera R$ 3 milhões. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), o desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, explicou que o espaço reunirá a primeira sala de sessões do Tribunal, mobiliário histórico e um percurso sobre a evolução das urnas, da versão de ferro à eletrônica.
“Aqui foi a primeira sede do TRE, em 1932. Teremos toda a história da Justiça Eleitoral. As pessoas vão poder percorrer esse caminho, conhecer a evolução da urna e também visitar exposições temporárias”, disse. A inauguração está prevista para a próxima sexta-feira (6), às 16h.
A visita incluiu o prédio do antigo Colégio Diocesano Pio XII, onde será instalado um hotel cinco estrelas do grupo Vila Galé. O empreendimento prevê pelo menos 80 quartos, spa, piscinas, restaurantes, bar, biblioteca e clube infantil. O investimento estimado é de R$ 80 milhões, com expectativa de geração de cerca de 360 empregos diretos, terceirizados e indiretos.
Atravessando a rua, mais um roteiro institucional e cultural. Na sede da Academia Paraibana de Letras (APL), foi apresentado o projeto do Memorial Augusto dos Anjos, que será instalado ao lado da instituição.
O presidente da APL, Ramalho Leite, afirmou que o equipamento representa a concretização de uma demanda antiga. “Está saindo do papel um projeto de muitos anos. Augusto dos Anjos vai ganhar um memorial à altura do seu nome”, declarou. O roteiro incluiu ainda uma visita à restauração do Sobrado do Conselheiro Henriques, na Rua Duque de Caxias, edificação colonial datada de 1790, com investimento de R$ 987 mil por meio do ICMS Cultural.
Já próximo do horário do pôr do sol, um dos grandes atrativos naturais de apreciação no Centro, a agenda foi encerrada no Mosteiro de São Bento, conjunto barroco tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1957. O espaço passa por três frentes de intervenção: manutenção interna das alas conventuais, recuperação do muro que desabou após as chuvas e restauração da fachada principal. O investimento total soma R$ 1,8 milhão via convênio com o Estado, além de R$ 811 mil para o muro e R$ 1 milhão para a fachada, estes por meio do ICMS Cultural.
Rodrigo Almeida, responsável administrativo do Centro Cultural São Francisco, informou que a obra começou no início do ano passado e deve ser entregue no começo de abril. “Foi investido R$ 1,8 milhão pelo FDE [Fundo de Desenvolvimento do Estado da Paraíba]. Queremos abrir esse espaço para visitação turística e também para as escolas, com campanhas de educação patrimonial”, afirmou.
Durante o percurso, Lucas Ribeiro voltou a defender a estratégia adotada. “Saio daqui com a certeza de que temos acertado nessa decisão de investir no Centro, de implementar um programa que tem preservado o patrimônio histórico do povo da Paraíba e fazer o Centro respirar e viver outra vez”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de fevereiro de 2026.

