Não se passaram nem 72 horas desde o fim da eleição suplementar de Cabedelo, que foi realizada no último domingo (12), e o prefeito eleito, Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo. Com isso, o presidente da Câmara Municipal, José Pereira (Avante), assume interinamente a liderança do Executivo municipal, uma vez que nem Edvaldo nem o vice-prefeito eleito, Evilásio Cavalcanti (Avante), foram diplomados ainda.
A decisão de afastar Edvaldo veio após a Operação Cítrico, realizada, ontem (14), pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba e pela Controladoria-Geral da União, que investigam fraude em licitações, desvio de recursos públicos e a ligação de agentes políticos com uma facção criminosa na cidade. Edvaldo sofreu a sanção porque já era prefeito interino do município, antes mesmo da eleição suplementar.
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE--PB), em nota oficial assinada por seu presidente, o desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, reafirmou a legitimidade do processo eleitoral suplementar e rechaçou que as eleições serão anuladas. Por outro lado, o presidente do TRE-PB ressaltou que a diplomação dos eleitos pode ser alvos de questionamentos e que eventuais ações serão apreciadas pela Corte.
“O afastamento do prefeito Edvaldo Neto não foi determinado por integrante da Justiça Eleitoral. Portanto, eventual efeito desse afastamento na seara eleitoral, inclusive no tocante à sua diplomação, será oportunamente apreciado pela autoridade eleitoral competente, em processo judicial específico, quando provocada”, explicou, em nota.
Como consequência do afastamento de Edvaldo Neto, o Partido Liberal (PL) já garantiu que entrará com uma ação na Justiça Eleitoral para barrar a diplomação do prefeito eleito e do seu vice, que está marcada para a próxima segunda-feira (20). O presidente do PL na Paraíba, Efraim Filho, garantiu que a legenda também pedirá que o segundo colocado do pleito, Wallber Virgolino (PL), seja empossado como prefeito de Cabedelo. “A diplomação prevista precisa ser suspensa para evitar a perpetuação dessa organização criminosa no poder”, disparou o deputado federal.

- Wallber Virgolino perdeu as eleições, mas quer anulação | Foto: Reprodução/Instagram @walbervirgolino
Sessão movimentada
Durante a manhã de ontem, houve uma sessão ordinária na Câmara Municipal de Cabedelo. Diante das circunstâncias, o dia foi bastante movimentado na sede do Poder Legislativo do município, com a presença de vários correligionários do prefeito afastado e também da oposição.
O presidente da Câmara, José Pereira, presidiu a sessão e enviou toda a documentação para o departamento jurídico da prefeitura, a fim de que ele seja empossado como prefeito interino da cidade. A data da posse ainda será marcada.
ALPB
Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), a sessão ordinária de ontem também foi marcada por discussões sobre o tema. O deputado Wallber Virgolino, por exemplo, falou com a imprensa durante a sessão, classificando o episódio como “triste e deplorável”.
O parlamentar afirmou que sua assessoria jurídica já trabalha para a abertura de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) para reverter o resultado do pleito. “Vamos pedir a anulação das eleições por vício grave e, consequentemente, impedir a diplomação e posse [do eleito]. Vamos incluir nesse processo o vice-prefeito e o presidente da Câmara, que também vêm do mesmo grupo [e que] praticaram os mesmos vícios e foram beneficiados pelas mesmas práticas”, reforçou.
Já a deputada Cida Ramos (PT) criticou a realização das eleições, sugerindo uma intervenção “para que se possa discutir os interesses dos maiores prejudicados” — no caso, a população de Cabedelo. “O povo, sim, deu a maior demonstração de que não queria um candidato nem outro, quando [foi registrada] uma abstenção histórica, inédita”, criticou. A ausência a que a parlamentar se referiu foi a de 22.574 eleitores, o que representa uma abstenção de 42,33% do eleitorado apto a votar no município.
João Pessoa
Um dos investigados citados na Operação Cítrico é o chefe de gabinete da Prefeitura Municipal de João Pessoa, Rougger Guerra. Em nota, o auxiliar revelou estar surpreso em ser alvo dessa investigação e negou ter envolvimento em algum esquema de fraudes na cidade de Cabedelo.
“Esclareço, de forma categórica, que não tenho qualquer envolvimento com os fatos investigados, tampouco mantive qualquer relação com as situações apuradas”, disse o auxiliar da Prefeitura de João Pessoa.
No comunicado oficial endereçado à imprensa, Rougger Guerra também ressaltou que colocou o seu cargo à disposição do prefeito Leo Bezerra (PSB). Até o fechamento desta publicação, a reportagem não conseguiu confirmar se o prefeito iria acatar o pedido e exonerar o chefe de gabinete.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de abril de 2026.