A Parahyba 103.9 FM cunhou mais um marco histórico na última quinta-feira, 22 de janeiro, quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os indicados ao Oscar 2026. Como gerente executivo da emissora integrante da EPC, instiguei a equipe a convidar atores e atrizes da Paraíba que integram o elenco de O Agente Secreto para acompanhar conosco, no estúdio, ao vivo, o anúncio dos concorrentes ao maior prêmio de cinema da indústria.
Quem acompanha as redes sociais já percebeu que as redações de rádio, TV e portais fazem de anúncios como o do Oscar verdadeiras festas de torcida. No linguajar da internet, são os chamados “reacts”, e a ideia era ter essa reação por parte da equipe da Parahyba FM e de atores do filme no calor da emoção, quando fosse mencionado O Agente Secreto.
Joálisson Cunha e Fafá Dantas aceitaram o convite e ajudaram a Parahyba FM a fazer história na imprensa paraibana ao ser a única emissora do estado (talvez até do Brasil) a contar com a presença de integrantes do elenco do filme indicado pelo Brasil a disputar o Oscar.
Foi assim que os dois vibraram, junto com a gente, a cada uma das quatro categorias pelas quais o filme de Kleber Mendonça Filho foi nomeado: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (para Wagner Moura) e Melhor Escalação de Elenco (vi também alguns portais chamarem de Melhor Direção de Elenco), esta, uma categoria nova.
Em inglês, a categoria se chama “Casting”. Casting se refere ao ato de escalar um elenco, portanto, a indicação vai nominalmente para Gabriel Domingues, diretor de elenco de O Agente Secreto. Porém, na minha leitura, o prêmio é o mais coletivo de todos, pois representa o esforço de todo um elenco, que, no caso do filme brasileiro, chega a 70 artistas em tela, dos quais oito são paraibanos e, com orgulho, gosto de dizer que são oito atores indicados ao Oscar (via Casting).
Oito? Não, pera! No estúdio, Joálisson Cunha, arquiteto de formação que também integra o elenco da série Cangaço Novo, da Prime Video, fez uma revelação acerca do elenco: na ponta do lápis, seriam dez paraibanos em tela. O personagem de Joálisson está na sequência inicial, a do posto de combustíveis, onde Marcelo (Wagner Moura) estaciona seu Fusca amarelo para abastecer. Joálisson é o frentista que vem atendê-lo (internamente, o paraibano deu ao seu personagem o nome de Tota).
Nessa sequência, quase um curta-metragem com começo, meio e fim, há um corpo estendido no chão, do qual se veem apenas os pés, afinal está coberto com um papelão. Lá há um figurante sem rosto. Ele se chama Lucas Pontes e é morador de Pedras de Fogo, aqui na Paraíba, onde foi rodada a sequência.
Joálisson viu quando Lucas e o irmão, Thiago, se preparavam para se revezar embaixo do papelão, sob o sol escaldante da região. Os dois chegaram a ser maquiados nos três dias de gravação, porém só Lucas participou da cena, como ele próprio afirmou ao meu amigo Carlos Câmara, do perfil Cinematographico7, no Instagram. Lucas confidenciou, ainda, que Thiago faria a cena em que o morto se levanta. Acontece que, no dia da gravação, caiu uma chuva e a sequência teve que ser reagendada para outro dia, em outro local e com outro ator.
Na mesma cena, aparecem dois policiais rodoviários, dispostos a extorquir Marcelo em pleno carnaval de 1977, quando se passa a história. Um deles também é paraibano, Márcio de Paula, que, após inspecionar o veículo em busca de irregularidades e não encontrá-las, joga para o personagem de Wagner Moura: “Ô cidadão, o senhor não quer inteirar a caixinha de carnaval do policial, não?!”.
Além de Joálisson (frentista), Fafá (Das Dores) e Márcio (policial rodoviário), compõem o elenco Buda Lira (Anísio, que apresenta a repartição a Marcelo), Suzy Lopes (Carmen), Cely Farias (creditada como “Mulher no Depoimento”, alusão ao caso real do menino Miguel, morto ao cair no fosso de um elevador no Recife, em 2000), Beto Quirino (o guarda noturno pego em flagrante nos arquivos da repartição) e Flávio Melo (um pastor que aparece na praça).
Eu ainda faço uma adição paraibana à produção brasileira: assim como em Bacurau (2019), quando Kléber Mendonça utilizou a canção “Réquiem para Matraga”, de Geraldo Vandré, emO Agente Secreto está Zé Ramalho, com quatro faixas do mítico LP Paêbirú (1975), dele e Lula Côrtes: “Harpa dos Ares” — que toca logo no início do filme —, “Trilha de Sumé”, “Culto à Terra” e “Bailado das Muscarias” (que entraram como pot-pourri no LP da trilha).
Nos microfones da 103.9, Joálisson Cunha e Fafá Dantas revelaram alguns projetos novos, entre eles Susana, curta de Eric Luna em que os dois atuam juntos (Joálisson, inclusive, fez a preparação de elenco). O ator também vai estrelar a minissérie Delegado, ao lado de Tânia Maria, potiguar elogiada por seu desempenho em O Agente Secreto, e na 2ª temporada de Cangaço Novo, que estreia em abril. Os novos projetos de Fafá são os curtas Hipocondríaco, de Paulo Roberto e Heleno Florentino, e Aláfia, de Cecília Fontenele.
*Coluna publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de janeiro de 2026.