A Paraíba registrou 32 vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa um aumento de 23% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 26 mortes de mulheres em razão do gênero. Os dados ainda são parciais, já que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não enviaram todas as informações referentes ao mês de dezembro.
Em números absolutos, a Paraíba aparece como o 11o estado com menor quantidade de vítimas no país e o quarto menor do Nordeste. Quando analisada a taxa proporcional, no entanto, o cenário se altera. Com índice de 0,81 caso de feminicídio por 100 mil habitantes, o estado ocupa a 13a posição no ranking nacional e a quarta colocação entre os estados nordestinos. A taxa paraibana fica acima da média nacional, que chegou a 0,72 caso por 100 mil habitantes em 2025, o maior índice registrado nos últimos 10 anos.
No recorte regional, os dados apontam crescimento mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste. Estados dessas duas regiões concentram as maiores altas percentuais em 2024 e 2025, em um contexto no qual 15 unidades da Federação registraram aumento nos casos de feminicídio ao longo do ano. Em contrapartida, 11 estados apresentaram redução no número de ocorrências no mesmo período.
São Paulo lidera o ranking nacional em números absolutos, com 233 casos registrados, seguido por Minas Gerais, com 139, e Rio de Janeiro, com 104. Além dos casos consumados, o número de tentativas de feminicídio também cresceu. Em 2025, foram registradas 3.702 tentativas, uma variação de 16,3% em relação ao ano anterior. No acumulado de seis anos, o país soma mais de 15 mil tentativas.
No cenário nacional, o Brasil atingiu um novo recorde em 2025, com ao menos 1.470 feminicídios registrados de janeiro a dezembro. O total supera os 1.464 casos de 2024, que até então representavam a maior marca da série histórica. Mesmo sem a consolidação completa dos dados de dezembro em quatro estados, os números indicam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por discriminação de gênero.
Criada em 2015, a tipificação do feminicídio passou a diferenciar os homicídios de mulheres motivados por violência doméstica, familiar ou discriminação de gênero. Naquele primeiro ano de vigência da lei, foram registrados 535 casos. A comparação com os dados de 2025 aponta um crescimento de 316% em uma década. De 2020 a 2025, o país contabilizou 8.557 vítimas, com aumento de 9,1% no período.
Em 2024, a legislação foi alterada com o endurecimento das penas para o crime. A nova lei elevou a punição para o feminicídio, estabelecendo pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos de prisão, a mais alta prevista no Código Penal brasileiro. A norma também prevê aumento de pena em situações específicas, como quando o crime é cometido na presença de familiares, contra gestantes, crianças ou pessoas idosas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de janeiro de 2026.