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#96 ‘Legendary’ tem estreia prevista para este mês no Brasil

por publicado: 16/06/2021 09h13 última modificação: 16/06/2021 09h13
No ‘reality’ que invoca a cultura dos bailes de ‘vogue’, não vai faltar talento, glamour, sensualidade e muito carão

No ‘reality’ que invoca a cultura dos bailes de ‘vogue’, não vai faltar talento, glamour, sensualidade e muito carão


Mais um serviço de streaming, mais um conteúdo exclusivo: com a chegada da HBO Max no Brasil, a nova temporada do reality de competição Legendary tem estreia prevista para o final deste mês aqui no País. Talento, glamour, sensualidade e muito carão não faltam nesta continuação da série que trouxe a cultura underground dos bailes de vogue (ou voguing) para o mainstream.

Legendary é instigante desde sua sequência de abertura, que conta com cenas e coreografias deslumbrantes no melhor estilo Climax (2018), de Gaspar Noé. Neste competição televisionada, os cinco elementos do voguing são avaliados: performance de mãos, catwalk (andar do gato ou passarela), duckwalk, (andar do pato), dips (mergulhos), a performance de chão e piruetas.

Falei grego? Bem, antes de mais nada, é indispensável que você assista ao documentário Paris Is Burning (1990) para mergulhar a fundo nas origens e características da cultura de ballroom e drag da metrópole Nova York e do mundo. O longa dirigido por Jennie Livingston acompanha e entrevista a comunidade queer durante os preparativos e apresentações nas noites de competição. Décadas depois, essa manifestação artística está cada vez mais forte e você pode acompanhar como são os bailes na atualidade através do canal do YouTube Paris Ballroom TV ou, se for da sua praia, no TikTok @bestofvogue.

Voltando ao nosso tópico principal: cada uma das dez casas que disputam o grand prix de Legendary deve criar suas coreografias, bolar as roupas e dançar como se fosse seu último dia na Terra. Enquanto o reality de competição RuPaul’s Drag Race bebeu de fontes da cultura ballroom (“the category is…”, “tens across the board”, “get the chop” tudo isso vem daí) para criar sua própria atmosfera cômica e multitarefas, com desafios de atuação, costura, dublagem, canto e muito mais, Legendary é realmente um baile que saiu do alternativo e chegou num estúdio com orçamento da HBO. Ou seja: iluminação profissional, figurinos, cabelos e maquiagens mais refinados e uma grande equipe para executar as ideias.

A segunda temporada traz de volta o diverso corpo de jurados formado pelo designer Law Roach, a atriz Jameela Jamil, a rapper Megan Thee Stallion e a icônica Leiomy Maldonado, um dos mais importantes nomes da cultural ballroom, além de Dashaun Wesley como apresentador. Oito episódios já foram transmitidos fora do Brasil, somados a outros nove da primeira temporada. Enquanto a estreia não chega por aqui, lá no YouTube você assiste praticamente todas as apresentações que passaram pelo palco do programa.

Assim como nos anos 1980, muitas casas de vogue são também abrigos para pessoas LGBTQIA+ em situação de risco. É comum assistir depoimentos no reality que contam a jornada de algum ex-morador de rua que teve sua vida salva pela família de consideração. Em Legendary, é predominante a presença de quem, de fato, criou essa cultura alternativa décadas atrás: as comunidades negra e latina dos guetos norte-americanos. O que torna a competição ainda mais especial é que os participantes vêm, de fato, do ambiente do ballroom. As casas que fazem parte da disputa existem de verdade e, apesar da repercussão que ganhou na mídia nos últimos anos, ainda é extremamente difícil viver da marginalizada arte do voguing.

*Coluna publicada originalmente na edição impressa de 16 de junho de 2021.

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