Contraste

Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Colunistas > Gi com Tônica (por Gi Ismael) > #137 "Respeita minha Paraíba!"

Notícias

#137 "Respeita minha Paraíba!"

por publicado: 29/06/2022 08h00 última modificação: 29/06/2022 08h39
Foto: Reprodução/Instagram Ex-BBB, Juliette realizou o seu primeiro show solo em Campina Grande

Ex-BBB, Juliette realizou o seu primeiro show solo em Campina Grande

*por Gi Ismael

Parque do Povo, Campina Grande, 24 de junho de 2022. Um público estimado de 100 mil pessoas prestigiando o grande retorno de uma das mais importantes festas da Paraíba: o Maior São João do Mundo! Um empurra empurra com respeito, fãs com faixas na cabeça, cartazes, balões verdes e desenhos de cactos por todos os lados… Sim, Juliette estava chegando para entregar um dos shows mais esperados do mês junino. Advogada, maquiadora, cantora, artista!

“Meu nome é Juliette, sou filha de Campina Grande e essa é a minha casa!”, disse quando subiu ao palco do Parque do Povo. A emoção dela e de quem estava presente era nítida. Mas antes de falar do show em si, vamos fazer um recapitulando?

Olha que história de filme. Uma mulher nordestina, de contexto humilde, entra no maior reality show do Brasil. Dentro e fora do programa, é vítima constante de xenofobia, tem suas capacidades e credenciais colocadas em dúvida, vai de vilã a mocinha em duas semanas. Dá murro em ponta de faca, se lasca, mas, eventualmente, vence. Mostra suas inúmeras falhas e também suas qualidades. Isso tudo em, o quê? Três meses? Era uma trama desenrolada em tempo real e que tomava uma proporção icônica; do lado de fora das câmeras, Juliette se tornava uma das participantes mais influentes da história do programa.

Quem disse que aquela fama era fake e que tudo logo sumiria, viu Juliette crescendo cada vez mais, mesmo fora do Big Brother Brasil. Ela continuou tendo que provar sua capacidade dia após dia. Capacidade como compositora, capacidade como cantora, capacidade como influenciadora… E eu sei que estamos falando de uma mulher branca, de beleza padrão. Que se fosse negra ou indígena, a história, muito provavelmente, não teria sido metade do que foi. Mesmo assim, é inegável como é massa toda essa trilha de Juliette e como suas batalhas e lutas, desde criança, são válidas.

Acho fantástico como Juliette continuou com boa parte da sua equipe paraibana (assessores, fotógrafo, diretor musical…). Como contratou apenas músicos daqui para compor sua banda, que atualmente faz turnê nacional. Como começou a escrever suas próprias músicas e hoje vê uma multidão cantando junto, seja no São João ou em São Paulo.

Em seu primeiro show solo em Campina Grande, Juliette relembrou os tempos em que a própria estava ali, como público. Cantou clássicos do forró com arranjos encorpados, celebrou Luiz Gonzaga, cantou músicas de Gilberto Gil, Zé e Elba Ramalho, Chico César. Tocou triângulo, dançou os “quads” novo e tradicional: quadrilha e quadradinho.

Queria ter estado lá. E acho que essa sensação é uma das que todo artista busca: a conquista de quem esteve presente e a perpetuação de sua arte, ou seja, a ansiedade pela próxima oportunidade de assistir a apresentação ao vivo.

Juliette segue, sim, arrasando.


*Coluna publicada originalmente na edição impressa de 29 de junho de 2022.

Av. Chesf - Distrito Industrial, 451. João Pessoa - PB. CEP 58082-010
CNPJ 09.366.790/0001-06