Estamos na semana do Oscar, as pessoas estão se organizando para apostar em seus bolões ou correndo para assistir os últimos filmes da sua lista. Isso para quem acha o Oscar interessante, claro. Quem está atento ao prêmio costuma elaborar duas listas: a de quem vai ganhar e a de quem merece ganhar.
E este ano tem duas particularidades interessantes. A primeira é a de que é um ano bem melhor que o ano passado no conjunto de filmes. O Oscar 2025 tinha bons filmes, mas nosso Ainda estou aqui bem acima (na humilde opinião do colunista, óbvio). A edição 2026 tem um bom número de grandes filmes: Uma batalha após a outra, Pecadores, Hamnet – A vida antes de Hamlet, Valor sentimental estão muito acima de quase todos os indicados do ano passado.
A segunda coisa é que (talvez por causa disso) é um ano mais equilibrado e imprevisível em várias categorias.
Já há uma sombra, por exemplo, no favoritismo outrora absoluto de Uma batalha após a outra para ganhar como melhor filme. Pecadores teve dias de crescimento na campanha, evidenciado principalmente pelas duas vitórias importantes no Actor Awards: melhor elenco e melhor ator para Michael B. Jordan.
Será que é o suficiente para virar o jogo na categoria principal?
Talvez não, mas parece mais provável de acontecer na categoria de melhor ator. No começo da temporada, havia uma indecisão, mas as coisas pareciam se encaminhar para Timothée Chalamet por Marty supreme. Mas Chalamet não ganhou Bafta e nem o Actor Awards, mostrando que não há um grande favorito.
Assim, terá Michael B. Jordan ocupado essa dianteira? Ou a perda de votos de Timothée Chalamet pode acabar causando a vitória de uma terceira via: nosso Wagner Moura por O agente secreto?
Sobre torcida, claro que estamos todos querendo que o filme de Kléber Mendonça Filho ganhe tudo o que conseguir, mas é preciso ser realista: é um ano difícil.
Até para filme internacional, a amostragem do Oscar 2026 está especialmente interessante. O agente secreto é um dos favoritos, mas seu oponente principal é um colosso: Valor sentimental, de Joachim Trier E não se pode desprezar Foi apenas um acidente, de Jafar Panahi, que derrotou os dois em Cannes e ficou com a Palma de Ouro.
Para melhor atriz, a irlandesa Jessie Buckley está com as mãos no Oscar – se perder, será uma das maiores zebras da história do prêmio. Seu papel em Hamnet é impressionante e comoveu as plateias. Haverá os que prefiram Rose Byrne por Se eu tivesse pernas, eu te chutaria, mas acho que não serão tantos assim.
Para as categorias de coadjuvante, é o contrário: tudo pode acontecer.
Para melhor ator coadjuvante, prêmios já foram dados para Stellan Skasgard (Valor sentimental) e Sean Penn (Uma batalha após a outra) – e não podemos desprezar o avanço de Pecadores, se não vai sobrar para Delroy Lindo.
Para atriz coadjuvante, a indecisão é ainda maior. Amy Madigan (A hora do mal), Teyana Taylor (Uma batalha após a outra) e Wunmi Mosaku (Pecadores) já ganharam prêmios na temporada e qualquer uma pode sair com a estatueta no domingo.
Uma categoria que parece definida é a de filme de animação, na qual Guerreiras do k-pop é o favoritaço. Deve ganhar, inclusive o prêmio de melhor canção original. Não vai dar mesmo pra Zootopia 2.
Para melhor direção, a situação é a mesma que apontei lá atrás. Paul Thomas Anderson deve finalmente ser reconhecido por Uma batalha após a outra. Ryan Coogler, que parecia não ter chance começou a ser apontado como possibilidade, ancorado no recorde histórico de indicações alcançado por Pecadores.
Vai ser um Oscar bem interessante de assistir.
Desta vez, várias categorias vão apontar o vencedor dos bolões nas reuniões de amigos assisitindo ao prêmio. No seu bolão, você aposta em quem vai ganhar ou em quem você quer que ganhe?
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de março de 2026.
