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Jason, de vítima a monstro

por publicado: 02/11/2021 08h00 última modificação: 03/11/2021 10h46
As várias “evoluções” e máscaras do ícone do terror Jason, do segundo ‘Sexta-feira 13’ até ‘Jason X’

As várias “evoluções” e máscaras do ícone do terror Jason, do segundo ‘Sexta-feira 13’ até ‘Jason X’

por André Cananéa*

Domingo passado, 31 de outubro, nosso Brasilzão colonizado culturalmente pelos Estados Unidos de Hollywood e da Disney embarcou na onda do Dia das Bruxas. Sem a cultura de sair fantasiado, bater na porta do vizinho e inquiri-lo entre uma gostosura ou uma travessura, sobra ao brasileiro sentar-se no sofá e assistir a um filme ou uma série de terror, comendo pipoca e tomando suco de mangaba. Bem, eu fiz isso…

Escolhi (re)ver a cinessérie Sexta-Feira 13 (o que me tomou mais de um dia, na verdade), um a um, do primeiro ao oitavo filme da série que rendeu, em quase 30 anos, 10 filmes, uma refilmagem e um crossover, quando o famoso vilão Jason esteve cara a cara com seu colega de cinema de horror, Freddy Krueger, de outra cinessérie consagrada, A Hora do Pesadelo.

Sexta-feira 13, sobre a ascensão e queda de Jason, ou seja, de quando ele passa de vítima a vilão, se tornou uma das franquias mais lucrativas do cinema, dentro de um subgênero conhecido como slasher, cuja fórmula inclui grupos de jovens sendo esquartejados por um psicopata desvairado. A receita inclui nudez e sangue jorrando aos borbotões. De quebra, os filmes lançaram um dos serial killers mais queridos de todos os tempos que, com sua inconfundível máscara de hóquei, deu origem a um sem número de produtos, de brinquedos a enxoval de cama.

Entre os oito filmes que eu vi, dois ou três se salvam. O primeiro – que surgiu a reboque do sucesso inesperado de Halloween: A Noite do Terror, lançado dois anos antes – ainda é um bom filme que mistura, com habilidade, terror e suspense, muito inspirado em um tipo de thriller europeu conhecido como giallo.

Em Sexta-Feira 13 (1980), dirigido por Sean S. Cunningham e estrelado por uma cinquentona Betsy Palmer (1926-2015) – ela fez bastante sucesso na TV americana na primeira metade do século passado – não há o Jason conforme sacramentado no imaginário pop (essa figura só aparece, de fato, no terceiro filme). É sobre uma série de assassinatos que começam a ocorrer no acampamento onde, anos antes, uma criança morreu afogada por displicência dos monitores do lugar. Essa criança era o Jason.

Curiosamente, Sexta-Feira 13 foi projetado para terminar no quarto filme. O serial killer aparece no segundo filme, ganha a famosa máscara no terceiro e no quarto ele morre (o título, por sinal, é Sexta-Feira 13, Parte 4: O Capítulo Final). Assim como o primeiro, o quarto filme se salva nessa fase, com destaque para a presença de um jovem Corey Feldman, que apesar da pouca idade (ele tinha por volta de 13 anos), já possuía um longo currículo e que, logo após o filme de terror (de 1984), faria clássicos como Os Goonies (1985), Conta Comigo (1986) e Os Garotos Perdidos (1987).

Aí vamos ao segundo bloco. O fraquíssimo Sexta-Feira 13, Parte 5: Um Novo Começo (1985) não ressuscita Jason, mas trabalha com um imitador do psicopata. Sexta-Feira 13, Parte 6: Jason Vive (1986) acaba sendo o melhor filme da franquia por não se levar a sério e descambar na comédia, com várias gags e situações bizarras. Aqui, Jason é ressuscitado através de um raio (bem à Frankenstein) e passa a se portar como um zumbi-monstro, algo que será bastante explorado nos próximos filmes.

O sétimo e o oitavo, dois desastres completos. A Matança Continua (1988) apela para uma reciclagem de Carrie, A Estranha (1976), ao colocar uma moça sensitiva para encarar o monstro. E Jason Ataca Nova York (1989), bem, basta dizer que a maior parte do filme se passa em um barco (?!), o vilão ganha um inexplicável poder de teletransporte (??!!) e consegue passar completamente despercebido pelas ruas da Big Apple (???!!!).

Vi os oito filmes em DVD, edições acompanhadas por entrevistas, cenas de bastidores e até cenas excluídas com muito sangue (os excessos foram podados pela censura norte-americana dos anos 1980, bem mais conservadora do que hoje em dia).

No catálogo de streaming, só achei o Sexta-Feira 13 original e os dois últimos da franquia, Jason vai para o Inferno: A Última Sexta-Feira (1993) e Jason X (2001) – que leva o vilão ao espaço (????!!!!) – no catálogo do HBO Max. Quem sabe até o Dia das Bruxas de 2022 eu não conclua essa saga?

*Coluna publicada originalmente na edição impressa de 02 de novembro de 2021.

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