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Multidão busca atendimento em JP

publicado: 07/05/2026 09h28, última modificação: 07/05/2026 09h28
Centenas de cidadãos foram ao Espaço Cultural José Lins do Rêgo ontem (06), último dia para alistamento
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Atendimento foi limitado a 1.600 pessoas, o que contribuiu para a formação de longas filas | Fotos: Evandro Pereira

por Eliz Santos*

O último dia para regularização do título eleitoral foi marcado por movimento intenso e longas filas nas unidades da Justiça Eleitoral na Paraíba, com registros de aglomeração em João Pessoa e Campina Grande. No Espaço Cultural, na capital, e no fórum eleitoral da Rainha da Borborema, o cenário nas primeiras horas de ontem já era de grande procura de eleitores, que deixaram a atualização cadastral para a última hora.

Para dar conta da demanda, a Justiça Eleitoral montou uma estrutura com 26 guichês no mezanino do Espaço Cultural, com capacidade para 110 atendimentos por hora. No térreo, um posto exclusivo foi destinado a grupos prioritários — idosos, gestantes e pessoas com deficiência. 

Tribunal anunciou plano de contingência para atender à alta demanda na Paraíba

A Justiça Eleitoral também ampliou o horário de funcionamento, das 7h às 18h. No entanto, o atendimento foi limitado a 1.600 fichas, o que contribuiu para a formação de filas logo nas primeiras horas do dia. A coordenadora da Central de Atendimento (Cenatel), Alice Coelho, ressaltou que nem todos os serviços exigiam a presença física, sendo essencial apenas para quem foi tirar o título pela primeira vez (alistamento) ou precisava cadastrar dados biométricos.

Prazo

Alice Coelho lembrou que a oportunidade de regularização não é recente. “Nós abrimos o cadastro em novembro de 2024, quando terminou o segundo turno das eleições. O cadastro está sendo fechado quase dois anos depois. Foi esse o prazo que o eleitor teve para comparecer à Justiça Eleitoral”, pontuou.

Apesar dos esforços, que incluíram campanhas em escolas, ações de acessibilidade e plantões em feriados, a procura nos dias finais superou as expectativas. “Trabalhamos continuamente para que o eleitor se antecipasse, mas ainda é um traço cultural deixar para o prazo final. Isso gera filas inevitáveis e exige paciência de quem busca o serviço agora”, concluiu a coordenadora.

Garantia de atendimento

Para quem esteve na fila até às 18h e não conseguiu atendimento imediato, a Justiça Eleitoral planejou um plano de contingência com um pré-atedimento. “O objetivo é realizar um agendamento para que essas pessoas concluam o processo na próxima semana, garantindo que ninguém seja impedido de votar nas próximas eleições por falta de tempo hábil”, detalhou.

Corrida contra o tempo

A estudante Jailinne Fernandes, de 17 anos, deixou para emitir o título no último dia e enfrentou horas de espera. Segundo ela, a decisão de adiar o atendimento acabou sendo influenciada pela correria do dia a dia.

“Eu ia tirar antes, meu pai falou que a gente ia resolver em Conde, porque ele ia transferir o título dele para lá. Aí, foi passando o tempo e eu acabei deixando. Quando vi ontem que hoje era o último dia, tentei fazer pelo celular, mas no fim apareceu que eu precisava ir até um local por causa da biometria”, contou. Jailinne chegou ao local por volta das 6h40 e aguardou atendimento por mais de duas horas.

Situação semelhante foi vivida pelo trabalhador de almoxarifado Gabriel Pereira, de 21 anos, que também buscava emitir o título pela primeira vez. Ele afirmou que a rotina de trabalho acabou adiando a regularização.

“Foi na correria do trabalho. Acabei deixando para o último dia mesmo. Já tinha passado esse tempo todo e eu não tinha tirado ainda, mas hoje eu vim resolver”, disse. Após mais de três horas de espera, ele destacou a importância do documento: “É importante fazer uma escolha sábia, porque essas pessoas vão nos representar”.

A técnica em Enfermagem Silvana Nascimento também enfrentou a fila para transferir seu título de Brasília para a capital paraibana, onde mora há mais de um ano. “Deixei para o último dia porque meu esposo teve um problema de saúde e eu não tive como vir antes”, relatou. Para ela, votar é um ato fundamental de cidadania e de confiança nos próprios ideais.

Impedimentos

Conforme a legislação eleitoral, o cadastro é fechado 150 dias antes do pleito para viabilizar a organização das eleições, impedindo qualquer nova solicitação até a reabertura do sistema após o processo eleitoral. Quem não regularizou a situação ficará impedido de votar nas próximas eleições e poderá enfrentar restrições, como dificuldades para emitir documentos, tomar posse em cargos públicos e matricular-se em instituições de ensino, entre outras limitações previstas na legislação eleitoral.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de maio de 2026.