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em dezembro

Custo da construção sobe na Paraíba

publicado: 12/01/2026 08h30, última modificação: 12/01/2026 08h30
Com alta de 0,45% em dezembro, metro quadrado chega a R$ 1.844,82, puxado pelo valor da mão de obra
2024.08.13 Obra de prédio © Carlos Rodrigo (1).JPG

Os preços subiram 6,83% em 2025, com o estado registrando a sétima maior alta do país | Foto: Carlos Rodrigo

por Carolina Oliveira*

Com a alta de 0,45% no custo médio da construção civil, em dezembro de 2025,  o metro quadrado paraibano passou da média de R$1.836,57, em novembro, para R$1.844,82. Os números foram apontados no Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado, ontem (09), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o economista-chefe do Sindicato da Indústria da Construção Civil de João Pessoa (Sinduscon-JP), Werton Oliveira, a expansão do setor impulsiona a elevação dos preços. “Como a construção civil tem um prazo longo para a entrega do produto, geralmente três ou quatro anos, quando a demanda começa a crescer mais rápido do que a oferta, o preço naturalmente sobe e isso impacta no custo final dos empreendimentos”, explica.

Um dos fatores que mais impacta esse custo é a mão de obra, de acordo com Werton, à medida que a construção civil cresce, ela passa a demandar cada vez mais trabalhadores. “Com isso, encontrar estes trabalhadores disponíveis vai se tornando cada vez mais difícil e, naturalmente, o salário sobe”, afirma.

De acordo com o levantamento do IBGE, a variação de 0,45% foi puxada por esse componente, que cresceu 0,96%, de novembro a dezembro, passando de R$740,70 para R$747,87. “Hoje, estão trabalhando cada vez mais com construções industrializadas. Isso requer profissionais que tenham capacitação correspondente, o que, de fato, também encarece a mão de obra”, completa o economista.

No acumulado de 12 meses, em comparação com o período anterior de 12 meses, que também significa o acumulado do ano de 2025, o custo paraibano apresentou variação de 6,83%, a sétima maior alta do país, acima das médias regional (5,6%) e nacional (5,63%).

O economista também destaca que a tendência de aumento do padrão e complexidade dos imóveis tem impactado os custos médios das construções. “A gente vê até os empreendimentos voltados para o Minha Casa, Minha Vida com piscinas e grandes áreas de lazer, itens que encarecem a construção, porque são materiais mais caros que vão ser incorporados também ao empreendimento”, acrescenta Werton.

A variação mensal estadual ficou abaixo da verificada na média nacional (0,51%) e acima da média do Nordeste (0,27%). Com o aumento em dezembro de 2025. O valor continua sendo o maior de todos os estados do Nordeste e superior à média regional (R$1.756,96), mas inferior ao verificado na média brasileira (R$1.891,63).

Já o custo com material passou de R$1.095,87 para R$1.096,95 no mesmo período. Werton Oliveira destaca que o transporte de material vindo de outros estados também influencia o custo para construir na Paraíba. “Não temos muitas fábricas de material de construção aqui no estado. Então, geralmente, a gente vai ter que arcar com um frete que encarece o produto final”, exemplifica o economista.

Werton Oliveira destaca que os construtores planejam seus empreendimentos considerando sempre uma margem esperada de crescimento nos preços. Já o consumidor pode ter uma dificuldade maior para encontrar um apartamento mais barato, principalmente nas áreas de maior demanda, ligadas ao turismo, como por exemplo, as orlas de Cabo Branco e Tambaú. “Essas áreas têm quantidades mais escassas de terreno, e a maior procura por quem é de fora do estado”, avalia Werton Oliveira.

O economista destaca, porém, que os preços mais altos de construção estão, em grande parte, relacionados às estruturas que têm mais itens de lazer e/ou complexidade construtiva. “Quando tem uma arquitetura mais arrojada, que precisa de produtos mais caros e mais tecnológicos, a mão de obra mais especializada também é necessária, então tudo se soma. Fora deste contexto, não percebo uma correção muito grande de preço nos empreendimentos aqui da nossa cidade”, pontua.

O mercado consumidor também está mudando. “Hoje, João Pessoa está sendo redescoberta por brasileiros de outras regiões, que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a cidade. E esses consumidores que vão comprar e demandar imóveis aqui nos próximos anos, tendem a um comportamento de investidores mais do que de moradores”, opina Werton.

De acordo com o economista, a contrapartida para o setor será o aumento da competitividade entre as empresas. “Aquelas que não se adequarem a esse novo mercado, a esse novo tipo de cliente e consumidor que vai chegar, podem perder espaço no mercado”, esclarece.

Ele destaca, ainda, outras localidades com custos mais atrativos para compra. “Jardim Luna, Miramar, são bairros próximos que têm um preço de metro quadrado mais em conta do que nessas áreas mais disputadas pelos consumidores de fora. Isso também pode impulsionar a procura e o crescimento, em bairros que são tidos como bairros populares, como na Zona Sul, que têm um preço do metro quadrado bem mais atrativo”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de janeiro de 2026.