A Paraíba deve registrar uma redução de cerca de 9% na oferta de voos previstos para maio, segundo informações recentes divulgadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A queda está relacionada aos sucessivos reajustes no preço do querosene de aviação (QAV), que impactam diretamente o setor aéreo e o bolso dos passageiros.
Entre os estados com maior redução proporcional de voos em maio, a Paraíba aparece entre os cinco primeiros: Amazonas (-17,5%), Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9%) e Paraíba (-8,9%).
A diminuição na malha aérea preocupa não apenas as companhias, mas, principalmente, os consumidores. Com menos voos disponíveis, a tendência é de passagens mais caras e menor flexibilidade de horários. Na mais recente atualização do painel de tarifas do setor aéreo da Anac, com números de março de 2026, foi registrado um aumento de 17,8% em relação à tarifa de março de 2025.
A percepção desse cenário já é sentida por quem está planejando viajar. A jornalista Bruna Fernandes, por exemplo, mantém o hábito de organizar ao menos duas viagens por ano. Ao começar a pesquisar passagens para o segundo semestre, com destino ao Rio de Janeiro, ela deparou-se com preços acima do esperasedo. “Demos uma olhada rápida, mas já achamos mais caras”, relatou.
O comandante de embarcação, Ítalo Pedrosa, estava no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, da Região Metropolitana de João Pessoa, na manhã de ontem, e relatou que também notou essa subida. “Realmente houve um aumento, já foi repassado integralmente para a gente, enquanto consumidor. E as perspectivas futuras também são terríveis, já que tem esse panorama de aumento de preço do QAV”, afirmou.
Para quem pretende viajar diante desse contexto, a dica principal é não ficar preso a datas fixas. Foi isso que explicou a professora da área de Finanças da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Valéria Saturnino. “Geralmente, os voos são mais caros saindo na sexta-feira ou na quinta- -feira e retornando na segunda ou terça-feira. Então, ter uma flexibilidade de poder voar na terça ou na quarta- -feira é interessante para conseguir preços mais baratos”, pontuou. Outro fator que faz diferença é a busca antecipada. “Hoje em dia, existem diversas ferramentas de apoio à pesquisa, como o Google Flights e o Skyscanner”.
Setor aéreo
Segundo a assessoria da empresa Aena, que administra o Aeroporto Castro Pinto, em março deste ano, 520.458 passageiros passaram pelo terminal, com um total de 4.535 voos. A empresa também explicou que os dados sobre os trechos que possivelmente serão suprimidos são definidos pelas próprias companhias aéreas.
Já o supervisor Wendel Leão, da empresa Gol Linhas Aéreas, esclareceu que não há nenhuma informação sobre a redução da malha aérea na Paraíba. “Se a Anac divulgou essa expectativa, então provavelmente já está tendo um trabalho interno para isso, mas ainda não recebemos essa comunicação”, detalhou.
Causas
O QAV representa uma das principais despesas das companhias aéreas, cerca de 30% do custo da aviação, de acordo com o economista Cássio Besarria. Conforme explicou, a causa da redução do número de voos passa justamente pelo aumento nos custos dessas rotas com o início do conflito entre Israel, Irã e Estados Unidos. “O preço da commodity petróleo aumentou aproximadamente 44% no mercado internacional e isso fez com que todos os combustíveis derivados do petróleo também passassem por alteração, entre eles o querosene. Agora, em abril, houve um reajuste de 55% no querosene de aviação”.
A expectativa do setor é de que, enquanto os preços do combustível permanecerem elevados, o mercado aéreo continue enfrentando ajustes, com impacto direto sobre passageiros e a economia regional. “A gente percebeu que naqueles períodos em que foi decretado uma interrupção no conflito, os preços do petróleo caíram muito rapidamente. Então é uma sinalização de que, uma vez finalizada a guerra entre esses países, é bem provável que os preços retornem para a casa dos dois dígitos. Já que no início do conflito o preço do barril do petróleo estava em em torno de 70 dólares e, em março, chegou ao seu máximo, a 112 dólares”, explicou Cássio Besarria.
Brasil
Dados da Anac indicam que mais de dois mil voos foram cancelados no país para maio, resultando na redução de cerca de 10 mil assentos diários, principalmente em rotas de menor retorno e em regiões do Norte e Nordeste.
A equipe de reportagem do jornal A União entrou em contato com a assessoria da Anac em busca de mais detalhes sobre as mudanças no estado, mas não obteve resposta. A assessoria da Gol Linhas Aéreas orientou que a demanda fosse encaminhada à Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abaer), que informou não possuir esses dados.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de abril de 2026.