O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estimou que o número de mortes causadas pelo duplo terremoto, de magnitude 7.2 e 7.5 na Escala Richter, pode ultrapassar 10 mil pessoas e chegar a até 100 mil. Os tremores de terra ocorreram no noroeste da Venezuela e foram seguidos por cerca de 20 réplicas.
O primeiro balanço de vítimas fornecido pelas autoridades venezuelanas aponta 188 mortos e mais de 1.500 feridos devido aos fortes tremores registrados na Venezuela, embora essa estimativa não inclua os números do estado de La Guaira, a região mais afetada e que foi descrita como “área de desastre”.
Dessa forma, o serviço estadunidense indicou que “é provável que haja um número elevado de vítimas e danos e que o desastre provavelmente seja generalizado”. Em sua última atualização, o serviço apresenta um gráfico sobre a previsão de mortos, estimando em mais de 92% a probabilidade de que o balanço do desastre ultrapasse a marca de mil mortos.
A análise do duplo terremoto registrado, na tarde da quarta-feira (24), na Venezuela indica que mais de 2,3 milhões de venezuelanos foram expostos a um tremor “muito forte”, enquanto 400 mil estavam em áreas com um tremor “grave” e 29 mil foram expostos a um tremor “violento”.
As cidades mais expostas ao duplo terremoto são Puerto Cabello, com mais de 200 mil habitantes, e Catia La Mar, com uma população superior a 660 mil pessoas.
De modo geral, o USGS afirma que a população das regiões afetadas vive em “edifícios vulneráveis a tremores sísmicos”, “embora também haja edifícios resistentes”. “Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são aqueles de alvenaria de tijolos não armados e os de blocos de adobe”.
Quanto à previsão de prejuízos econômicos, as autoridades americanas estimam que serão consideráveis e calculam que as perdas econômicas sejam de 1% a 7% do PIB do país.
O duplo terremoto ocorreu no estado de Yaracuy, com um terremoto “precursor” de magnitude 7.2, com epicentro na cidade de San Felipe e profundidade de 21,9 km, que antecedeu o “terremoto principal” de magnitude 7.5, com epicentro em Yumare e profundidade de 10 km.
Detido nos EUA, Maduro fala em união após tragédia em seu país
Por: Paula Laboissière (Agência Brasil)*
Detido nos Estados Unidos, o presidente afastado da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma mensagem ao seu país após o terremoto registrado na quarta-feira (24). Nas redes sociais, Maduro manifestou solidariedade ao povo venezuelano e pediu união. “Diante do forte terremoto que atingiu nossa pátria, nossas orações estão com as famílias venezuelanas afetadas. Neste momento difícil, clamamos por unidade nacional, serenidade e amor. Nossos corações estão com toda a Venezuela!”.
No post, o líder venezuelano pede que ninguém seja deixado para trás e que cada comunidade cuide de suas crianças, de seus idosos, de seus doentes. “Que todos acompanhemos o trabalho das equipes de resgate”, escreveu.
“Neste momento difícil, apelamos à unidade nacional, à serenidade e ao amor concreto: ajudar, proteger, compartilhar, levantar e reconstruir. A Venezuela enfrentou grandes provações e também sairemos desta mais fortes, com fé, disciplina e solidariedade”.
A Agência Efe cita, pelo menos, 188 mortos, além de mais de 1.500 feridos e vítimas ainda presas aos escombros das dezenas de prédios e casas que desabaram após o registro do terremoto.
Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades foram atingidas por vias aérea e terrestre.
À época, em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que houve sucesso na ação e que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por forças ianques em seu país.
Brasil coloca equipes de saúde e insumos à disposição do vizinho
Por: Lucas Pordeus León (Agência Brasil)*
O Ministério da Saúde do Brasil está em contato com a Venezuela para enviar ajuda com insumos e pessoal da área da saúde para o país vizinho, afetado por fortes terremotos de 7.2 e 7.5 na Escala Ritcher na quarta-feira (24).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que manteve contato com o Ministério da Saúde da Venezuela para definir o envio de ajuda ao país. “Desde ontem pela noite, seguindo diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fizemos contato com a Opas [Organização Pan-americana de Saúde] e Ministério da Saúde do nosso país vizinho, colocando-nos a disposição para qualquer ação humanitária”, disse o ministro, em uma rede social. Ainda não houve pedido oficial de ajuda da Venezuela.
A Opas, entidade ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), tem atuado na Venezuela na resposta ao terremoto. O chefe da instituição, Jarbas Barbosa, disse que está trabalhando com as autoridades do país caribenho. “A Opas na Venezuela está trabalhando com as autoridades de saúde, enquanto o Centro de Operações de Emergência em Washington apoia a resposta e coordena com a ONU e parceiros para atender às necessidades urgentes”, comentou Barbosa.
Expressaram solidariedade ao povo e ao governo venezuelano, além da intenção de enviar ajuda, os líderes da França, do Brasil, Irã, da Arábia Saudita, de Cuba, da Turquia, China, Índia, Rússia, do Paquistão, da União Africana, Itália, União Europeia, Espanha, Bolívia, do Chile, da Colômbia, Argentina, do Peru, México, Panamá e dos Estados Unidos (EUA), entre outras nações.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de junho de 2026.