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Um convite para o caminho invisível

publicado: 27/02/2026 09h05, última modificação: 27/02/2026 09h05

por Sandra Raquew Azevêdo*

Na próxima quarta-feira, dia 04 de março, eu lanço meu primeiro livro de crônicas, O Caminho Invisível (Ed. Marca da Fantasia). Essa crônica de hoje é um texto convite a você leitor. O evento começa às 19h, na Livraria A União, que fica localizada no Espaço Cultural.

A jornada até aqui foi longa e repleta de muitos trechos desafiadores da vida de mulher que vive atravessada pelo ato de escrever. Inicialmente como jornalista, e posteriormente como docente e pesquisadora.

Em 2019, o jornalista Phelipe Caldas me ligou fazendo uma pergunta, um convite. Sobre a disponibilidade para escrever uma coluna semanal para o Jornal A União.   A pergunta dele me colocou diante de um dilema: de me colocar como mulher escritora, cronista.

Agradeço muito a sensibilidade de Phelipe e o convite que me trouxe para A União, que significa uma escola importante de jornalismo, e um espaço de fomento à literatura paraibana.

Num mundo em que a escrita se dilui pela plataformização da vida cotidiana e se invisibiliza na opacidade dos algoritmos, acho verdadeiramente uma dádiva escrever, especialmente com lápis, folha, caderno, bloco de notas, guardanapos, giz... e no computador.

O Caminho Invisível registra um momento desta jornada, em que me organizo para um tempo de estudos em Portugal, e decido continuar escrevendo semanalmente as crônicas. Quando retornei percebi que ali havia um livro. Crônicas de viagem que tratam de questões que nos movem no dia a dia, que promovem deslocamentos e transformações em nosso viver. Os detalhes vocês lerão no livro!

A jornada de quem escreve não é fácil. Por isto agradeço muito as minhas primeiras leitoras, minha mãe Francisca e minha irmã Suely, por acolherem com amor as primeiras palavras escritas em pequenas folhas e cartões de aniversário, Dia das Mães e Natal.

Tive uma alfabetizadora bem rígida, Dona Luzia Nóbrega, em um tempo que se usava palmatória.  Mas ela sempre olhou com ternura para minha caligrafia muito difícil, que só seria um pouco mais legível na juventude.

No ensino médio fui aluna de uma professora chamada Socorro Vieira, totalmente incrível e inspiradora, que trazia para as aulas de Português a beleza das canções de Gonzaguinha, Djavan, as polêmicas da Semana de 22, e nos dava espaço para criar e se expressar sem medo. Aprender com as canções populares me anima até hoje.

Certo vez, no início da adolescência, eu li uma crônica maravilhosa chamada Meu ideal seria escrever, de um dos mestres da crônica brasileira, o Rubem Braga. Ali senti um pertencimento muito grande e me vi tomada pelo ideal de escrever. E continuei lendo homens e mulheres cronistas, como a Rachel de Queiroz e a Clarice Lispector.

Até chegar a este lugar de mulher que escreve, hoje sem tanto medo e timidez, foi um percurso imenso que envolveu dores, luto, transformações e alegrias.

Escrever é também abraçar um pouco a nossa própria solidão, e em outros momentos celebrar a partilha das palavras como se fosse um pão nosso de cada dia.

A coragem para escrever veio também da fonte das palavras escritas por outras mulheres cronistas e escritoras, especialmente as da minha terra, a Paraíba. Elas são uma grande inspiração para mim e motivo de orgulho. Uma delas inclusive, a Ana Adelaide Peixoto Tavares, me presenteou com o prefácio lindo neste meu primeiro e estará conosco no lançamento.

Contei com o precioso apoio do Henrique Magalhães (Editora Marca da Fantasia) e Carlos Azevêdo Filho, na edição, de Luyse Costa que ilustrou lindamente as crônicas e Ana Coutinho que sempre me incentivou a escrever e publicar.

Desejo sinceramente que “O Caminho Invisível” seja para leitores e leitoras um convite para se expressar com leveza, amorosidade, generosidade. Uma experiência para celebrar o milagre que é viver.

*Coluna publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de fevereiro de 2026.