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Mulheres mostram sua força e têm 31% de empresas nos EUA

por publicado: 10/03/2018 19h05 última modificação: 10/03/2018 20h00
Reprodução/Internet A brasileira Ana Carolina Teixeira é dona de uma companhia sediada em Orlando, na Flórida, que agrega várias empresas

A brasileira Ana Carolina Teixeira é dona de uma companhia sediada em Orlando, na Flórida, que agrega várias empresas


Leandra Felipe
 
Da Agência Brasil

Na luta pela conquista de espaços, mais e mais mulheres têm se lançado no mercado norte-americano como empreendedoras. Um levantamento do Instituto de Desenvolvimento para Empreendedorismo do Conselho Nacional de Mulheres Proprietárias de Empresas (livre tradução para National Woman´s Business Council – NWBC), feito no ano passado, mostrou que 31% das empresas norte-americanas pertencem a mulheres. Uma em cada cinco tem receita superior a um US$ 1 milhão. O estudo mostrou ainda que em 2017 existiam mais de 9,4 milhões de empresas pertencentes a mulheres nos Estados Unidos. Em 2015 eram 9,1 milhões, 300 mil novas empresas geridas por mulheres foram criadas no período. A receita estimada gerada foi de um US$ 1,7 trilhão nos últimos três anos.

A tendência de crescimento tem se sustentado nos últimos anos. O número total de empresas criadas nos Estados Unidos cresceu 47%, entre 1999 e 2014. Nesse universo, aquelas que pertencem às mulheres aumentaram 68%. Na geração de empregos, as empresas comandadas por mulheres responderam por mais da metade das vagas do mercado de trabalho em 2017 - 8,3 milhões de empregados no ano passado, de um total de 16 milhões no universo de todas as empresas. O levantamento revelou que vários fatores influenciaram no aumento das empresas geridas por mulheres, entre eles maior acesso a linhas de financiamento direcionadas ao público feminino, bem como campanhas motivadoras para pequenas empreendedoras.

Em relação à tomada de decisão entre abrir ou não seu próprio negócio, o principal fator motivador, segundo a pesquisa, foi a busca de flexibilidade em prol do equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Entrevistas e grupos focais foram feitos para traçar o perfil das empreendedoras em Houston, Los Angeles e Washington DC, analisando proprietárias de pequenas, médias e grandes empresas. A Agência Brasil conversou com Ana Carolina Teixeira, sócia-proprietária da Quattro – uma companhia sediada em Orlando, na Flórida, que agrega empresas que atuam em quatro áreas: incorporação e gestão de empreendimentos, imobiliária, administração e design. Com formação na área de marketing de produtos, ela deixou o Brasil em 1999 e mudou-se para Nova Iorque, transferida pela empresa em que trabalhava, uma multinacional do setor de produtos de higiene. Após um ano e meio na cidade, deixou o trabalho e mudou-se para Orlando com o marido.

Na Flórida, teve os três filhos e entre o nascimento do primeiro e do segundo, começou a trabalhar como corretora de imóveis, entre 2004 e 2005. “Era um mercado interessante para mim e podia trabalhar de forma mais independente”, contou. A empresária lembrou que durante a crise imobiliária de 2008 o mercado teve forte impacto, mas que na época mudou seu foco para a compra de casas. “Havia uma oferta muito grande e a venda foi prejudicada, mas havia uma oportunidade para a compra”.

Desafios

Aproveitando as oportunidades, Ana Carolina acabou abrindo a empresa em sociedade, em 2010, e expandiu o negócio até consolidar o grupo que hoje é um dos maiores de Orlando – um mercado bastante aquecido e muito procurado por brasileiros e pessoas de outros países latinos. A empresária afirmou que apesar de sempre ter lutado por seu espaço, percebe que as portas hoje se “abrem mais facilmente” às mulheres. “Hoje, ainda participo de reuniões em que sou a única mulher, mas a consciência sobre os direitos das mulheres aumentou. As mulheres estão se tornando cada vez mais empoderadas e isso se reflete na maneira como nos posicionamos”. Ana Carolina comemora bons resultados econômicos. No ano passado, a empresa vendeu US$ 22 milhões e do grupo de 16 colaboradores que tem, 90% são formados por mulheres. “A maioria com filhos e que, ainda assim, se dedicam 100% ao trabalho. Ótimas profissionais”, comenta, orgulhosa.

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