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Drama, suspense e Kate Winslet acima do peso

por publicado: 01/06/2021 08h00 última modificação: 31/05/2021 10h25


Chegou ao fim, na noite do último domingo, uma das melhores minisséries da temporada:
Mare of Easttown (sem tradução em português). Título semanal, com sete episódios levados ao ar desde de abril pela HBO (e agora disponível, na íntegra, através do aplicativo HBO Go), tem como carro-chefe uma Kate Winslet no que é apontado como um dos melhores papéis de sua carreira. É que aos 45 anos, a atriz britânica, famosa por filmes como Titanic e O Leitor (que lhe valeu um Oscar), consegue incorporar as dores e as tridimensionalidades da policial Mare Sheehan, mãe, avó e profissional que vê sua vida desmoronar enquanto realiza investigações na cinzenta e sem graça cidadezinha do interior da Pensilvânia.

“Mare é uma mãe e uma avó que chega em casa depois de um dia de trabalho, põe os pés em cima da mesa e acrescenta mais queijo a uma bolinha de queijo para comê-la. É uma mulher que não tem tempo para bobagens, uma rabugenta de quem você não consegue deixar de gostar”, descreveu o criador e diretor da série, Craig Sobel, em uma entrevista ao portal EW.

A policial Mare tem que lidar com os ossos do ofício enquanto enfrenta não uma, mas uma série de dramas pessoais: além de ter sua competência questionada por uma mãe, cuja filha está desaparecida há um ano sem que a polícia tenha qualquer pista, ela, simultaneamente, lida com o ex-marido que mora na casa vizinha a dela (e com a noiva) e com a morte trágica de um filho, que deixou um pequeno neto para a jovem avó, que passa a disputá-lo com a ex-nora, viciada em drogas, além de costurar os atritos com a filha e com a própria mãe, que mora com ela.

É nesse contexto que Kate Winslet constrói sua personagem, uma policial destroçada, incapaz de se deixar abalar, mas que não pode ver uma cerveja gelada por perto que entorna, e mesmo completamente despida de vaidade - está acima do peso, não usa maquiagem, se veste tão sensualmente quanto um lenhador das montanhas - e sem um pingo de sex appeal, é cortejada simultaneamente por um escritor de meia-idade (Guy Pearce) e pelo jovem colega policial (Evan Peters), destacado para ajudá-la na solução de crimes.

Reza a lenda que após apresentar as primeiras cenas do seriado à diretoria da HBO, os criadores da série foram questionados se Winslet precisava aparecer tão baranga na tela, ao que ela própria, uma das produtoras de Mare of Easttown, respondeu, na lata: “Tenho 45 anos, pareço acabada de vez em quando. É assim que é a vida da maioria das mães da minha idade”.

Tempera a trama o assassinato de uma mãe adolescente, encontrada morta no leito de um rio, um crime repleto de mistério em que sobram suspeitos, mas faltam pistas. E o caso, claro, cai no colo da exausta Mare, que não mede esforços para desvendá-lo, seja dentro ou até mesmo fora da lei.

Aliás, há bastantes personagens na trama, o que dá uma boa embaralhada na lista dos suspeitos e torna cada episódio, eletrizante. Aliás, além da performance digna de prêmio de Kate Winslet (ela já desponta como uma das grandes favoritas do Emmy, em setembro), o roteiro, bem amarrado, aproveita todo esse elenco periférico, que orbita em torno de Mare, com boa maestria.

O sucesso de Mare of Easttown também consagra a HBO como a produtora dos melhores títulos de história policial dos últimos anos. Enquanto a Netflix foca em produções com cunho mais juvenil, acertando, vez ou outra, numa trama empolgante, como é o caso de La Casa de Papel, e a Amazon Prime foca em reality shows e títulos de terror e fantasia (vide Them, American Gods, Nos4a2, Utopia etc.), a HBO tem entregado dramas policiais consistentes, com enredos que prendem a atenção com muito mistério e suspense.

São dessa leva, por exemplo, Objetos Cortantes (2018), que também apresenta uma Amy Adams em grande momento, Big Little Lies (2017-2019), que já rendeu duas ótimas temporadas, e The Undoing (2020) - esses dois título estrelados por Nicole Kidman - sem falar em True Detective que, lançada em 2014, que até aqui já deu três temporadas. Ótimos títulos para quem gosta de roer até as unhas dos pés!

*Coluna publicada originalmente na edição impressa de 01 de junho de 2021
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