A tarifa do transporte coletivo urbano de João Pessoa deve subir de R$ 5,20 para R$ 5,45 a partir de amanhã, após deliberação do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana. O reajuste de 25 centavos representa um aumento de 4,81% no valor da passagem e coloca a capital paraibana como a oitava cidade brasileira com a tarifa de ônibus mais elevada, além de ocupar a segunda posição no Nordeste, atrás apenas de Salvador — maior capital da região. Com a mudança, a tarifa do serviço opcional Geladinho passa a ser de R$ 6,05.
A decisão foi tomada em reunião realizada ontem e, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de João Pessoa (Sintur-
-JP), teve aprovação unânime dos conselheiros presentes. Para entrar em vigor, o novo valor ainda precisa ser homologado pelo prefeito Cícero Lucena (MDB). A expectativa do setor é que a nova tarifa comece a valer a partir de amanhã.
Com o reajuste, o impacto no orçamento mensal é mais perceptível para quem depende do transporte coletivo diariamente. Para um trabalhador assalariado que utiliza duas passagens por dia, considerando deslocamento de ida e volta, o aumento representa um gasto adicional de R$ 11 por mês. Levando em conta o salário mínimo vigente, esse valor equivale a cerca de uma hora e 29 minutos de trabalho extra por mês apenas para cobrir a diferença provocada pelo reajuste.

A nova tarifa é anunciada em um contexto de redução contínua no número de passageiros. De acordo com o Sintur, em 2016, o sistema transportava cerca de 80 milhões de passageiros por ano. Em 2025, esse número caiu para 51 milhões, uma redução de 29 milhões de usuários ao longo de uma década. Para o diretor institucional do sindicato, Isaac Moreira, esse cenário representa um dilema enfrentado pelo transporte coletivo em João Pessoa. “Quanto mais caro, menos cliente”.
Para o diretor do Sintur, a tarifa pesa no bolso dos usuários do sistema. “O valor, de fato, de qualquer despesa que a gente tenha é caro. A tarifa de ônibus não é um serviço barato”, concorda Moreira. Segundo ele, cálculos apresentados pela própria Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob) indicam que o valor necessário para garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema em João Pessoa seria de R$ 5,76, que ele chama de tarifa técnica.
“Mas a gente não pode enxergar apenas pelo lado econômico. Tem que ver também a fragilidade do nosso cliente, para saber se ele está dentro do ônus”, disse. Moreira explicou que a diferença entre a tarifa técnica e a tarifa pública é comum em outras capitais e costuma ser coberta por subsídios do poder público. O Sintur argumenta que a atualização da tarifa segue critérios técnicos definidos pelo sistema de transporte coletivo. O cálculo considera exclusivamente custos comprovados por meio de notas fiscais, como despesas com combustível, frota, peças, manutenção e salários dos trabalhadores.
O setor também aponta que, apesar da redução de 50% na alíquota do ISS em João Pessoa, a carga tributária ainda é considerada elevada quando comparada a outras capitais brasileiras, das quais 14 adotam isenção total do imposto sobre o transporte coletivo. Até o fechamento desta edição, a Semob, que preside o conselho, informou que não iria se manifestar sobre o tema.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 24 de janeiro de 2026.