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João Pessoa

Tribunal orienta PcD sobre votação

publicado: 21/10/2026 09h48, última modificação: 21/10/2026 09h48
Ação busca garantir que eleitor com deficiência tenha suas necessidades atendidas na hora de exercer a cidadania
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Surdo, Antônio Carlos (E) elogiou os mecanismos de acessibilidade da urna, como a existência de um intérprete de Libras | Foto: Roberto Guedes

por Bárbara Wanderley*

As pessoas com deficiência (PcD) que passaram pela Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), na manhã de ontem, puderam participar de uma simulação de votação na urna eletrônica e tirar dúvidas sobre o procedimento para o segundo turno das eleições, que ocorre no próximo domingo (25). A iniciativa do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) visa promover eleições mais inclusivas, garantindo que o eleitor com deficiência tenha suas necessidades atendidas na hora de votar.

A desembargadora Giovannna Mayer esteve na ação e destacou a importância do momento inclusive para pessoas do espectro autista. “É um momento muito importante, em que o TRE-PB pode trazer a urna eletrônica mais próximo do cidadão, especialmente de pessoas com deficiência, que podem treinar, ter o primeiro contato, entender como é que funciona todo o processo eleitoral, para que, no dia exato, no dia D da eleição, isso seja realizado da forma mais tranquila possível e mais acessível possível. A gente sabe que a previsibilidade é, inclusive, algo muito importante no público, por exemplo, de pessoas neurodivergentes e esse momento proporciona também essa função”.

Ela explicou que o eleitor com deficiência pode se cadastrar pelo site do TRE-PB no serviço Sou Pessoa com Deficiência. A partir dessa inscrição, são identificadas as possíveis necessidades do eleitor, como, por exemplo, um fone de ouvido para ser conectado à urna, permitindo que o deficiente visual possa escutar o seu processo de votação.

O assessor de Desenvolvimento do TRE-PB, Diógenes Paiva, explicou que, embora o cadastro de eleitores esteja suspenso desde maio, a atualização do cadastro para PcD pode ser feita a qualquer momento. “Nós temos uma base paralela que é migrada para base do cadastro após a abertura do cadastro. Então esse recurso ‘Sou PcD’ já está disponível. Hoje mesmo, quem quiser atualizar vai poder atualizar”, disse.

Giovanna esclareceu que pessoas com deficiências visíveis que porventura precisem de auxílio para votar podem entrar acompanhadas desde que conversem com o mesário ou presidente da mesa. “Mas para as pessoas que, por acaso, tenham uma deficiência oculta, o TRE-PB orienta que levem laudos que comprovem a condição e a necessidade de acompanhante, para impedir que aconteça algum tumulto, algum mal-entendimento da situação e fazer com que seja tudo mais fluido no dia da eleição”, acrescentou.

 

Simulação

Na Funad, duas urnas eletrônicas com programas de treinamento foram disponibilizadas para que os eleitores pudessem simular uma votação e entender como tudo funciona. Havia intérprete de Libras para os eleitores com deficiência auditiva e funcionários do TRE-PB à disposição para tirar qualquer dúvida.

Antônio Carlos gostou de participar da simulação. “Porque eu sou surdo. Então é um direito que todo mundo tem de votar e ter um intérprete. É muito importante que tenha um intérprete como no primeiro turno, em que foram cinco [cargos]. Eu queria saber se realmente o meu voto era válido na hora que eu estava dando o meu voto para deputado estadual. Eram muitas coisas, muitas informações, eu esqueci alguns números, não guardei a colinha no bolso, mas é importante ter o papel guardado e eu tenho que ter a minha ética para votar em cada um de forma secreta. Tudo confirmado no verde. Eu tive ajuda de outras pessoas, elas me orientaram. Não tem problema na hora que você vai votar, você escolhe seu candidato, presidente, governador, e eu fui vendo cada um e realmente eu vi que meus votos foram todos confirmados. O intérprete que fica na janelinha ia finalizando a cada votação minha”, contou.

Ele se referiu ao intérprete de Libras que aparece na tela da própria urna, em uma pequena janela no canto, e que é visível a todos os eleitores, mesmo os que não possuem deficiência. Para os surdos, o intérprete ajuda a confirmar os votos, já que eles não conseguem ouvir o barulho característico da urna.

A presidente da Funad, Simone Jordão, comentou que ficou muito feliz em receber a ação da Justiça Eleitoral. “Eu acho muito importante o TRE-PB definir junto com a equipe da Funad que o local seria apropriado para que a gente pudesse garantir às pessoas com deficiência uma participação mais efetiva agora no segundo turno, com acessibilidade, para que as pessoas consigam realmente chegar, para que o local a que essa pessoa chegue seja acessível, um local que garanta que a pessoa consiga exercer a sua cidadania. A gente está aqui para apoiar esse tipo de atividade”, comentou.

Através deste link, acesse a página Sou Pessoa com Deficiência

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de outubro de 2026.