Toda viagem requer planejamento. Mas, quando se tem um animal de estimação na família, é preciso se programar um pouco mais: sendo ou não possível levar o bicho durante as férias, o bem-estar e a segurança dele integra o orçamento e exige organização. Felizmente, o mercado de cuidados com os pets tem crescido na mesma proporção que o afeto dos tutores, e a busca por hotéis e creches específicos para animais de estimação aumenta em períodos de folga e festejos. Na Paraíba, empreendedores do ramo estimam que o fluxo de clientes em hoteizinhos — que, mais comumente, recebem cães — cresce, em média, 50% durante a temporada de verão.
No bairro de Manaíra, Thiago Carvalho e Gutemberg Sena administram A Creche do Papai, um dog hostel — tipo de hospedagem econômica que foca na socialização, oferecendo quartos compartilhados e áreas comuns para cachorros — há quase nove anos. Eles começaram fazendo passeios caninos, e o negócio rapidamente expandiu, permitindo que a dupla crescesse no ramo e mudasse o negócio de endereço: de um apartamento para uma casa com quintal para receber mais pets. “Os períodos mais movimentados são entre dezembro e janeiro, Carnaval e São João”, conta Thiago. “Nosso hotelzinho lota, e surge a necessidade de aumentar a equipe”.
Por isso, em épocas de festejos, o valor da diária sobe para permitir a contratação de outros cuidadores, que garantem a devida atenção a todos os pets. Normalmente, o valor mínimo é R$ 75 para cachorros de pequeno porte, e esse montante passa por alterações, a depender do tamanho do animal e de alguma demanda específica que ele possa ter, como doenças crônicas e administração de remédios. Com a necessidade de mais gente trabalhando para acompanhar os períodos de alta movimentação, o valor base passa a ser, em média, R$ 85 reais — segundo Thiago, varia conforme o ano.
Em Cabedelo, o movimento também cresceu no Hotelzinho Pet SPA, que funciona 24 horas. A proprietária, Maria das Neves Silva, que gerencia o espaço desde 2018, diz que a hospedaria se vale muito do movimento turístico nas praias paraibanas, que vem se destacando. “Como a região é cheia de atrativos, acabamos conseguindo mais clientes em períodos de férias. Quando os turistas não encontram um hotel pet friendly para se hospedar, costumam deixar os animais aqui, só para dormir, e vêm buscá-los durante o dia para passear”, explica ela. No Hotelzinho Pet SPA, a diária varia entre R$ 60 e R$ 100, a depender do porte do cachorro.
De acordo com o economista Acilino Alberto, membro da Academia Paraibana de Ciência Econômica (APCE), o setor mercadológico voltado para os pets vem se mostrando promissor há anos. “Aqui, no Brasil, durante a pandemia, as pessoas encontraram muito suporte em seus pets. Com isso, os tutores passaram a procurar, no mercado, produtos cada vez mais voltados para a saúde e bem--estar dos animais, agora mais integrados à família humana”, ele diz e ressalta que, a depender do período, pagar a diária de um hotel para animais de estimação pode ser mais econômico do que deixá-lo sozinho ou sob os cuidados de um vizinho — ideia que, inicialmente, pode parecer gratuita ou a mais barata.
O veterinário Paulo Lacerda explica: em festas de fim de ano e São João, por exemplo, existe o hábito de soltar fogos de artifício. “Embora aqueles com estampido sejam proibidos em diversas áreas do Brasil, na prática, nós vemos que as pessoas ainda soltam. Isso perturba muito alguns animais que, no susto, podem acabar tendo uma parada cardiorrespiratória por estresse, fugir de casa ou, desnorteado, quebrar e atravessar vidraças, se ferindo em meio ao medo”, elucida. “O custo de uma consulta de emergência pode acabar saindo mais caro do que um pacote de hospedagem ou outras alternativas responsáveis que integrem os pets nos planos de viagem”.
Paulo ainda acredita que, no preço de um hotel para pet, está incluso o sossego do tutor. “Os cuidadores mandam fotos e atualizações, e estão com o seu bichinho 24 horas. Com isso, é possível aproveitar a viagem de verdade, sabendo que seu companheiro pet não está ferido e nem sozinho”, destaca. O economista concorda: “O setor de cuidados com os pets, que também envolve pet shops e o mercado de acessórios, avança junto ao carinho que os tutores sentem pelos animais. Os hotéis são um negócio bastante promissor, que está bombando durante esse período de férias, principalmente em cidades como João Pessoa, que tem recebido muita gente de fora, com ou sem seus animais de estimação”.
Animal precisa estar vacinado e com a vermifugação em dia
Para deixar um animal de estimação em um hotelzinho, uma série de cuidados são necessários: é preciso que a carteira de vacinação e o vermífugo dele esteja em dia e que ele tenha condições de se afastar do tutor e do espaço ao qual está acostumado.

- Área de recreação garante que o pet também aproveite as próprias férias, com espaço para brincar e socializar ao ar livre
Na Creche do Papai, Thiago explica que, caso o bicho esteja fazendo uso de algum remédio ou sofra de alguma condição, o tutor deve preencher um formulário e fornecer o medicamento com a receita veterinária apropriada. “Tudo isso para que a gente realmente possa cuidar bem do cachorrinho, atender às necessidades específicas dele e garantir que a estadia seja tranquila e adequada”. O mesmo protocolo é seguido no Hotelzinho Pet SPA e em outros empreendimentos do setor.
Os hotéis também oferecem ao pet a chance de aproveitar as próprias férias. Segundo Maria das Neves, “alguns pets não têm muito espaço para correr em casa, nem a chance de brincar com outros da mesma espécie. No hotelzinho, eles encontram brincadeiras, enriquecimento ambiental e companhia, então é uma chance de desestressar brincando como, por exemplo, crianças no recreio da escola”. Para Thiago, a chance de usar o quintal e outros espaços ao ar livre para socializar e se reintegrar à natureza só contribui para o bem-estar do animal.
“Muitos deles vivem em apartamentos ou em casas sem terra ou plantas que eles possam explorar. Aqui, na área de recreação, os pets podem cavar e farejar à vontade, e isso é como lazer para eles”, esclarece. “A gente nota que faz muito bem para os animais ter esse contato maior com a natureza. A socialização com outros cachorros também é muito importante. Percebemos que os clientes mais frequentes são cães que, no geral, são mais tranquilos no dia a dia e nos passeios”, Thiago pontua.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de janeiro de 2026.