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boom nas vendas

Carros eletrificados caem no gosto dos paraibanos

publicado: 28/05/2026 10h01, última modificação: 28/05/2026 10h01
Número de veículos emplacados mais que dobrou em 2024 e 2025 no estado
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Avanços tecnológicos, aumento dos combustíveis e incentivos fiscais impulsionam demanda | Foto: Evandro Pereira

por Bárbara Wanderley*

Os veículos eletrificados — categoria que inclui modelos híbridos e também os 100% elétricos — caíram no gosto dos paraibanos. Dados do Departamento Estadual e Trânsito da Paraíba (Detran-PB) mostram que, em 2024 e 2025, a quantidade de carros eletrificados emplacados no estado mais do que dobrou. Hoje, a procura por veículos dessa categoria na Paraíba cresce mais do que a média nacional, conforme explicou o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos da Paraíba (Sincodiv-PB), José Carneiro.

Os números do Detran-PB mostram o registro de 1.635 veículos eletrificados em 2024, sendo 1.512 elétricos e 123 híbridos. Em 2025, esse número saltou para 3.877, sendo 3.431 elétricos e 446 híbridos. Neste ano, até o momento, já são 3.011 veículos, sendo 2.590 elétricos e 421 híbridos.

José Carneiro revelou que a projeção do setor é de que mais de 4.200 veículos sejam vendidos em 2026. Ele destacou que essa explosão forçou todo o mercado de automóveis a adaptar-se. “É uma realidade que veio para ficar, não tem mais volta”, afirmou. Ele comentou que a mudança traz uma reação em cadeia, afetando também o mercado de usados e quem trabalha vendendo veículos a combustão. Para ele, a tendência é que os preços desses veículos baixem, para retomar a competitividade em relação aos elétricos.

O panorama da eletrificação no Brasil, pesquisa apresentada pela Mobilix, apresenta os carros 100% elétricos dominando 40% desse mercado, enquanto os híbridos plug-in têm 34% a 35% do mercado, e os híbridos comum e flex, 20% a 25%. Marcas como BYD, GWM e Geely têm se popularizado cada vez mais, mas fabricantes tradicionais, como Chevrolet, Toyota e Renault, também incluíram veículos elétricos em seus acervos.

Em João Pessoa, a Jetour, especializada em modelos híbridos plug-in, chegou à cidade há apenas três meses, mas já viu seu estoque inicial se esgotar. “Não tenho mais para pronta entrega. Hoje em dia, tem carro chegando que a gente tira do caminhão já para entregar ao dono”.

Para José Carneiro, o interesse dos paraibanos pelos veículos eletrificados tem diversos motivos: o avanço da tecnologia, já que muitos desses veículos trazem inovações; os preços competitivos; incentivos fiscais, como o primeiro ano de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pago; e também o preço do combustível.

Os motoristas afirmam que as contas de energia elétrica saem bem mais baratas do que os custos com combustível, principalmente a gasolina. Para quem tem placas de energia solar instaladas em casa, a economia é ainda maior.

Foi pensando em economizar com combustível que o engenheiro de software Telles Nóbrega adquiriu seu primeiro carro elétrico, que acabou de receber, nesta semana. “Eu estava procurando para ter economia de combustível, porque o combustível disparou de novo. E a gente ficou na dúvida entre elétrico e o híbrido. E um dos motivos que me direcionaram para o elétrico foi tanto a isenção do IPVA quanto o valor das revisões, que é bem mais barato do que um carro normal”, explicou.

Ele destacou que as inovações tecnológicas e qualidade do veículo também pesaram na decisão. “Os carros estão vindo muito modernos, com muita qualidade. A gente compara com as marcas tradicionais hoje, estão bem à frente, bem mais confortáveis, com muito mais coisa, muito mais entretenimento para as crianças dentro do carro”, avaliou ele, que é pai de uma criança pequena.

Telles acredita que os elétricos estão com preços competitivos, e o custo-benefício compensa. “É uma opção que veio num preço razoável. Ainda é um preço alto, mas já mais em conta do que estava vindo, com a tecnologia que está bem acima do que a gente estava acostumado aqui no Brasil”.

Nóbrega contou que está em processo junto ao condomínio onde mora para conseguir instalar um carregador para o veículo na garagem, mas, enquanto isso não progride, usará os pontos de abastecimento do bairro. Ele espera obter uma economia de cerca de R$ 1 mil mensais. “Pelas contas que a gente fez, o nosso gasto mensal vai em torno de R$ 1.200 com gasolina. Vai baixar para em torno de R$ 200 por mês com eletricidade, com o carro elétrico; vai praticamente pagar a parcela do carro”, disse.

Comércio de seminovos cresceu 92% no estado

O presidente do Sindicato do Comércio dos Revendedores de Veículos do Estado da Paraíba (Sinvep), Fábio Santana, afirmou que o aumento na procura por veículos eletrificados já chegou ao comércio de seminovos e que as vendas aumentaram 92% neste ano, quando comparadas ao mesmo período do ano passado.

“A gente entende que o mercado de eletrificados chegou já há algum tempo, mas muito timidamente, e teve uma pressão muito grande, talvez das montadoras nacionais, que o carro elétrico não ia vingar, mas a gente, que já entendia um pouco do mercado, viu que não era bem assim. Posteriormente, com a chegada dos chineses, principalmente a BYD, o mercado começou a deslanchar”, comentou.

E acrescentou: “No mercado de seminovos, a gente tinha muito receio de adquirir um carro eletrificado por conta da revenda; muitos diziam que perdia 50% do valor. Porém, as coisas foram mudando, chegaram outras marcas chinesas e as próprias montadoras brasileiras, ou mais tradicionais, começaram a investir no carro eletrificado. O mercado já está consolidado em carros novos, e em seminovos já começaram a entender que é um mercado tranquilo, vende rápido quando chega um carro eletrificado nas lojas de seminovos”, afirmou.

Ele ressaltou, porém, que o mercado de veículos a combustível deve continuar. “Até pelo país ser continental, tem locais que não têm uma estrutura de reabastecimento das baterias, mas eu acredito que vai evoluir ainda mais”, opinou.

Desvantagens

Além da dificuldade de reabastecimento que algumas pessoas podem encontrar, dependendo do local onde morem, outra desvantagem é a dificuldade de assistência técnica. Na oficina de Kevin Queiroz, por exemplo, apenas serviços mecânicos são realizados nesses carros, mas nada que mexa na parte elétrica.

“A parte elétrica desses carros requer um curso específico que atende às normas técnicas de segurança por trabalhar com alta tensão. Então nem todo mundo está querendo gastar ou arriscar mexer com esse tipo de tensão. Até porque as pessoas que compram esses carros já compram focados na economia. Então a maioria dos donos desses veículos não vão querer pagar o valor a ser cobrado que faça valer a pena o investimento da oficina que for atender”, argumentou.

Segundo ele, a suspensão desses carros também é mais frágil do que os veículos populares com os quais o brasileiro está acostumado, pois “não foi feita para rodar aqui nas estradas precárias do nosso país”. Ele acredita, portanto, que, após o fim da garantia de fábrica do veículo, a falta de suporte de peças e mão de obra qualificada pode se tornar um problema.

Outra preocupação dos consumidores é a vida útil da bateria do carro, que representa de 30% a 50% do valor do veículo. Boa parte dos fabricantes oferece oito anos de garantia no item. Além disso, a bateria é composta de módulos, que podem ser trocados parcialmente, então, em boa parte dos casos, não é necessário trocar a peça inteira.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de maio de 2026.