Os brechós que vendem roupas infantis, em João Pessoa, registram, no período junino, movimentação intensa. Impulsionados pelas festinhas de São João das escolas, além das comemorações familiares e outros eventos da época, os pais e responsáveis saem em busca de roupas específicas para as crianças dançarem quadrilha e aproveitarem os festejos.
Para Thayane Gonçalves, proprietária da franquia Cresci e Perdi, o período destaca-se como um dos mais fortes do ano em volume de vendas. “Acho que chega a ser melhor do que o Natal. Estou aqui há cinco anos, sou de São Paulo, e lembro que, no primeiro ano, fiquei muito impressionada com isso. Não é à toa que é chamado de ‘maior São João do mundo’”, comentou.
Ela contou que, devido à grande demanda, organizou um evento no fim do mês de maio, em que preencheu o espaço da loja apenas com roupas juninas. “Desde maio, os clientes estão vindo em busca, principalmente por causa das festas escolares, que pedem bastante”, observou.
Camisas xadrez, vestidos juninos, acessórios e botas são os itens mais procurados no estabelecimento nesta época do ano. “Como já tem essa procura muito alta, a gente acaba dedicando alguns dias para reformular a loja, retirar alguns produtos e colocar esses que estão em maior demanda. Em maio, colocamos muitas araras, eram mais de 25 só com vestidos juninos, camisas xadrez, então a maior parte dos clientes que vieram nesses dias de evento procuravam esses produtos”, lembrou.
A vendedora Ellen da Silva, do brechó Soul Baby, contou que a loja também realiza eventos nessa época do ano. “A gente fez uma ação, que foi colocar todas as peças juninas em loja, porque, por sermos um brechó, recebemos muitas peças juninas. Gravamos um vídeo de divulgação, e muitos fornecedores foram trazendo”, afirmou.
Ela explicou que o brechó recebe roupas que os clientes não querem mais, ou por não caber mais nas crianças, ou por não querer repetir as mesmas roupas de anos anteriores, fazendo, assim, as peças circularem. Além disso, é uma opção bem mais econômica.
“A gente recebe também muitas peças de lojistas. Sempre buscamos comparar com os valores de mercado, para ficar abaixo. A gente tenta colocar o mínimo possível, para conseguir atingir todos os públicos de clientes. Avaliamos todas as peças que têm uma valorização única, em relação a marcas e tudo mais. Teve vestidos que estavam por R$ 39, camisa xadrez tinha de R$ 18, R$ 26. Então vai muito das peças mesmo, Teve mãe que acho que, com menos de R$ 100, conseguiu levar o vestido, a bota e o laço”, contou.
Valéria Meira, que estava comprando uma roupa junina para o neto, achou que os preços estavam bem razoáveis e contou que, apesar de ter procurado em lojas tradicionais, foi apenas no brechó que encontrou o tipo de roupa que queria.
“Já rodei em todas as lojas de João Pessoa e não encontro, de jeito nenhum, uma roupa para ele. Porque tinha que ser um macacão, aí só encontrei aqui. As roupas daqui são muito higienizadas. Então eu lavo quando chegar em casa, e está tudo certo”, comentou ela, acrescentando que, apesar de ter apenas dois anos, o neto vai curtir o São João de Campina Grande com essa roupa.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de junho de 2026.