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Chuva compromete safra, e preço do tomate dispara

publicado: 08/05/2026 09h29, última modificação: 08/05/2026 09h29
Dieese registra alta de 41% na capital em março, frente ao mesmo mês em 2025
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Aumento começou há cerca de dois meses e comerciantes estão comprando a caixa por R$ 300 | Foto: Bárbara Wanderley

por Bárbara Wanderley*

O preço do tomate subiu 41% em João Pessoa na comparação entre março deste ano e o mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa nacional da cesta básica, conduzida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese). A pesquisa também aponta que, no último mês de março, o fruto teve aumento de preço em todo o país. A justificativa seria a menor oferta do produto pela perda de parte da safra por conta da chuva. A pesquisa referente ao mês de abril ainda não foi publicada.

Em João Pessoa, os comerciantes que trabalham vendendo o produto, assim como os consumidores, estão sentindo bastante a diferença. A comerciante Nayara Bezerra, que vende legumes e verduras no Mercado Central contou que costumava vender o quilo de tomate por R$ 3,50, mas atualmente está vendendo por R$ 10 o produto “de primeira” e R$ 8 o produto com qualidade inferior. “Mas a safra diminuiu bastante, era 100%, agora está 30%”, disse ela, acrescentando que nem tem mais lucro com as vendas. “A gente não está ganhando dinheiro”.

Os comerciantes do local afirmaram que o preço da caixa de tomates que eles compram para revender disparou e está em R$ 300. De acordo com Nayara, já faz cerca de dois meses que a situação é essa e o problema não se restringe só aos tomates. “É tudo. Batata, cebola, cenoura, coentro, e todas as folhagens”, relatou. Ela estava vendendo um pé de alface pequeno por R$ 4.

O comerciante conhecido como “Ramos” tem medo que chegue a faltar tomate, uma vez que, segundo ele, além do preço elevado, tem chegado muito pouco produto. “Isso aqui vem da Bahia, está chovendo lá. Está pouco demais e é muita chuva, só Jesus pra resolver”, comentou.

Se no mercado público está ruim, nas grandes redes de supermercado está ainda pior. Pelo menos foi o que avaliaram os consumidores encontrados pela reportagem de A União no Mercado Central. Para eles, a feira livre estava servindo como uma alternativa mais econômica, embora mesmo lá os preços estejam acima do normal.

O militar Alberto Clemente falou que se deslocou do bairro do Miramar até o mercado por causa disso. “Em todo supermercado está R$ 12, R$ 11, e não é qualidade assim boa”, avaliou. A solução foi sair do supermercado de mãos vazias e aproveitar a “geral” no mercado. A geral, como chamam os vendedores, refere-se a um pacote em que diversos produtos misturados são vendidos no peso por um preço único. Nesse caso, R$ 7 o quilo.

Mesmo essa opção, estava mais cara do que de costume. “Há pouco tempo eu vim aqui, a gente comprava esse sacolão por R$ 3, R$ 4. Agora, aqui, o mais barato que eu achei R$ 7. Tem outro que é R$ 10, ali é R$ 8”, comparou Alberto.

O cinegrafista Sandro Alves foi outro que procurou o mercado para economizar. Ele contou que tinha visto tomates sendo vendidos por R$ 9 o quilo, em um supermercado, mas encontrou um preço um pouco melhor no Mercado Central. “Está caro em todo lugar, mas aqui está melhor em relação ao supermercado”, afirmou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de maio de 2026.